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EUA podem ter novo comandante da guerra cibernética nos próximos dias



O indicado pelo presidente Donald Trump para assumir a liderança do U.S. Cyber Command e da National Security Agency (NSA) deu um passo decisivo rumo à confirmação no Senado dos Estados Unidos. Na segunda-feira, parlamentares aprovaram uma medida processual que limita o debate sobre a indicação do tenente-general do Exército Joshua Rudd, abrindo caminho para uma votação final no plenário.


A votação terminou em 68 votos a favor e 28 contra, permitindo a aplicação do chamado cloture — procedimento utilizado para encerrar discussões prolongadas e avançar para a votação definitiva. Na prática, essa etapa costuma indicar o resultado da votação final. Com o apoio demonstrado, a expectativa é que Rudd seja confirmado oficialmente pelo Senado.


Atualmente vice-chefe do Comando Indo-Pacífico dos Estados Unidos, Rudd foi escolhido para ocupar a chamada posição de “dual-hat”, em que o mesmo líder comanda simultaneamente o Cyber Command — responsável por operações militares no ciberespaço — e a NSA, agência responsável por inteligência de sinais e vigilância eletrônica.


Historicamente, indicações para essa função costumam ser aprovadas rapidamente pelo Senado, muitas vezes sem necessidade de votação formal. Desta vez, no entanto, o processo enfrentou resistência do senador Ron Wyden, membro sênior do Comitê de Inteligência do Senado, que prometeu bloquear uma confirmação acelerada.


Durante o debate no plenário, Wyden afirmou que a escolha de Rudd seria um erro estratégico. Segundo ele, o país precisa de um diretor da NSA com experiência direta em operações de inteligência de sinais (SIGINT) e atuação internacional no campo da inteligência.


Wyden argumentou ainda que o momento geopolítico exige liderança altamente especializada. “Os Estados Unidos estão em guerra e não podemos promover alguém que não possui a experiência necessária para liderar o Cyber Command”, afirmou o senador ao citar o atual cenário de tensão envolvendo o Irã.


Apesar das críticas, a indicação recebeu forte apoio bipartidário no Senado. O presidente do Comitê de Serviços Armados, Roger Wicker, destacou que a aprovação prévia da candidatura demonstra confiança ampla entre democratas e republicanos.


Segundo Wicker, mesmo parlamentares que discordam de decisões políticas do governo reconhecem a necessidade de preencher rapidamente o cargo. “Há forte apoio bipartidário para o general Rudd. Precisamos desse homem no cargo”, declarou.


Trump anunciou a indicação de Rudd em dezembro, após considerar outros dois candidatos para o posto. O militar já havia sido aprovado pelo Comitê de Serviços Armados do Senado em janeiro e posteriormente recebeu sinal verde do Comitê de Inteligência, com 14 votos favoráveis e três contrários.


Caso seja confirmado na votação final, Rudd se tornará o primeiro líder oficialmente aprovado pelo Senado para comandar simultaneamente o Cyber Command e a NSA desde que o presidente Trump demitiu o general Timothy Haugh cerca de um ano atrás.


Desde então, o comando interino das duas organizações vem sendo exercido pelo tenente-general William Hartman, que assumiu a liderança após a saída de Haugh.


A confirmação definitiva deverá ocorrer nos próximos dias e terá impacto direto na estratégia cibernética e nas operações de inteligência dos Estados Unidos, especialmente em um momento marcado pelo aumento de tensões geopolíticas e pelo crescimento de ataques digitais patrocinados por Estados.

 
 
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