Coreia do Sul quer usar IA para antecipar e bloquear ataques cibernéticos

O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, defendeu o desenvolvimento de ferramentas de segurança baseadas em inteligência artificial capazes de detectar e bloquear ataques cibernéticos antes que eles atinjam organizações e infraestruturas críticas do país.
A declaração foi feita durante uma reunião com o gabinete, após uma sequência de incidentes envolvendo vazamentos de informações pessoais em instituições financeiras e públicas. Lee afirmou que há indícios de utilização de inteligência artificial nesses episódios, situação que estaria aumentando a preocupação da população.
Entre os casos recentes estão o incidente envolvendo a varejista Coupang e ataques contra bancos sul-coreanos que resultaram na exposição de dados de clientes.
O presidente pediu que as autoridades identifiquem rapidamente as circunstâncias dos incidentes e mobilizem pessoal e recursos para minimizar possíveis danos. Ao mesmo tempo, defendeu uma mudança na postura de segurança digital do país, passando de uma abordagem predominantemente reativa para mecanismos capazes de antecipar atividades maliciosas.
Segundo Lee, o governo precisa desenvolver capacidades que permitam “detectar ataques antecipadamente e bloqueá-los de forma preventiva”. Para isso, os ministérios responsáveis deverão revisar os sistemas de segurança de toda a infraestrutura considerada essencial para o país, além de avaliar ambientes do setor privado e implementar medidas adicionais quando necessário.
Outra prioridade apresentada pelo presidente é acelerar o desenvolvimento e a adoção de tecnologias de IA especificamente voltadas à cibersegurança. A proposta surge em um momento em que ferramentas de inteligência artificial também podem ser utilizadas por invasores para automatizar determinadas etapas de ataques e ampliar a escala de operações maliciosas.
Lee afirmou que a Coreia do Sul precisa promover uma “renovação completa do paradigma de segurança” para adaptá-lo à era da inteligência artificial. O processo deverá envolver colaboração entre governo e empresas para modificar tecnologias, sistemas e práticas relacionadas à segurança.
Apesar da ambição das declarações, transformar a proposta em ferramentas capazes de impedir todos os ataques cibernéticos representa um desafio técnico significativo. O escopo apresentado pelo presidente envolve desde infraestruturas nacionais críticas até empresas privadas, exigindo que ministérios, órgãos públicos e companhias de tecnologia convertam as diretrizes em políticas e mecanismos concretos de defesa.
Enquanto a Coreia do Sul discute uma estratégia de cibersegurança baseada em IA, a Austrália também debate os impactos da tecnologia. Jason Kwon, diretor de estratégia da OpenAI, participou de uma audiência parlamentar sobre o acesso de agentes da empresa a um site governamental de registros médicos.
Kwon reconheceu que a empresa poderia ter adotado uma abordagem melhor do que enviar um e-mail para o endereço destinado a denúncias de abuso da agência governamental responsável, mas defendeu as medidas adotadas pela companhia para aprender com o episódio envolvendo a Hugging Face.
O Parlamento australiano também discute possíveis mudanças nas regras de direitos autorais relacionadas ao treinamento de modelos de IA. Entre as questões está como remunerar criadores cujas obras são utilizadas no treinamento desses sistemas, ao mesmo tempo em que o governo avalia os possíveis impactos regulatórios sobre investimentos em datacenters e a disponibilidade de modelos avançados de IA dentro do país.



