Nvidia apresenta nova infraestrutura para levar agentes de IA ao ambiente corporativo
- Cyber Security Brazil
- há 2 dias
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A Nvidia anunciou uma nova pilha de software e infraestrutura voltada a ajudar empresas a levar agentes de inteligência artificial da fase experimental para ambientes de produção. A iniciativa inclui um kit de ferramentas open source, um ambiente de execução seguro e uma nova arquitetura de processador desenhada para cargas de trabalho de IA agêntica, nas quais sistemas autônomos são capazes de executar tarefas, acessar ferramentas e interagir com fluxos de negócio com menor supervisão humana.
O anúncio foi feito pelo CEO Jensen Huang durante uma apresentação na GTC Taipei, realizada na Computex. A estratégia mira empresas que já começam a olhar além dos assistentes de IA generativa tradicionais e buscam modelos mais autônomos, capazes de atuar como “trabalhadores digitais” em processos corporativos.
O principal componente da nova pilha é o Nvidia Agent Toolkit, uma coleção de recursos de software que combina modelos Nemotron AI, blueprints para desenvolvimento de agentes, bibliotecas aceleradas por CUDA e um novo ambiente seguro de execução chamado OpenShell.
Segundo a Nvidia, empresas como Cadence, Siemens, Dassault Systèmes, CrowdStrike, Palantir, Microsoft, Red Hat e Canonical já estão integrando partes dessa pilha a seus produtos e plataformas corporativas.
O OpenShell aparece como um dos elementos mais relevantes para líderes de tecnologia e segurança. Em vez de concentrar controles apenas dentro do modelo de IA ou no framework de orquestração dos agentes, a proposta da Nvidia é posicionar governança e segurança em uma camada inferior da infraestrutura. Na prática, o runtime aplica políticas de acesso em sistemas de arquivos, redes e processos, além de oferecer execução em sandbox e controles de privacidade para cargas de trabalho de IA.
Essa abordagem reflete uma mudança mais ampla no mercado corporativo de IA. À medida que agentes passam a acessar aplicações, acionar ferramentas e executar tarefas de forma autônoma, cresce também a preocupação sobre como limitar permissões, auditar ações e impedir que esses sistemas escapem dos controles definidos pela organização.
Yugal Joshi, sócio da Everest Group, afirmou que muitos controles de runtime até agora estavam no nível do processo do agente. Na avaliação dele, a Nvidia está indo uma camada abaixo, tornando os controles mais incorporados à infraestrutura e mais difíceis de serem contornados.
Segundo Joshi, grande parte do setor passou o último ano tentando escalar agentes de IA por meio de camadas de orquestração e governança. A diferença, agora, é que a Nvidia busca impulsionar uma infraestrutura nativa para agentes, com camadas de controle próprias, em vez de simplesmente reaproveitar estruturas já existentes.
Infraestrutura criada para agentes de IA
Além do toolkit, a Nvidia apresentou a Vera CPU como produto independente. O chip já integra a combinação Vera Rubin CPU-GPU, mas agora passa a ser posicionado como uma CPU voltada especificamente para IA agêntica, aprendizagem por reforço e cargas de processamento de dados.
De acordo com a empresa, a Vera CPU consegue concluir até 1,8 vez mais tarefas por segundo do que processadores x86 operando dentro do mesmo limite de consumo energético. A arquitetura está sendo avaliada por organizações como Anthropic, OpenAI, SpaceXAI, ByteDance, CoreWeave e Oracle Cloud Infrastructure.
Com esses lançamentos, a Nvidia tenta se posicionar não apenas como fornecedora de aceleradores e modelos de IA, mas também como provedora da infraestrutura completa que, em sua visão, será necessária para sustentar sistemas autônomos de longa duração. Essa pilha inclui runtime, segurança, orquestração, governança e capacidade computacional.
Primeiros usos em empresas
Durante a apresentação, Jensen Huang afirmou que agentes de IA usarão mais ferramentas do que nunca. Para ele, a IA agêntica deve impulsionar uma nova geração de software e infraestrutura computacional, marcada por sistemas capazes de executar tarefas em diferentes ambientes corporativos.
A Nvidia informou que trabalha com empresas como Cadence, CrowdStrike, Dassault, Palantir, SAP e ServiceNow no desenvolvimento de agentes de IA para áreas como design de semicondutores, simulação de engenharia, software e fluxos industriais.
A própria Nvidia já utiliza internamente o ChipStack, agente autônomo de verificação da Cadence. Segundo a empresa, o uso da solução reduziu ciclos de verificação de chips em mais de 40 vezes em comparação com processos manuais.
Na área de segurança cibernética, a CrowdStrike está implantando modelos Nemotron em operações de segurança. Já a Palantir está integrando esses modelos à sua plataforma Forward Deployed Engineer para automatizar tarefas complexas dentro de ambientes corporativos air-gapped, ou seja, isolados de redes externas por razões de segurança.
Para Yugal Joshi, a concentração dos primeiros adotantes em engenharia, manufatura e cibersegurança mostra onde as empresas parecem mais confortáveis, neste momento, para implementar sistemas autônomos. São setores com fluxos de trabalho mais estruturados, grande disponibilidade de dados e pontos de dor já bem definidos.
Esse perfil difere de setores altamente regulados, como serviços financeiros e saúde, onde os requisitos de governança, conformidade e controle tendem a ser mais complexos.
Uma pilha corporativa para IA agêntica
A Nvidia também apresentou o Nemotron 3 Ultra, modelo mixture-of-experts com 550 bilhões de parâmetros, voltado para programação, pesquisa e cargas de trabalho corporativas. Segundo a empresa, o modelo foi otimizado para frameworks de agentes como LangChain Deep Agents, OpenClaw, OpenHands e OpenCode.
Microsoft, Red Hat e Canonical também estão integrando o OpenShell a ambientes como Windows, Red Hat AI e Ubuntu. Com isso, o runtime deixa de ficar restrito à infraestrutura própria da Nvidia e passa a se expandir para plataformas amplamente usadas em ambientes corporativos. SAP e ServiceNow já haviam incorporado o OpenShell a suas iniciativas de IA empresarial.
Para CIOs e líderes de segurança, o anúncio vai além do lançamento de mais um modelo de IA. A Nvidia está defendendo que agentes corporativos exigirão uma pilha própria, formada por modelos, controles de runtime, governança, observabilidade e infraestrutura de computação.
Ainda não está claro se as empresas adotarão esse modelo de forma ampla. Camadas adicionais de segurança e controle podem trazer mais complexidade, latência e dependência de fornecedores. Ao mesmo tempo, o mercado parece caminhar para uma arquitetura comum para escalar agentes de IA, especialmente em aspectos como controle, segurança, runtime e observabilidade.
A aposta da Nvidia reforça uma tendência importante: à medida que agentes de IA deixam de ser apenas protótipos e passam a executar tarefas reais em sistemas corporativos, a infraestrutura de suporte se torna tão crítica quanto o próprio modelo. O desafio para as empresas será equilibrar autonomia, desempenho, governança e segurança em ambientes cada vez mais dependentes de decisões automatizadas.


