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Brasil desenvolve “Escudo Quântico” para reforçar proteção de comunicações críticas

há 18 minutos
2 min de leitura

O Exército Brasileiro e o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI) assinaram um Memorando de Entendimento para cooperar no Projeto AURORA, iniciativa voltada ao desenvolvimento de capacidades nacionais em comunicação quântica e segurança da informação. O acordo foi firmado durante o IV Encontro Nacional de Tecnologias Quânticas para Defesa, realizado em Campinas (SP).


O AURORA, sigla para Arquitetura Unificada de Redes Optoeletrônicas de Resiliência Avançada, prevê a integração de competências militares, científicas e tecnológicas para pesquisar redes de comunicação mais resilientes e mecanismos de proteção de informações estratégicas. A iniciativa é tratada como um projeto de Estado diante da complexidade tecnológica envolvida.


No projeto, o Exército ficará responsável por uma frente de segurança cibernética denominada “Escudo Quântico”. Segundo as informações divulgadas, a proposta é desenvolver capacidades destinadas à proteção de comunicações estratégicas, dados da Defesa e infraestruturas críticas. O termo, porém, se refere a uma capacidade em desenvolvimento e não a um sistema já implantado e operacional.


A comunicação quântica utiliza propriedades da física quântica para estabelecer mecanismos adicionais de proteção durante a troca de informações. Uma das tecnologias associadas é a Distribuição Quântica de Chaves, ou QKD, na qual determinadas interferências no canal usado para distribuir chaves criptográficas podem ser detectadas. Isso não elimina a necessidade de controles convencionais de cibersegurança em equipamentos, aplicações, identidades e redes.


Entre as etapas previstas para o AURORA estão enlaces de comunicação quântica entre Campinas e São Paulo e entre Recife e João Pessoa. A intenção é utilizar esses corredores para desenvolver, testar e validar tecnologias relacionadas à transmissão, gerenciamento e proteção de informações em redes quânticas.


O projeto também está relacionado ao avanço da computação quântica, que no futuro poderá afetar alguns dos algoritmos criptográficos atualmente utilizados para proteger dados. Esse cenário tem estimulado pesquisas tanto em comunicação quântica quanto em criptografia pós-quântica, com o objetivo de preparar sistemas para novas capacidades computacionais.


O IV Encontro Nacional de Tecnologias Quânticas para Defesa reuniu representantes do governo, Forças Armadas, universidades, instituições de pesquisa e setor tecnológico. A programação abordou comunicações quânticas, políticas e estratégias para o setor, financiamento de pesquisa, indústria, perspectivas para Tecnologia da Informação e Comunicação e participação da academia.


Entre as instituições representadas estavam MCTI, Ministério das Relações Exteriores, GSI, Ministério das Comunicações, Finep, Fapesp, Anatel, Marinha, Força Aérea, CPQD, Instituto Eldorado e diferentes universidades e centros de pesquisa. O objetivo é aproximar pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e necessidades operacionais para ampliar a capacidade nacional nessa área.


O Memorando de Entendimento formaliza a cooperação entre Exército e CTI Renato Archer, mas ainda representa uma etapa de desenvolvimento e pesquisa. Cronogramas completos de implantação, escala operacional e características finais do chamado Escudo Quântico não foram detalhados nas informações oficiais divulgadas até agora.

 
 
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