Departamento de Estado reemite recompensa de US$ 10 milhões por informações sobre hackers iranianos
- Cyber Security Brazil
- há 11 horas
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O Departamento de Estado dos Estados Unidos voltou a oferecer uma recompensa de até US$ 10 milhões por informações que levem à identificação ou localização de hackers ligados ao Irã. A medida foi reemitida poucas horas após a confirmação de que invasores iranianos conseguiram acessar a conta de e-mail pessoal de Kash Patel, diretor do FBI, e divulgar informações obtidas de forma ilegal na internet.
A nova comunicação reforça uma iniciativa anunciada semanas antes, mas agora cita explicitamente dois alvos prioritários: o grupo hacker Handala e a empresa de tecnologia Parsian Afzar Rayan Borna. Segundo autoridades americanas, ambos estariam diretamente ligados ao Ministério de Inteligência e Segurança do Irã (MOIS) e envolvidos em operações de espionagem e ataques cibernéticos com motivações geopolíticas.
O grupo Handala tem reivindicado uma série de ataques recentes contra empresas e órgãos governamentais dos Estados Unidos e de Israel. Entre os incidentes atribuídos ao grupo está um ataque relevante contra a Stryker, empresa global do setor de dispositivos médicos. Investigações indicam que a atuação do grupo vai além do cibercrime tradicional, envolvendo também ações de impacto psicológico, desinformação e exposição de dados sensíveis.
Nos últimos dias, o Departamento de Justiça e o FBI realizaram diversas ações para derrubar sites operados pelo grupo, incluindo páginas que hospedavam dados vazados do diretor do FBI. Apesar disso, o Handala segue ativo, emitindo ameaças públicas e alegando novos ataques — embora parte dessas reivindicações ainda não tenha sido confirmada por autoridades.
Já a empresa Parsian Afzar Rayan Borna é apontada como um braço operacional importante nas campanhas cibernéticas iranianas. De acordo com análises, a organização teria auxiliado hackers patrocinados pelo Estado em ataques contra o governo da Albânia em 2022, além de participar de atividades de vigilância interna e operações de espionagem digital. Há também acusações de que a empresa atua na disseminação de propaganda governamental por meio de perfis falsos em redes sociais.
Especialistas destacam que a inclusão de uma empresa formalmente identificada ao lado de um grupo hacker representa uma mudança relevante na postura das autoridades americanas. Historicamente, empresas privadas no Irã têm sido associadas a operações cibernéticas ofensivas, mas raramente são nomeadas publicamente em iniciativas desse tipo.
O reforço da recompensa também ocorre em um contexto mais amplo de intensificação das operações cibernéticas atribuídas ao Irã. No ano passado, os Estados Unidos já haviam oferecido o mesmo valor por informações sobre o grupo CyberAv3ngers, conhecido por ataques contra sistemas de infraestrutura crítica, incluindo serviços de abastecimento de água nos Estados Unidos e em Israel.
O episódio evidencia não apenas a escalada da tensão geopolítica no ciberespaço, mas também a crescente profissionalização de operações que combinam espionagem, sabotagem digital e campanhas de influência — um cenário que amplia significativamente os desafios de defesa e atribuição no ambiente digital.


