Investidores dos EUA acionam Coreia do Sul após crise envolvendo vazamento da Coupang
- Cyber Security Brazil
- há 15 horas
- 2 min de leitura

A crise provocada pelo vazamento de dados da Coupang deixou de ser apenas um caso regulatório e passou a ganhar contornos geopolíticos. Investidores norte-americanos da empresa incluindo Greenoaks, Altimeter, Abrams Capital, Durable Capital Partners e Foxhaven Asset Management iniciaram um processo preliminar de arbitragem internacional contra o governo da Coreia do Sul, com base no Acordo de Livre Comércio (FTA) entre os dois países.
A Coupang, frequentemente chamada de “Amazon da Coreia do Sul”, tem sede global em Seattle, nos Estados Unidos, embora concentre suas operações na Coreia, Taiwan e Japão.
O conflito gira em torno da resposta do governo sul-coreano ao vazamento de dados divulgado em dezembro, que envolveu cerca de 34 milhões de contas de clientes ao longo de cinco meses.
Segundo as autoridades sul-coreanas, mais de 30 milhões de contas foram expostas, incluindo nomes, e-mails, telefones e históricos de pedidos. Já os investidores alegam que apenas cerca de 3 mil registros foram efetivamente retidos antes de serem deletados, e que nenhuma informação sensível como senhas ou dados financeiros foi acessada.
O governo, por meio da Comissão de Proteção de Informações Pessoais (PIPC), indicou a possibilidade de multas que poderiam chegar a 3% da receita da empresa estimadas em mais de US$ 800 milhões e há propostas legislativas para elevar esse teto para 10%, inclusive com aplicação retroativa.
Os investidores classificam essa postura como “discriminatória” e afirmam que outras empresas locais envolvidas em vazamentos recentes, como KakaoPay, SK Telecom, Upbit e AliExpress, receberam sanções significativamente menores.
Além disso, o Ministério da Ciência e TIC alegou que a empresa não notificou o incidente dentro do prazo legal de 24 horas e não cumpriu integralmente uma ordem de preservação de dados, o que teria resultado na perda de logs importantes para investigação. A empresa nega irregularidades graves e substituiu seu CEO em meio à crise.
Especialistas apontam que o caso extrapola o campo da proteção de dados e pode afetar as relações comerciais entre EUA e Coreia do Sul. A arbitragem sob o mecanismo ISDS (Investor-State Dispute Settlement) pode resultar em pedidos bilionários de indenização, caso se conclua que houve tratamento desigual ou expropriação indireta.
O episódio também reacende debates mais amplos sobre políticas digitais sul-coreanas que, segundo críticos, favorecem empresas locais incluindo regras sobre taxas de rede, pagamentos em lojas de aplicativos e restrições a serviços estrangeiros sob justificativas de segurança nacional.


