Brasileiro cria laboratório Linux gratuito no navegador para apoiar estudos em cibersegurança
- Cyber Security Brazil
- há 4 horas
- 3 min de leitura

Ramon Risuenho, consultor de cibersegurança especializado em Cloud Security, Security Operations e Google Cloud Platform, anunciou nesta semana a criação de um projeto educacional voltado a pessoas que desejam aprender comandos Linux, mas não possuem todos os recursos necessários para montar um ambiente virtualizado de estudos em casa.
A iniciativa foi desenvolvida com apoio de inteligência artificial e tem como objetivo facilitar o acesso ao aprendizado prático do terminal Linux, uma habilidade considerada essencial para quem atua ou deseja ingressar em áreas como segurança da informação, infraestrutura, cloud, DevOps, SOC e resposta a incidentes.
Segundo Ramon, o projeto foi pensado para ensinar os 30 comandos mais utilizados em ambientes Linux. A proposta inclui desde comandos básicos, usados para navegação no sistema de arquivos, cópia e manipulação de arquivos, até atividades um pouco mais avançadas, como leitura de arquivos de log e identificação de processos ocultos.
A principal diferença da iniciativa está no fato de o ambiente funcionar diretamente pelo navegador. Isso reduz a barreira de entrada para estudantes que não têm computador com boa capacidade de processamento, não conseguem configurar máquinas virtuais ou ainda não estão familiarizados com ferramentas como VirtualBox, VMware, WSL ou laboratórios em nuvem.

Em treinamentos de cibersegurança, o uso de ambientes Linux costuma ser uma etapa importante, mas também pode se tornar um obstáculo inicial. Muitos estudantes precisam instalar uma distribuição Linux, configurar uma máquina virtual, reservar memória e armazenamento, lidar com erros de rede ou permissões e, só depois disso, começar a praticar os comandos básicos. O projeto busca simplificar esse caminho ao oferecer uma experiência acessível diretamente no browser.
Além do aprendizado guiado, Ramon também implementou um pequeno CTF, sigla para Capture The Flag, um formato de desafio muito usado na comunidade de segurança cibernética. Nesse tipo de exercício, os participantes resolvem tarefas técnicas e encontram “flags”, que funcionam como provas de que determinada etapa foi concluída corretamente.
No contexto do projeto, o CTF serve como forma de incentivar a prática e transformar o estudo em uma experiência mais interativa. A abordagem pode beneficiar tanto iniciantes que ainda estão aprendendo a usar o terminal quanto profissionais que já conhecem Linux, mas estão há algum tempo sem praticar e querem recuperar familiaridade com os comandos.
Entre as funcionalidades destacadas estão a interface responsiva, o aprendizado guiado, o sistema de pontuação e a possibilidade de executar os exercícios diretamente pelo navegador. Esses elementos aproximam o projeto de uma experiência de laboratório educacional, com foco em simplicidade, prática e acessibilidade.
A interface responsiva permite que o conteúdo se adapte a diferentes tamanhos de tela, facilitando o acesso por computadores, notebooks e, dependendo da experiência oferecida, até dispositivos móveis. Já o sistema de pontuação adiciona um elemento de gamificação, ajudando o usuário a acompanhar sua evolução conforme avança pelos desafios.
A iniciativa também acompanha uma tendência maior no ensino de tecnologia: a criação de laboratórios práticos mais leves, acessíveis e orientados por desafios. Em cibersegurança, esse modelo é especialmente relevante, pois muitos conceitos só se tornam claros quando o aluno interage com comandos, arquivos, logs, permissões, processos e cenários próximos da prática real.
O domínio de comandos Linux é uma habilidade recorrente em diversas funções técnicas. Analistas de SOC usam o terminal para investigar logs e eventos. Profissionais de cloud interagem com servidores, containers e ferramentas de automação. Equipes de resposta a incidentes analisam processos, arquivos suspeitos e rastros de execução. Já estudantes de segurança ofensiva e defensiva dependem do Linux para trabalhar com ferramentas, scripts e ambientes de teste.
Embora o projeto tenha sido descrito como simples, ele atende a uma necessidade comum entre iniciantes: começar a praticar sem depender de infraestrutura complexa. Para quem está dando os primeiros passos, conseguir executar comandos básicos, entender a estrutura de diretórios, listar arquivos, ler conteúdos e observar processos já representa uma base importante para estudos mais avançados.
Ramon também abriu espaço para que usuários deixem feedbacks nos comentários, indicando que o projeto pode evoluir a partir da experiência da comunidade. Esse tipo de retorno pode ajudar a expandir os desafios, ajustar a dificuldade, incluir novos comandos e tornar o laboratório mais útil para diferentes níveis de conhecimento.
O projeto está disponível no link divulgado pelo próprio autor e foi apresentado como uma contribuição para democratizar o acesso ao aprendizado prático em Linux. Em um mercado que exige cada vez mais conhecimento técnico, iniciativas desse tipo ajudam a reduzir barreiras e aproximar novos profissionais de habilidades fundamentais para a área de tecnologia e cibersegurança.