Google prepara laptops Android com Gemini integrado e mira mercado premium além dos Chromebooks
- Cyber Security Brazil
- há 5 minutos
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O Google está preparando uma nova linha de laptops baseados em Android, em vez do ChromeOS, em uma tentativa de reposicionar sua presença no mercado de computadores portáteis e avançar para um segmento mais premium. Os novos dispositivos, chamados informalmente de Googlebooks no material original, devem combinar elementos do ChromeOS e do Android, mas com uma diferença central: a inteligência artificial Gemini estará profundamente integrada à experiência do sistema.
A proposta marca uma mudança importante na estratégia da empresa. Por anos, os Chromebooks foram associados principalmente a dispositivos mais simples, acessíveis e populares em ambientes educacionais. Com os novos laptops Android, o Google parece buscar um espaço mais próximo dos notebooks premium com Windows e macOS, usando o ecossistema Android como diferencial competitivo.
A movimentação também reforça uma tendência cada vez mais evidente entre grandes empresas de tecnologia: integrar assistentes de IA diretamente ao sistema operacional e aos fluxos de trabalho do usuário. No caso dos Googlebooks, a presença do Gemini parece ir além de um aplicativo ou painel lateral. Segundo a demonstração apresentada pela empresa, a IA será acionada de forma contextual em diferentes partes da interface, inclusive a partir do movimento do cursor sobre elementos na tela.
Um dos recursos destacados é o Magic Pointer. A função é ativada quando o usuário movimenta o cursor de determinada forma e passa a exibir sugestões baseadas no conteúdo sobre o qual o ponteiro está posicionado. Em um exemplo demonstrado por Alexander Kuscher, diretor sênior de laptops e tablets do Google, ao passar o cursor sobre uma data em um e-mail, o sistema apresentou opções para consultar a agenda, criar uma resposta confirmando presença na cidade em 19 de maio e até usar o Google Maps para sugerir locais de encontro.
Na prática, o recurso transforma ações comuns, como ler um e-mail ou selecionar uma informação, em pontos de entrada para tarefas automatizadas com IA. A ideia é reduzir etapas que normalmente exigiriam abrir um chatbot, copiar informações, formular um prompt e aguardar uma resposta. Ao mesmo tempo, a abordagem pode gerar incômodo para usuários que preferem sistemas menos intervencionistas ou que não desejam sugestões de IA surgindo em tarefas rotineiras.
Outro exemplo apresentado envolve manipulação de imagens por arrastar e soltar. Durante a demonstração, Kuscher arrastou a foto de um quarto infantil sobre imagens de um papel de parede e de um berço. O sistema então gerou uma nova imagem combinando os elementos, criando uma visualização do ambiente com o berço e o papel de parede aplicados. Segundo o executivo, uma tarefa desse tipo normalmente exigiria acessar um chatbot, enviar os arquivos e escrever instruções; no Googlebook, o processo seria integrado diretamente à interface.
O texto original observa que não foi esclarecido se o sistema poderia usar fotos dos usuários como dados de treinamento. Esse ponto é relevante porque a expansão de recursos generativos em sistemas operacionais aumenta a necessidade de transparência sobre privacidade, processamento local ou em nuvem, retenção de dados e uso de conteúdo pessoal para melhoria de modelos.
Os Googlebooks também devem executar aplicativos Android, o que aproxima os notebooks do ecossistema móvel do Google. A demonstração mostrou o Duolingo rodando em uma janela vertical, semelhante à experiência em um smartphone. Os usuários também poderão iniciar aplicativos a partir do telefone, em uma abordagem comparável ao espelhamento de iPhone no ecossistema da Apple.
O Google informou que os novos laptops serão produzidos com materiais e acabamento premium por parceiros como Acer, ASUS, Dell, HP e Lenovo. Os dispositivos também devem trazer uma barra luminosa com as cores do Google na tampa, um elemento visual voltado à identificação da linha.
A chegada dos Googlebooks, no entanto, ocorre em um momento desafiador para o mercado de PCs. O texto menciona a escassez de memória RAM e a previsão da IDC de queda de 11,3% nas remessas de PCs em 2026. Ainda não há preços oficiais, mas a expectativa é que os novos modelos sejam significativamente mais caros que os Chromebooks, tradicionalmente vendidos nos Estados Unidos em uma faixa aproximada de US$ 200 a US$ 500.
Esse posicionamento pode colocar os Googlebooks em concorrência direta com notebooks premium de consumo baseados em Windows e macOS. O desafio é que esse mercado enfrenta pressão por queda de demanda, enquanto consumidores tendem a manter dispositivos antigos por mais tempo. O texto também aponta que não há sinais claros de que o Google esteja mirando empresas, e que departamentos de TI podem não se interessar pelas funcionalidades priorizadas na apresentação.
Além dos laptops Android, o Google anunciou a expansão do Gemini Intelligence para dispositivos Android de alto desempenho, incluindo modelos Samsung Galaxy e Google Pixel. A proposta é permitir que o telefone lide com tarefas consideradas repetitivas ou pouco produtivas, como preencher formulários online, resumir páginas da web e reescrever mensagens transcritas por voz para remover pausas e marcas naturais da fala.
Durante a mesma apresentação, o Google também mostrou recursos previstos para o Android 17. Um deles é o Pause Point, uma função que permite marcar determinados aplicativos como distrativos. Quando o usuário tenta abrir esses apps, o sistema exibe uma solicitação para respirar fundo e reconsiderar a ação. A proposta segue uma linha semelhante a recursos de bem-estar digital já explorados por outras plataformas, mas com uma intervenção mais direta no momento de uso.
Outra novidade é o Screen Reactions, recurso que permitirá capturar a tela do dispositivo junto com a imagem do próprio usuário em um canto inferior, facilitando a criação de vídeos de reação diretamente no Android. A funcionalidade aproxima o sistema operacional de formatos populares em redes sociais, especialmente vídeos em que criadores comentam conteúdos exibidos na tela.
Ainda não está claro o que acontecerá com a linha Chromebook após a chegada dos Googlebooks. O texto informa que o Google foi questionado sobre o futuro dos dispositivos mais acessíveis, mas não respondeu. A expectativa apresentada é que os Chromebooks continuem atendendo o mercado educacional por algum tempo, enquanto os novos laptops Android tentam disputar uma faixa mais alta do mercado.
A aposta do Google mostra como a inteligência artificial está deixando de ser apenas um recurso adicional para se tornar parte estrutural dos sistemas operacionais. Nos Googlebooks, o Gemini aparece como uma camada permanente de assistência, automação e criação. A questão é se os usuários verão isso como produtividade ampliada ou como mais uma tentativa de tornar a IA impossível de ignorar.


