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Google Chrome é criticado por falta de proteção contra fingerprinting, técnica amplamente usada para rastrear usuários


O navegador Google Chrome, amplamente promovido como uma solução segura, está no centro de um debate importante sobre privacidade digital. Segundo análises recentes, o navegador não oferece proteção eficaz contra browser fingerprinting, uma das técnicas mais comuns e difíceis de bloquear quando o assunto é rastreamento online.


Diferente dos cookies tradicionais — que podem ser apagados ou bloqueados — o fingerprinting permite identificar usuários com base em características únicas do dispositivo e do navegador, muitas vezes sem consentimento ou conhecimento do usuário.


Como funciona o browser fingerprinting

O fingerprinting coleta uma série de informações técnicas e comportamentais do navegador, criando uma “impressão digital” praticamente única de cada usuário.

Entre os dados coletados estão:

  • Sistema operacional e versão

  • Resolução de tela

  • Fontes instaladas

  • Plugins e extensões

  • Informações de hardware (CPU, GPU)

  • Idioma, fuso horário e configurações regionais


Essas informações são enviadas automaticamente durante a navegação ou capturadas por scripts presentes nas páginas. Quando combinadas, permitem identificar e rastrear um usuário ao longo de diferentes sites, mesmo sem uso de cookies.


Em muitos casos, essa identificação é tão precisa que pode funcionar como um identificador persistente, difícil ou até impossível de apagar.


Técnica amplamente utilizada — e difícil de evitar

Estudos indicam que o fingerprinting já está presente em uma parcela significativa da internet:

  • Mais de 10% dos 100 mil principais sites utilizam a técnica

  • Mais de 25% dos 10 mil maiores sites fazem uso desse tipo de rastreamento


Além disso, pesquisas mais recentes mostram que até padrões de comportamento — como os sites mais acessados — podem identificar até 95% dos usuários, mesmo sem dados técnicos detalhados.


Isso mostra que o rastreamento evoluiu para além de cookies, explorando características invisíveis para o usuário comum.


Falta de proteção no Chrome preocupa especialistas

De acordo com especialistas, o principal problema é que o Chrome praticamente não implementa mecanismos nativos para mitigar esse tipo de rastreamento.


Enquanto navegadores como:

  • Brave utilizam técnicas como farbling (introdução de ruído nos dados)

  • Mozilla Firefox oferece configurações como resistFingerprinting


O Chrome não possui defesas equivalentes por padrão. Isso significa que sites podem coletar informações detalhadas do dispositivo sem grandes obstáculos, criando perfis únicos de usuários em larga escala.


Privacy Sandbox: promessa que não se concretizou

Em 2019, o Google anunciou o projeto Privacy Sandbox, com o objetivo de substituir cookies e melhorar a privacidade online.


Na época, a própria empresa reconheceu que o fingerprinting era uma prática problemática:

Técnicas utilizam pequenas variações entre usuários para criar identificadores únicos, sem controle do usuário.

No entanto, após anos de desenvolvimento, críticas do mercado e pressão regulatória, o projeto foi descontinuado em 2025 sem entregar mecanismos efetivos para mitigar fingerprinting.


Mais controverso ainda foi o reposicionamento da empresa, que passou a aceitar o uso da técnica desde que haja transparência — uma mudança significativa em relação à postura anterior.


Do marketing à vigilância: o impacto real

Embora o fingerprinting tenha aplicações legítimas — como prevenção a fraudes — seu uso em larga escala levanta preocupações sérias.


Relatórios recentes indicam que dados coletados por meio de rastreamento digital estão sendo comercializados para:

  • Empresas de publicidade

  • Corretoras de dados

  • Órgãos governamentais e de segurança


Essas plataformas são capazes de extrair informações como:

  • Endereço IP

  • Localização estimada

  • Tipo de dispositivo

  • Interações do usuário

  • Nível de bateria e comportamento


Na prática, isso cria um ecossistema de vigilância digital altamente sofisticado, muitas vezes invisível para o usuário final.


Um problema estrutural da web moderna

O caso do Chrome evidencia um dilema central da internet atual:

  • Bloquear cookies melhora a privacidade…

  • Mas incentiva técnicas mais invasivas como fingerprinting


Sem mecanismos eficazes de controle, usuários ficam sem opções reais para proteger sua identidade digital.


E com a popularização de tecnologias como IA e coleta massiva de dados, o problema tende a se intensificar — transformando o fingerprinting em uma das principais frentes de risco para privacidade nos próximos anos.

 
 
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