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Mais de 7 mil servidores Ruby on Rails vulneráveis estavam expostos à internet


Hackers estão explorando ativamente duas vulnerabilidades críticas que afetam o Langflow e o Ruby on Rails, segundo novas análises da VulnCheck. As falhas podem permitir desde a coleta de credenciais e informações sensíveis até execução remota de código e estabelecimento de infraestrutura de comando e controle.


A primeira vulnerabilidade, identificada como CVE-2026-0768 e classificada com pontuação CVSS 9.8, afeta o Langflow, plataforma utilizada para desenvolvimento de aplicações e fluxos relacionados a inteligência artificial. A falha decorre da validação inadequada de entradas fornecidas pelo usuário e pode ser explorada para executar código Python arbitrário com privilégios de root.


A segunda falha, CVE-2026-66066, recebeu pontuação CVSS 9.5 e também é conhecida como KindaRails2Shell. Ela afeta o Ruby on Rails e pode permitir que um invasor não autenticado leia arquivos arbitrários no servidor e acesse informações presentes no ambiente de execução da aplicação.


Entre os dados potencialmente expostos estão o secret_key_base do Rails, master keys, senhas de banco de dados, credenciais de armazenamento em cloud e tokens de API. Dependendo da configuração e das informações obtidas, o ataque pode evoluir para execução remota de código.


A exploração da CVE-2026-66066 pode ocorrer por meio do upload de uma imagem especialmente preparada. O ataque aproveita uma diferença na forma como o Active Storage e a biblioteca libvips processam determinados arquivos. Para que a exploração seja possível, a aplicação precisa utilizar libvips no processamento de imagens do Active Storage e permitir uploads provenientes de usuários não confiáveis.


A VulnCheck registrou mais de 50 detecções relacionadas às vulnerabilidades em poucas horas no dia 30 de agosto de 2026. O número posteriormente aumentou para 360 detecções. A atividade observada combina reconhecimento de ambientes com tentativas de localizar e extrair credenciais.

Entre as informações procuradas pelos invasores estão variáveis de ambiente como LANGFLOW_SUPERUSER, chaves da API da OpenAI, credenciais AWS, arquivos utilizados pelo Langflow para armazenar secrets, além de informações relacionadas ao SSH e ao histórico de comandos do Bash. Segundo a VulnCheck, grande parte do tráfego observado inicialmente teve origem na Rússia e atingiu sistemas canary mantidos pela empresa no Reino Unido.


Os ataques fazem parte de um interesse mais amplo dos invasores pelo Langflow. Desde 2025, a VulnCheck afirma ter acompanhado a exploração de pelo menos 12 vulnerabilidades na plataforma, somando mais de 15 mil tentativas bem-sucedidas associadas a diferentes falhas, incluindo CVE-2026-0769, CVE-2025-3248 e CVE-2026-5027.


A maioria das instalações vulneráveis do Langflow identificadas pelos pesquisadores está localizada nos Estados Unidos, Alemanha, Malásia, Brasil e Índia. A exposição dessas plataformas representa um risco adicional porque ambientes de desenvolvimento de inteligência artificial frequentemente estão conectados a serviços de cloud, APIs e outros sistemas que armazenam credenciais sensíveis.


Em um dos incidentes analisados, invasores exploraram a CVE-2026-5027 para instalar um coletor de credenciais escrito em Python, agentes de proxy e o software de acesso remoto SimpleHelp. Em outro caso, a CVE-2025-3248 foi utilizada para incorporar o sistema comprometido a uma botnet destinada à mineração de criptomoedas Monero.


A investigação também identificou invasores desativando o serviço auditd, utilizado para auditoria em sistemas Linux, reduzindo a visibilidade forense do ataque. Na sequência, a CVE-2026-0769 foi explorada para instalar outro componente malicioso, utilizado posteriormente para procurar novos alvos e ampliar a operação de cryptomining.


A CVE-2026-66066 no Ruby on Rails também está sendo explorada. A VulnCheck detectou ataques contra seus sistemas de monitoramento em Singapura, Israel e Reino Unido. A atividade foi associada a um único endereço IP localizado na França e estabelecia comunicação de comando e controle com um servidor em Israel.


Os pesquisadores também chamaram atenção para uma possível limitação da correção disponibilizada para o Rails. Testes realizados em um servidor atualizado para a versão 8.1.3.1 mostraram que a proteção bloqueava a leitura de arquivos por meio do libvips, mas não eliminava completamente outro vetor envolvendo desserialização Marshal. Segundo a VulnCheck, o componente capaz de levar à execução de código ainda funcionava quando acompanhado de uma assinatura válida.


No início de agosto, a empresa havia identificado mais de 7.100 instâncias vulneráveis do Ruby on Rails expostas à internet. O cenário amplia o risco de exploração automatizada contra aplicações que permaneçam acessíveis e sem as devidas medidas de mitigação

 
 
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