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Hackers da Coreia do Norte invadem ao menos 70 empresas americanas usando identidades roubadas

há 2 minutos
3 min de leitura

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) revelou uma operação de infiltração atribuída a hackers ligados ao regime da Coreia do Norte, que conseguiram obter empregos em pelo menos 70 empresas americanas utilizando identidades roubadas. Segundo as autoridades, os envolvidos exploravam posições de trabalho remoto para acessar sistemas corporativos, roubar informações confidenciais e gerar receitas para o governo norte-coreano.


Em comunicado divulgado na terça-feira, os promotores federais anunciaram a prisão e o indiciamento de pelo menos duas pessoas, além de operações de busca em mais de 40 instalações conhecidas como laptop farms, localizadas no Texas.


Essas estruturas funcionavam como centros de operação remota, permitindo que trabalhadores norte-coreanos utilizassem computadores fisicamente instalados nos Estados Unidos para acessar redes empresariais.


Durante as ações, as autoridades apreenderam mais de 180 computadores que teriam sido enviados por empresas americanas a funcionários recém-contratados. As organizações desconheciam que os profissionais utilizavam identidades de cidadãos americanos para ocultar sua verdadeira origem.


Estruturas no Texas permitiam acesso remoto às empresas

Segundo o DOJ, as mais de 40 instalações investigadas estavam distribuídas por residências e imóveis no Texas, sob responsabilidade de pelo menos dois facilitadores americanos.


Os computadores recebidos das empresas eram mantidos nesses locais e acessados remotamente pelos operadores norte-coreanos, criando a aparência de que os funcionários trabalhavam dentro dos Estados Unidos.


A CrowdStrike, que colaborou com o FBI na investigação, afirmou que essas estruturas são essenciais para superar barreiras físicas, financeiras e legais enfrentadas pelos hackers que operam fora do território americano.


O esquema também envolvia endereços de e-mail aparentemente legítimos, perfis falsificados no LinkedIn e contas em redes sociais utilizadas para sustentar as identidades fraudulentas.


De acordo com os investigadores, a operação permitiu a infiltração em pelo menos 70 empresas, com aproximadamente US$ 3 milhões obtidos de forma ilícita.


As organizações afetadas atuam nos setores de saúde, suporte em cibersegurança, varejo, comunicações e manufatura, distribuídas por Ohio e outros 16 estados, além do Distrito de Columbia.


O Departamento de Justiça não divulgou os nomes das empresas comprometidas.


Norte-coreanos passam a recrutar americanos para facilitar infiltrações

As autoridades americanas identificaram uma mudança na estratégia utilizada pelos operadores norte-coreanos.


Com o aprimoramento dos mecanismos de detecção pelas empresas e o aumento das ações policiais, os envolvidos passaram a recrutar cidadãos americanos para facilitar suas operações.


Segundo o DOJ, esses intermediários desempenham uma variedade crescente de funções, incluindo a administração dos computadores utilizados no esquema.


Em determinados casos, os operadores norte-coreanos também terceirizam integralmente os trabalhos obtidos fraudulentamente para profissionais estrangeiros.


Essa abordagem permite manter o acesso às empresas e contornar verificações que poderiam identificar inconsistências relacionadas à localização dos funcionários.


Em um alerta separado, o FBI afirmou que existem milhares de profissionais de tecnologia controlados pelo Estado norte-coreano trabalhando em empresas ocidentais.


A agência classificou essa presença como uma ameaça significativa à segurança nacional e à proteção da propriedade intelectual, especialmente devido ao acesso interno que esses profissionais podem obter.


Funcionários infiltrados também são usados para extorsão

O esquema de trabalhadores remotos faz parte de uma estratégia utilizada há anos pela Coreia do Norte para obter receitas em empresas americanas e europeias.


Os operadores conseguem contratos de trabalho utilizando identidades falsas, recebem salários e, durante o vínculo profissional, podem acessar informações sensíveis e propriedade intelectual das organizações.


Em determinadas situações, os dados obtidos são posteriormente utilizados para extorquir as empresas, criando uma fonte adicional de receita ilícita.


As operações anunciadas pelo DOJ representam mais uma etapa de uma série de prisões, indiciamentos e medidas de repressão contra essas atividades nos Estados Unidos.


Recursos ilícitos podem financiar programa nuclear norte-coreano

Segundo as autoridades americanas, a infiltração de trabalhadores de tecnologia integra um conjunto mais amplo de atividades utilizadas pelo regime norte-coreano para gerar receitas e contornar sanções internacionais.


Entre essas operações estão ataques contra corretoras de criptomoedas e projetos de desenvolvimento de software de código aberto.


Os recursos obtidos são associados ao financiamento do programa nuclear norte-coreano, sujeito a sanções internacionais.


Estimativas citadas no contexto dessas investigações apontam que o regime teria roubado pelo menos US$ 2 bilhões em criptomoedas somente durante 2025.


Especialistas em Coreia do Norte consideram que tanto o número de empresas comprometidas quanto os valores efetivamente desviados podem ser superiores aos divulgados publicamente.


Em um relatório anterior, a CrowdStrike também atribuiu a hackers norte-coreanos aproximadamente metade das intrusões documentadas com atividade humana direta, conhecidas como hands-on-keyboard, registradas no período de um ano.


Esse tipo de intrusão envolve operadores que executam manualmente ações nos sistemas comprometidos, em vez de depender exclusivamente de ferramentas automatizadas ou inteligência artificial.


A investigação mais recente mostra como o acesso corporativo obtido por meio de contratações fraudulentas pode ser explorado para espionagem, roubo de propriedade intelectual e geração de receitas ilícitas, mesmo quando os equipamentos utilizados pertencem legitimamente às empresas afetadas.

 
 
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