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Ataques cibernéticos e sabotagens ligados à Rússia custam até US$ 3,3 bilhões por ano ao Reino Unido

há 2 horas
3 min de leitura

Ataques cibernéticos, sabotagens e ameaças à infraestrutura crítica associados à Rússia geram prejuízos estimados entre 2 bilhões e 2,5 bilhões de libras (US$ 2,6 bilhões a US$ 3,3 bilhões) por ano ao Reino Unido. Apesar do impacto econômico, o governo britânico ainda não possui mecanismos oficiais para calcular os custos dessas atividades.


A estimativa foi apresentada no relatório The Putin Tax (O Imposto de Putin), publicado em 7 de outubro pelo parlamentar trabalhista Graeme Downie e pelo pesquisador Dominic Reed. O documento aponta que os valores representam uma estimativa mínima e que os prejuízos reais podem ser maiores.


Os autores reconhecem limitações metodológicas nos cálculos, mas destacam que a principal preocupação é a ausência de avaliações oficiais. Segundo o relatório, essa lacuna dificulta a comparação entre os prejuízos provocados por atividades hostis e os investimentos necessários para proteger empresas, serviços públicos e infraestruturas estratégicas.


Para identificar essa deficiência, Downie encaminhou questionamentos parlamentares a diferentes departamentos governamentais. As respostas indicaram que os ministérios não possuíam estimativas consolidadas sobre o impacto econômico de incidentes associados ao Kremlin.


Entre os exemplos estão dois ataques de ransomware contra organizações britânicas: um direcionado à Advanced, fornecedora de software do Serviço Nacional de Saúde (NHS), e outro contra a Royal Mail, responsável pelos serviços postais do país.


Os ataques foram associados a um grupo criminoso que, segundo o relatório, operaria com consentimento tácito do Kremlin e, em determinadas circunstâncias, manteria conexões com a inteligência russa. Entretanto, não foram realizadas avaliações governamentais específicas sobre os custos desses incidentes.


O documento também menciona o ataque cibernético de agosto de 2025 contra a Jaguar Land Rover, cujo impacto econômico foi estimado em aproximadamente US$ 2,5 bilhões. Apesar de sua inclusão na análise, o governo britânico não atribuiu formalmente o incidente a hackers vinculados à Rússia.


Outro episódio citado ocorreu em 2024, quando um incêndio criminoso atingiu um armazém em Londres. Segundo as autoridades, a ação foi ordenada pelo Grupo Wagner, organização paramilitar russa.


Como os prejuízos foram calculados

A maior parcela da estimativa apresentada no relatório considera que a Rússia seria responsável por aproximadamente 10% dos 14,7 bilhões de libras (US$ 19,3 bilhões) que o cibercrime custa anualmente às empresas britânicas.


Essa proporção resultaria em aproximadamente 1,47 bilhão de libras em prejuízos anuais, embora os autores reconheçam que o percentual utilizado não decorre de uma atribuição precisa dos ataques.


Outros componentes do cálculo incluem possíveis perdas relacionadas a ameaças contra cabos submarinos de comunicação e outras infraestruturas críticas. Esses valores também foram obtidos por modelos de estimativa, e não por registros públicos completos de incidentes.


A pesquisa ressalta que a ausência de dados consolidados impede uma avaliação precisa das consequências financeiras de operações cibernéticas, sabotagens e outras atividades atribuídas a Estados estrangeiros.


Falta de transparência dificulta investimentos em segurança

A preocupação apresentada no relatório também foi levantada pelo general Sir Jim Hockenhull, ex-chefe da Inteligência de Defesa britânica, durante entrevista ao Recorded Future News.


Segundo Hockenhull, o Reino Unido enfrenta dificuldades para demonstrar à população a necessidade de ampliar investimentos em segurança nacional porque parte significativa das informações utilizadas para justificar essas medidas permanece classificada.


O ex-chefe de inteligência argumentou que manter as evidências restritas a autoridades e dirigentes políticos significa solicitar confiança pública sem apresentar informações suficientes para fundamentar as decisões.


Ele também defendeu uma atuação coordenada entre governo e sociedade para explicar os riscos associados às ameaças externas. Na avaliação do militar, alertas genéricos sobre possíveis conflitos não são suficientes para justificar investimentos que competem com áreas como saúde e educação.


Relatório recomenda avaliações econômicas anuais

Entre as principais recomendações, Downie propõe que o governo britânico publique avaliações anuais sobre os impactos econômicos de atividades hostis conduzidas por Estados estrangeiros.


O documento também sugere que o Centro Nacional de Segurança Cibernética (NCSC) inclua estimativas financeiras em seus relatórios de atribuição de ataques.


Outra proposta prevê que o Ministério da Defesa desenvolva uma metodologia para calcular os custos de sabotagens e outras operações físicas hostis.


Os autores ainda recomendam uma campanha nacional de conscientização sobre ameaças patrocinadas por Estados e resiliência cibernética, buscando ampliar a compreensão pública dos riscos.


Para Downie, o principal desafio deixou de ser demonstrar a existência dessas atividades e passou a ser estabelecer mecanismos capazes de mensurar seus impactos econômicos.


Governo britânico destaca medidas contra atividades russas

Em resposta ao relatório, um porta-voz do governo britânico classificou os ataques híbridos atribuídos à Rússia como inaceitáveis e afirmou que o país já adotou medidas para combater essas operações.


Entre as iniciativas mencionadas estão a expulsão de agentes de inteligência russos, sanções contra a GRU, serviço de inteligência militar da Rússia, e ações contra redes financeiras ilícitas.


O governo também destacou esforços para interromper atividades de grupos criminosos que atuariam como intermediários de interesses russos.

Por fim, o representante reafirmou o

 
 
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