Defesa não basta: Washington fala em contra-ataque cibernético
- Cyber Security Brazil
- há 49 minutos
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A estratégia cibernética dos Estados Unidos pode estar passando por uma mudança relevante. Após mais de uma década focada em resiliência digital assumindo que redes seriam constantemente testadas e, eventualmente, comprometidas autoridades americanas indicam que o país quer avançar para um modelo mais assertivo de dissuasão.
Durante a Conferência de Segurança de Munique, Anny Vu, autoridade sênior do Bureau of Cyberspace and Digital Policy do Departamento de Estado, afirmou que os EUA precisam ir além da defesa reativa e alterar o cálculo de risco dos adversários.
“Precisamos ser proativos na disrupção de adversários, impondo custos reais e consequências a atores maliciosos”, declarou.
Da resiliência à dissuasão digital
Historicamente, a estratégia americana priorizou a capacidade de absorver ataques e manter sistemas operando mesmo após invasões. A nova abordagem sugere um movimento mais próximo do conceito clássico de dissuasão da Guerra Fria convencer adversários de que os prejuízos de atacar superam quaisquer benefícios.
No entanto, diferentemente de armas nucleares, armas cibernéticas operam em uma zona cinzenta. São silenciosas, negáveis e frequentemente calibradas para permanecer abaixo do limiar de uma resposta militar convencional.
Essa característica torna mais complexo estabelecer parâmetros claros de retaliação e escalada.
Tecnologia como ativo estratégico
O bureau liderado por Vu atua como centro diplomático da política tecnológica americana, negociando regras para áreas como inteligência artificial, computação quântica e telecomunicações, além de coordenar respostas a grandes incidentes.
Autoridades americanas defendem que padrões técnicos e cadeias de suprimento quem desenvolve roteadores, escreve códigos e controla infraestrutura em nuvem são tão estratégicos quanto ativos militares tradicionais.
A lógica é que controlar ou influenciar o ecossistema tecnológico global fortalece a posição geopolítica dos Estados Unidos no ambiente digital.
Paradoxo na cooperação internacional
Apesar do discurso de coordenação com aliados e incentivo ao uso de tecnologias consideradas “confiáveis”, Washington reduziu participação em fóruns multilaterais como o Global Forum on Cyber Expertise, a Freedom Online Coalition e o Hybrid Threat Centre europeu.
Segundo Vu, o afastamento visa eliminar redundâncias. Contudo, a decisão gera um paradoxo: ao mesmo tempo em que os EUA pedem alinhamento estratégico em tecnologia e resposta a ataques, diminuem seu envolvimento em mecanismos institucionais criados justamente para organizar essa cooperação.
O movimento reflete uma reorganização mais ampla da política externa digital americana, com foco em priorização estratégica e redefinição de alianças.


