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Apple acusa ex-funcionário de explorar zero-day e roubar arquivos após entrar na OpenAI


A Apple acusa um ex-funcionário de explorar uma vulnerabilidade de autenticação até então desconhecida para continuar acessando sua rede interna e baixar dezenas de arquivos confidenciais semanas depois de deixar a empresa para trabalhar na OpenAI.


As alegações fazem parte de uma ação judicial apresentada em 10 de julho de 2026 no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia. O processo acusa a OpenAI, empresas relacionadas e antigos profissionais da Apple de apropriação indevida de segredos comerciais e violações contratuais ligadas ao desenvolvimento de produtos de hardware.


O principal envolvido neste episódio é Chang Liu, descrito pela Apple como um engenheiro elétrico de sistemas que teve acesso a informações relacionadas a produtos ainda não lançados, especificações técnicas, apresentações de engenharia e dados internos de projetos.


Segundo a denúncia, Liu encontrou uma “vulnerabilidade de autenticação rara e anteriormente desconhecida” que permitia acessar um repositório de arquivos da Apple mesmo depois do encerramento de seu vínculo empregatício.


Como a falha ainda não era conhecida pela equipe responsável pela segurança do ambiente, a Apple não teria tido a oportunidade de corrigi-la antes do suposto uso indevido. Essa característica levou o problema a ser descrito como uma vulnerabilidade zero-day, embora a companhia não tenha divulgado detalhes técnicos suficientes para determinar sua causa ou funcionamento.


A Apple afirma que corrigiu o erro e encerrou o acesso de Liu assim que identificou a violação de segurança. Uma análise dos registros dos servidores teria indicado que um pequeno número de outras pessoas poderia potencialmente acessar o ambiente por meio da mesma falha, mas que somente Liu teria usado a vulnerabilidade para obter documentos após deixar a empresa.


As declarações estão registradas em uma denúncia judicial e ainda precisam ser avaliadas pelo tribunal. Até o momento, não houve uma decisão que confirme a responsabilidade dos réus ou estabeleça que a OpenAI utilizou informações obtidas de forma indevida.


A Apple alega que Liu acessou dezenas de arquivos confidenciais relacionados a hardware durante várias semanas, quando já havia começado a trabalhar na OpenAI. Os documentos conteriam informações detalhadas sobre produtos ainda não anunciados, apresentações internas, especificações técnicas e dados proprietários de projetos.


De acordo com o processo, o ex-engenheiro tentou acessar, em fevereiro de 2026, um sistema de armazenamento em nuvem usado pela Apple para guardar arquivos de engenharia, documentação de projetos e outras informações sigilosas.


Ao descobrir que ainda conseguia entrar no repositório, Liu teria enviado uma mensagem à então funcionária da Apple Yu-Ting Peng afirmando, em tradução livre, que havia descoberto ser capaz de acessar o armazenamento de rede e que considerava a situação engraçada.


A Apple também acusa Liu de não comunicar a vulnerabilidade, apesar de suas supostas obrigações contratuais, e de não apagar o programa utilizado para entrar no ambiente interno. A empresa não identificou publicamente qual software possibilitava o acesso.


Ferramentas corporativas como VPNs, aplicações de acesso remoto e agentes de autenticação são frequentemente utilizadas para permitir que funcionários trabalhem fora dos escritórios. Caso dispositivos, certificados, sessões ou credenciais associados a essas ferramentas não sejam devidamente revogados durante o desligamento, eles podem manter caminhos de acesso aos sistemas internos.


A companhia não esclareceu se a vulnerabilidade estava diretamente relacionada às credenciais de Liu, a tokens ou certificados ainda válidos, a uma falha no aplicativo utilizado ou a uma configuração incorreta de permissões.


Outro ponto apresentado pela Apple é que Liu não teria devolvido o notebook corporativo usado durante seu período na empresa. Segundo a denúncia, o dispositivo havia sido configurado para enviar e receber arquivos dos sistemas internos.


Ao ser questionado, o engenheiro teria afirmado que possuía “outro computador”. A Apple sustenta que ele manteve o equipamento e o utilizou para acessar informações confidenciais quando já trabalhava para a OpenAI.


O processo também afirma que Liu utilizou o notebook corporativo de Yu-Ting Peng enquanto ela ainda estava contratada pela Apple e ele já havia deixado a companhia. Peng posteriormente também passou a trabalhar na OpenAI.


