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China e Rússia ampliam cooperação em IA, cibersegurança e sistemas de satélite para reduzir dependência do Ocidente


O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o líder chinês, Xi Jinping, anunciaram nesta quarta-feira uma ampliação da parceria estratégica entre os dois países com foco em inteligência artificial, cibersegurança, internet via satélite, sistemas de navegação e governança digital.


Durante uma cúpula realizada em Pequim, Moscou e Pequim divulgaram uma extensa declaração conjunta detalhando planos para aprofundar a cooperação tecnológica em áreas consideradas estratégicas para ambos os governos. O movimento ocorre em meio ao aumento das tensões geopolíticas com países ocidentais e às restrições tecnológicas impostas principalmente à Rússia desde o início da guerra na Ucrânia.


Entre os principais pontos do acordo está a expansão da colaboração em tecnologias de internet via satélite e o desenvolvimento conjunto de projetos de software e iniciativas open source. Segundo o comunicado, os dois países pretendem reduzir a dependência de tecnologias ocidentais e acelerar a construção de um ecossistema tecnológico mais independente.


A parceria prevê ainda a criação de projetos conjuntos de desenvolvimento de software, compartilhamento de tecnologias abertas e fortalecimento da interoperabilidade entre os sistemas de navegação por satélite GLONASS, da Rússia, e BeiDou, da China.


Além da integração entre os sistemas de posicionamento global, os governos também anunciaram cooperação em frequências de rádio, órbitas de satélites, internet via satélite e infraestrutura voltada para Internet das Coisas (IoT).


O comunicado também reforça a aproximação entre os dois países em temas ligados à governança da internet e políticas de segurança cibernética. Moscou e Pequim afirmaram que pretendem ampliar a coordenação em segurança da informação, compartilhar experiências sobre regulamentação da internet e cooperar de forma mais próxima no enfrentamento de ameaças cibernéticas.


A declaração fortalece o conceito defendido por ambos os governos de “soberania da internet”, modelo no qual o Estado possui ampla autoridade sobre o ambiente digital doméstico, incluindo controle de infraestrutura, conteúdo e tráfego online.


Nos últimos anos, a Rússia intensificou testes para operar uma internet soberana própria, conhecida informalmente como “Runet”, capaz de funcionar parcialmente desconectada da internet global. O Kremlin também vem tentando replicar iniciativas inspiradas no modelo chinês de controle digital, incluindo o desenvolvimento do aplicativo de mensagens Max, considerado uma alternativa nacional baseada no ecossistema do WeChat.


A inteligência artificial surgiu como outro eixo central da cooperação bilateral. A Rússia apoiou oficialmente a proposta chinesa de criar uma organização global dedicada à cooperação em IA, enquanto ambos os países criticaram o uso da tecnologia como ferramenta geopolítica por nações que buscam preservar liderança tecnológica global.


A aproximação entre Moscou e Pequim ocorre em um momento de crescente preocupação internacional sobre o uso ofensivo de inteligência artificial em operações cibernéticas.


Recentemente, autoridades da Ucrânia alertaram que a Rússia passou a incorporar IA diretamente em malwares utilizados no contexto da guerra cibernética contra Kiev. Segundo os relatos, os códigos maliciosos seriam capazes de gerar comandos dinâmicos automaticamente durante ataques, aumentando a capacidade de adaptação e evasão das operações.


Paralelamente, documentos vazados analisados pela imprensa internacional indicaram que a China estaria utilizando plataformas secretas de treinamento cibernético para simular infraestruturas críticas de possíveis países adversários. Os sistemas reproduziriam redes elétricas, sistemas de transporte e comunicações para que equipes chinesas possam testar ataques virtuais em ambientes simulados antes de operações reais.


O fortalecimento dessa cooperação tecnológica entre China e Rússia pode gerar impactos relevantes no cenário global de cibersegurança, especialmente em temas ligados à soberania digital, padronização tecnológica, controle estatal da internet e desenvolvimento de capacidades ofensivas apoiadas por inteligência artificial.

 
 
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