Hackers atacam bancos de sangue na França e tentam alterar temperatura de câmaras frias

Uma nova onda de ataques cibernéticos contra sistemas de refrigeração na Europa atingiu três instalações do Établissement Français du Sang (EFS), órgão responsável pela coleta, preparação e distribuição de sangue na França. Os invasores alteraram remotamente os parâmetros de temperatura e descongelamento das câmaras frias utilizadas para armazenar produtos sanguíneos e amostras destinadas a instituições de saúde.
Em comunicado divulgado na terça-feira (3), o EFS confirmou que os limites de temperatura e descongelamento foram elevados a níveis extremamente altos. Apesar da tentativa de manipulação, a organização informou que nenhum produto sanguíneo foi perdido e não houve consequências para a saúde dos pacientes.
Os sistemas de monitoramento e alarme permitiram identificar rapidamente as alterações e adotar medidas de contenção. Dependendo da situação, os equipamentos afetados foram estabilizados ou desativados, enquanto os produtos armazenados foram transferidos preventivamente para outras instalações.
Segundo o EFS, a organização não foi diretamente invadida. O ataque teria ocorrido por meio de um fornecedor terceirizado de equipamentos de refrigeração, responsável pelos sistemas utilizados nas instalações afetadas. A entidade não identificou os locais específicos nem os fabricantes e modelos dos dispositivos comprometidos.
Este é o primeiro caso relatado envolvendo uma instituição de saúde na atual onda de ataques e o primeiro registrado na França durante essa segunda campanha contra sistemas de controle de temperatura.
Ao menos 11 países europeus registraram incidentes semelhantes: Bélgica, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal, Suécia e Reino Unido. Supermercados e outros estabelecimentos comerciais também foram afetados, com invasores manipulando remotamente equipamentos de refrigeração.
Os incidentes seguem uma primeira onda registrada na França em outubro, quando hackers acionaram remotamente o descongelamento de refrigeradores comerciais, provocando a deterioração de alimentos e prejuízos ao setor varejista.
Até o momento, não há confirmação de que os mesmos responsáveis estejam envolvidos nas duas ondas de ataques. Nenhum grupo assumiu a autoria das operações, e as autoridades britânicas informaram que ainda não conseguiram atribuir os incidentes a uma organização específica.
Um representante da agência de cibersegurança da Bélgica afirmou à Recorded Future News que talvez nunca seja possível identificar os responsáveis. A investigação continua, enquanto os incidentes demonstram os riscos operacionais associados ao comprometimento de sistemas de refrigeração controlados remotamente.



