China domina até 95% de minerais essenciais à fabricação de chips nos Estados Unidos

A indústria de semicondutores dos Estados Unidos depende de matérias-primas chinesas em proporções muito superiores às indicadas pelos dados de fornecimento direto. Um relatório da Semiconductor Industry Association (SIA) revela que, embora a China represente apenas 5% dos equipamentos e materiais adquiridos diretamente pelos fabricantes americanos, sua participação no fornecimento global de determinados minerais essenciais chega a 95%.
O levantamento aponta vulnerabilidades nas cadeias internacionais de suprimentos que sustentam a fabricação de chips, especialmente em etapas anteriores à aquisição dos equipamentos e materiais utilizados pelas empresas americanas.
Segundo a SIA, aproximadamente 95% dos quase US$ 27 bilhões gastos anualmente pela indústria americana de semicondutores em equipamentos e materiais são destinados a fornecedores sediados nos Estados Unidos, Europa e Japão.
Entretanto, quando os valores são analisados pelo país onde os produtos são efetivamente fabricados, essa participação cai para 68%.
A diferença ocorre porque fornecedores internacionais frequentemente dependem de instalações industriais e cadeias produtivas localizadas fora de seus países de origem.
Nesse cenário, a participação chinesa aumenta de aproximadamente 1%, considerando a sede dos fornecedores, para 5% quando analisado o local de fabricação. No Sudeste Asiático, a participação passa de menos de 1% para 10%.
Esses números consideram apenas os equipamentos e materiais adquiridos diretamente pelos fabricantes americanos, sem incluir matérias-primas e componentes utilizados nas etapas anteriores da cadeia produtiva.
China controla grande parte do fornecimento de minerais estratégicos
A dependência se torna mais significativa quando são analisados minerais utilizados na fabricação de semicondutores e equipamentos industriais.
De acordo com a SIA, a China concentra parcelas expressivas da oferta mundial de materiais considerados estratégicos:
Mineral | Participação chinesa na oferta global |
Gálio | 95% |
Tungstênio | 85% |
Neodímio e praseodímio | 95% |
Térbio | Aproximadamente 95% |
O gálio é utilizado na produção de semicondutores compostos, enquanto o tungstênio pode ser refinado para produzir substâncias químicas empregadas na deposição de filmes finos durante a fabricação de chips.
Já o neodímio, o praseodímio e o térbio são utilizados na fabricação de ímãs de alto desempenho, presentes em motores, robôs e sistemas de precisão integrados aos equipamentos de produção de semicondutores.
Esses materiais desempenham funções importantes na operação das máquinas industriais, mesmo quando não fazem parte diretamente dos chips produzidos.
A associação destaca que equipamentos e materiais necessários à fabricação de semicondutores nos Estados Unidos dependem de insumos vulneráveis, muitas vezes pouco visíveis nas etapas iniciais das cadeias globais de fornecimento.
Segundo o relatório, essa exposição amplia os riscos para o setor de semicondutores americano e para países parceiros.
Restrições chinesas ampliam preocupação com abastecimento
Pequim estabeleceu exigências de licenciamento para exportações de determinados produtos de gálio, tungstênio e materiais relacionados a sete elementos de terras raras médias e pesadas.
O governo chinês também anunciou, em outubro de 2025, um conjunto mais amplo de controles comerciais, mas suspendeu sua implementação até 10 de novembro de 2026. As exigências anteriores de licenciamento permaneceram em vigor.
Após a visita de Estado do presidente chinês Xi Jinping aos Estados Unidos, em setembro de 2026, a Casa Branca informou que os dois países continuavam negociando soluções para as preocupações americanas com a escassez de terras raras e outros minerais críticos.
O objetivo das conversas é restabelecer os fluxos de fornecimento desses materiais.
Apesar da flexibilização de algumas restrições, empresas americanas continuaram enfrentando dificuldades de abastecimento no início de 2026, conforme informações publicadas pelo South China Morning Post em março.
Diversificação de fornecedores pode levar mais de uma década
Diante dos riscos identificados, a SIA defende a formação de estoques estratégicos de materiais prioritários e o desenvolvimento de fontes alternativas de abastecimento em parceria com países aliados.
Entretanto, a substituição de fornecedores apresenta desafios industriais e tecnológicos.
Segundo a associação, a criação de capacidade produtiva para determinados materiais pode exigir dez anos ou mais. Após essa etapa, a qualificação de novos fornecedores e materiais para utilização na fabricação de semicondutores pode demandar outros três a quatro anos.
Esses prazos estão relacionados às exigências de qualidade, consistência e confiabilidade dos processos industriais utilizados na produção de chips.
O relatório indica que a diversificação da cadeia de suprimentos não depende apenas da localização das fábricas de semicondutores, mas também da disponibilidade de matérias-primas, componentes especializados e fornecedores qualificados nas etapas anteriores da produção.



