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Malware JSCeal rouba cookies de sessão para acessar contas Google sem autenticação

há 30 minutos
3 min de leitura

Pesquisadores da Check Point detalharam novas capacidades do malware JSCeal, uma ameaça baseada em JavaScript V8 compilado capaz de roubar credenciais, monitorar usuários e interceptar tráfego. Entre os recursos identificados está o uso de cookies de sessão roubados para reconstruir sessões do navegador e obter acesso não autorizado a contas Google, contornando o processo normal de autenticação.


O JSCeal foi documentado inicialmente em julho de 2025 em campanhas que utilizavam anúncios maliciosos no Facebook e Google para direcionar vítimas a falsas plataformas de negociação de criptomoedas. Os sites fraudulentos instruíam os usuários a baixar supostos instaladores do TradingView, que na realidade levavam à instalação do malware. A atividade apresenta sobreposição com grupos rastreados como WEEVILPROXY e MeadowLocust.


Nas campanhas de malvertising, dois arquivos ZIP são entregues por meio do PowerShell. Um deles contém o ambiente de execução Node.js, enquanto o segundo carrega o payload principal do JSCeal e componentes auxiliares necessários para a operação.


Uma campanha relacionada, denominada SourTrade pela Confiant, permanece ativa desde pelo menos o final de 2024 e utiliza marcas conhecidas do mercado de negociação e criptomoedas, como Solana, Luno e TradingView. A operação atingiu investidores e traders em 12 países, utilizando conteúdo em 25 idiomas, com concentração principalmente na região Ásia-Pacífico e América Latina.


Um dos diferenciais técnicos dessa campanha está na forma como o malware é entregue. Em vez de transferir diretamente o arquivo malicioso pronto, a página fornece instruções para que o navegador da vítima obtenha um arquivo legítimo de outra infraestrutura e monte o malware final diretamente na memória do computador. Dessa maneira, o payload completo não precisa trafegar pela rede na forma final.


A análise da Check Point também mostra que os operadores investiram significativamente em técnicas para dificultar a engenharia reversa. O JSCeal utiliza javascript-obfuscator, strings protegidas com RC4, control-flow flattening, funções proxy e wrappers para operações simples. Além disso, o código é distribuído como bytecode JavaScript V8 compilado, adicionando outra camada de complexidade à análise.


Após conseguir executar no sistema, o malware enumera navegadores instalados e procura informações armazenadas nos diferentes perfis. Entre os dados visados estão senhas, cookies, tokens OAuth e outros segredos que podem permitir o comprometimento de contas.


A lista de navegadores Chromium afetados é extensa e inclui Google Chrome, Microsoft Edge, Brave, Opera, Opera GX, Avast Secure Browser, Vivaldi e Cốc Cốc. Para cada navegador encontrado, o JSCeal acessa os diretórios esperados dos dados do usuário, identifica os perfis disponíveis e extrai cookies e senhas armazenadas.


Uma das capacidades mais relevantes é o chamado session replay. Com um cookie de sessão válido roubado da vítima, o JSCeal pode reconstruir uma sessão do navegador e tentar acessar uma conta Google sem passar novamente pelo fluxo convencional de autenticação. Na prática, o ataque explora uma sessão que já havia sido autenticada pelo usuário, em vez de necessariamente quebrar ou descobrir sua senha.


O malware também possui funções de espionagem capazes de registrar teclas digitadas e capturar screenshots. Outro módulo configura um proxy local, gera e instala certificados e pode interceptar e modificar requisições e respostas de serviços específicos.


Esse mecanismo vai além da simples observação do tráfego. O código analisado possui handlers específicos para plataformas como Binance, Bybit e Ledger, além de funções genéricas para substituir HTML, bloquear hosts e remover cookies selecionados. Outros componentes voltados a serviços de criptomoedas conseguem capturar informações das contas e registrar os saldos das vítimas.


Segundo os pesquisadores, a combinação do formato compilado específico do V8 com múltiplas camadas de ofuscação não torna o JSCeal impossível de analisar, mas dificulta o uso dos fluxos tradicionais empregados por analistas de malware. As mudanças recentes também indicam que a ameaça continua em desenvolvimento ativo, enquanto as campanhas associadas permanecem em operação.

 
 
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