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Grupo hacker Medusa assume ataques contra hospital de referĂȘncia no Mississippi e condado em Nova Jersey


O grupo hacker Medusa assumiu a autoria de dois ataques cibernéticos de grande impacto nos Estados Unidos, atingindo o University of Mississippi Medical Center (UMMC), maior hospital do estado do Mississippi, e o condado de Passaic, em Nova Jersey.


A operação criminosa reivindicou recentemente a invasĂŁo ao UMMC, uma das instituiçÔes de saĂșde mais relevantes da regiĂŁo, responsĂĄvel por empregar cerca de 10 mil pessoas e abrigar estruturas Ășnicas no estado, como o Ășnico hospital infantil, o Ășnico centro de trauma NĂ­vel I, a Ășnica unidade neonatal de terapia intensiva NĂ­vel IV e os Ășnicos programas de transplante de ĂłrgĂŁos do Mississippi.


O ataque ao hospital causou uma paralisação severa no fim de fevereiro, deixando toda a organização fora do ar por nove dias. Com a indisponibilidade dos sistemas, médicos e enfermeiros tiveram de recorrer a processos manuais para manter os atendimentos.


Unidades críticas passaram a operar com papel e caneta, enquanto o centro de infusão oncológica precisou remarcar pacientes. Em meio à crise, equipes internas improvisaram estruturas emergenciais para garantir a continuidade de serviços essenciais, inclusive com o funcionamento de uma clínica de infusão urgente totalmente offline.


Apesar de os hospitais e departamentos de emergĂȘncia permanecerem em operação, o UMMC decidiu fechar temporariamente suas 35 clĂ­nicas. A gravidade do incidente levou Ă  atuação do FBI e do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, que passaram a apoiar os esforços de resposta e recuperação.


A reabertura total da instituição ocorreu em 2 de março, mas dias depois o grupo Medusa publicou a reivindicação do ataque e exigiu o pagamento de US$ 800 mil para não vazar supostos dados roubados da organização. Os hackers estabeleceram o dia 20 de março como prazo para a divulgação das informaçÔes. A instituição hospitalar evitou comentar publicamente sobre a ameaça de extorsão.


Especialistas apontam que a operação Medusa provavelmente tem origem na RĂșssia, com base em indĂ­cios como a ausĂȘncia de ataques contra paĂ­ses da Comunidade dos Estados Independentes, a atividade em fĂłruns de lĂ­ngua russa e o uso de caracteres cirĂ­licos em ferramentas operacionais. Ativo desde 2021, o grupo jĂĄ demonstrou repetidamente interesse em atingir alvos sensĂ­veis, especialmente organizaçÔes de saĂșde e governos locais nos Estados Unidos.


AlĂ©m do hospital no Mississippi, o Medusa tambĂ©m assumiu nesta semana um ataque contra o condado de Passaic, em Nova Jersey, onde vivem quase 600 mil pessoas. Segundo autoridades locais, o incidente foi tratado inicialmente como um ataque de malware e afetou linhas telefĂŽnicas e sistemas de TI utilizados em repartiçÔes pĂșblicas. Assim como no caso do hospital, os criminosos tambĂ©m exigiram US$ 800 mil para encerrar a pressĂŁo sobre a vĂ­tima.


Os dois casos reforçam uma tendĂȘncia preocupante no cenĂĄrio de cibersegurança: grupos hackers continuam mirando instituiçÔes essenciais, explorando a urgĂȘncia operacional e a pressĂŁo social para aumentar as chances de pagamento. Quando hospitais e ĂłrgĂŁos pĂșblicos sĂŁo afetados, o impacto deixa de ser apenas tecnolĂłgico e passa a comprometer diretamente serviços fundamentais Ă  população, ampliando os prejuĂ­zos operacionais, financeiros e reputacionais.

 
 
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