Malware faz caixas eletrônicos liberarem dinheiro e causa US$ 40,7 milhões em prejuízos

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra 10 pessoas acusadas de participar de um esquema que utiliza malware para fazer caixas eletrônicos liberarem todo o dinheiro disponível. Autoridades norte-americanas associam a operação financeira ao grupo criminoso venezuelano Tren de Aragua.
O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) incluiu nas sanções vários cidadãos venezuelanos e empresas sob seu controle, apontados como integrantes de uma estrutura usada para lavar recursos obtidos em ataques contra dezenas de caixas eletrônicos.
Segundo autoridades dos EUA, pelo menos 1.500 ataques desse tipo já foram identificados, causando prejuízos de US$ 40,7 milhões. O Tesouro afirma que o chamado “ATM jackpotting” se tornou uma importante fonte de receita para o Tren de Aragua.
Os valores roubados teriam sido transferidos para integrantes do grupo responsáveis por ocultar a origem do dinheiro, incluindo operações com criptomoedas e empresas controladas pelos envolvidos no México e em outros países.
O Departamento de Justiça dos EUA afirma haver ligações diretas e indiretas entre o malware Ploutus, utilizado nos ataques aos caixas eletrônicos, e o Tren de Aragua. No entanto, especialistas independentes não encontraram evidências técnicas que estabeleçam uma ligação entre o Ploutus, o grupo venezuelano e Anibal Alexander Canelon Aguirre, apontado pelo FBI como desenvolvedor do malware.
A empresa de análise de blockchain Chainalysis identificou que recursos provenientes dos ataques circularam pelos mesmos canais utilizados para movimentar dinheiro do tráfico de drogas. Segundo a empresa, carteiras associadas ao Tren de Aragua tiveram exposição a estruturas de lavagem utilizadas por cartéis colombianos e mexicanos.
A análise também identificou o uso de uma infraestrutura financeira compartilhada por diferentes organizações criminosas na América Latina, incluindo transações com stablecoins.
As sanções fazem parte de uma série de medidas adotadas pelo governo norte-americano contra o esquema. Pelo menos 98 pessoas já foram indiciadas por suposta participação nas operações envolvendo o malware, e cinco homens se declararam culpados de acusações relacionadas no mês passado.
Vídeos e fotografias divulgados por promotores e pelo Departamento do Tesouro mostram suspeitos abrindo a parte superior de caixas eletrônicos, conectando laptops aos equipamentos e instalando o malware. Uma vez comprometido o sistema, o código malicioso força o terminal a liberar o dinheiro armazenado.
O FBI aponta Aguirre como desenvolvedor do Ploutus e o incluiu em sua lista de mais procurados. Ele é acusado de organizar equipes responsáveis por atacar caixas eletrônicos nos Estados Unidos, principalmente equipamentos instalados em áreas remotas. O Tesouro afirma ainda possuir fotografias de Aguirre junto a valores provenientes de crimes de ATM jackpotting.
Variantes do Ploutus são acompanhadas por pesquisadores e órgãos governamentais há quase uma década. Pesquisadores do Google já classificaram a família como uma das formas mais avançadas de malware direcionado a caixas eletrônicos observadas em suas análises.



