Anthropic destina mais de € 170 milhões para estudar impacto da IA no emprego
- Cyber Security Brazil
- 9 de jul.
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Movimento da desenvolvedora do Claude mostra que a discussão já não gira apenas em torno da tecnologia, mas de seus efeitos sobre carreiras, produtividade e qualificação profissional
A Anthropic, uma das principais empresas de inteligência artificial do mundo, anunciou um investimento superior a € 170 milhões (US$ 200 milhões) para financiar pesquisas sobre os impactos da IA no mercado de trabalho e na economia. O anúncio indica que o foco das grandes empresas do setor começa a migrar da capacidade de criar modelos para a capacidade de medir seus impactos e orientar sua adoção em larga escala.
A iniciativa da criadora do Claude, um modelo de inteligência artificial generativa, mostra que a próxima disputa da IA não será apenas tecnológica, mas também econômica e social: quem ganhará produtividade, quais profissões serão redesenhadas e como as empresas organizarão suas equipes.
"A discussão não é mais se a IA vai transformar o trabalho, mas em que velocidade isso acontecerá e como empresas e profissionais conseguirão acompanhar essa mudança. A tecnologia já faz parte da rotina de milhares de pessoas, e o impacto só tende a aumentar", afirma Márcio Monson, especialista em IA e CEO da Selecty, plataforma de recrutamento e seleção digital.
Para o executivo, não faz mais sentido tratar a IA como uma tendência futura, mas como um fator que já se tornou uma realidade corporativa e está alterando a lógica de contratação, desempenho e geração de valor dentro das organizações.
"A inteligência artificial inaugura uma mudança comparável à revolução industrial ou à internet. Ela não cria apenas uma nova ferramenta; ela redefine a forma como o conhecimento é produzido, distribuído e utilizado. O trabalho intelectual, que durante décadas parecia protegido das grandes revoluções tecnológicas, passou a ser diretamente impactado."
Na avaliação do executivo, a transformação altera a relação entre tempo e resultado. "Profissionais conseguem multiplicar sua capacidade de execução sem aumentar a jornada de trabalho. A diferença entre quem utiliza IA de forma estratégica e quem ainda trabalha pelos métodos tradicionais tende a crescer rapidamente. Não estamos falando de pequenos ganhos de eficiência, mas de uma nova escala de produtividade."
Essa tendência, segundo Monson, começa a mudar, inclusive, a forma como as empresas avaliam talentos. "Durante muito tempo, contratava-se pelo acúmulo de conhecimento técnico. Agora, ganha espaço quem sabe formular boas perguntas, validar respostas, interpretar cenários e tomar decisões. A IA entrega velocidade; o julgamento continua sendo humano. E é justamente essa combinação que passa a definir os profissionais mais valiosos."
Contudo, para Monson, as profissões não desaparecem de uma vez. Elas mudam por dentro, o cargo continua existindo, mas as atividades, as competências exigidas e a produtividade esperada deixam de ser as mesmas.
Áreas como marketing, recursos humanos, jurídico, tecnologia, atendimento, vendas e finanças já incorporam ferramentas capazes de automatizar etapas de pesquisa, produção de conteúdo, análise de informações e apoio à tomada de decisão. O efeito, segundo ele, é uma reorganização natural das equipes. "As empresas não buscarão necessariamente ter menos pessoas, mas equipes formadas por profissionais capazes de gerar muito mais valor com o apoio da tecnologia. O critério passa a incluir adaptabilidade, e a velocidade com que alguém aprende pode valer mais do que aquilo que já sabe."
Na visão do CEO da Selecty, o maior risco para empresas e profissionais não é a chegada da inteligência artificial, mas a demora em incorporá-la à rotina. "Existe um custo invisível para quem adia essa adaptação. Enquanto algumas organizações discutem se devem adotar IA, outras já estão reduzindo ciclos de projetos, acelerando decisões e aumentando a produtividade. A distância entre esses dois grupos tende a crescer muito mais rápido do que ocorreu em outras revoluções tecnológicas."
Para ele, o investimento da Anthropic mostra que até quem lidera o desenvolvimento da tecnologia reconhece que os maiores desafios deixaram de ser apenas técnicos. "Os modelos continuarão evoluindo, isso é inevitável. A grande incógnita agora é a velocidade com que pessoas, empresas e sistemas educacionais conseguirão acompanhar essa transformação. No fim, a vantagem competitiva não será de quem tiver acesso à melhor inteligência artificial, mas de quem aprender mais rápido a trabalhar com ela".