Essas alegações ampliam o incidente para além de uma vulnerabilidade isolada. Caso sejam confirmadas, indicariam uma combinação de falha técnica, permanência indevida de um equipamento corporativo e uso das permissões de uma funcionária que ainda possuía acesso legítimo.


A Apple não informou publicamente quando as credenciais de Liu foram desativadas, por quanto tempo o notebook permaneceu fora de seu controle ou se o dispositivo estava submetido a ferramentas de gerenciamento remoto capazes de bloqueá-lo ou apagar seus dados.


O caso destaca os riscos associados à gestão de identidade e acesso durante a saída de funcionários. O processo, normalmente chamado de offboarding, deve assegurar que contas, sessões, tokens, certificados digitais, chaves, acessos remotos e permissões em aplicações sejam revogados no momento adequado.


Também é necessário recuperar notebooks, smartphones, cartões de acesso e outros equipamentos fornecidos pela empresa. A simples desativação da conta principal pode não ser suficiente caso existam credenciais armazenadas, sessões persistentes, identidades em ambientes de nuvem ou aplicações que não estejam integradas ao sistema central de gestão de acessos.


Em organizações com grandes volumes de dados confidenciais, um desligamento incompleto pode permitir que ex-funcionários continuem acessando repositórios, códigos-fonte, documentos de projetos, mensagens internas e informações comerciais.


Controles de prevenção contra perda de dados, conhecidos como DLP, também podem ajudar a identificar downloads atípicos, transferências em massa ou movimentações de arquivos realizadas pouco antes ou depois de uma mudança no vínculo do usuário.


A análise contínua de comportamento é igualmente relevante. Mesmo quando um acesso utiliza credenciais legítimas, uma tentativa feita a partir de um dispositivo, horário ou volume de dados incomum pode indicar abuso de privilégios ou comprometimento da conta.


A ação vai além da conduta atribuída a Liu. A Apple acusa a OpenAI de tentar obter informações proprietárias durante o recrutamento de antigos funcionários e de usar conhecimentos confidenciais para apoiar seus projetos de hardware de consumo.


A denúncia também menciona Tang Yew Tan e a io Products, empresa associada ao desenvolvimento de dispositivos de inteligência artificial. Segundo reportagens sobre o processo, a Apple sustenta que candidatos teriam sido incentivados a levar materiais internos, desenhos técnicos ou amostras de componentes para entrevistas.


A OpenAI rejeitou as acusações e declarou não ter interesse nos segredos comerciais de outras empresas. A organização também contesta a existência de evidências que demonstrem uma apropriação sistemática de informações confidenciais da Apple.


A disputa surge enquanto a OpenAI amplia seus investimentos em dispositivos físicos e contrata profissionais com experiência em design, engenharia e fabricação de produtos eletrônicos. A Apple busca um julgamento por júri e poderá tentar obter, durante a fase de produção de provas, documentos e comunicações internas relacionadas às contratações e aos projetos de hardware.


Mesmo que o processo não comprove participação direta da OpenAI na exploração da vulnerabilidade, o caso pode gerar discussões sobre como empresas devem tratar informações trazidas por profissionais contratados de concorrentes.


Programas de compliance normalmente exigem que novos funcionários não transfiram documentos, códigos, projetos ou outros materiais pertencentes a antigos empregadores. Empresas também podem restringir o envolvimento desses profissionais em atividades diretamente relacionadas a projetos confidenciais nos quais trabalharam anteriormente.


A Apple informou no processo que a vulnerabilidade de autenticação foi corrigida após a descoberta do incidente. A companhia, entretanto, não divulgou quando o problema foi eliminado, quais sistemas estavam expostos ou se a falha poderia ser explorada por alguém sem acesso anterior à empresa.


Também não está claro se a vulnerabilidade afetava apenas o repositório acessado por Liu ou se poderia alcançar outras partes da infraestrutura corporativa.


A ausência de detalhes reduz a capacidade de pesquisadores externos avaliarem a gravidade técnica do problema. Ainda assim, a descrição do processo indica que a falha permitia a um ex-funcionário ultrapassar controles que deveriam impedir o acesso após seu desligamento.


O incidente não envolve, segundo as informações divulgadas, dados de clientes da Apple. Os documentos supostamente acessados estavam relacionados a engenharia, hardware e projetos internos.


O processo pode começar a avançar ainda em 2026, mas sua duração dependerá das respostas dos réus, de possíveis pedidos de arquivamento, da coleta de provas e de eventuais negociações entre as partes.

 
 
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