top of page

73% das empresas admitem não estar preparadas para enfrentar um grande ataque cibernético, aponta relatório


Apesar de a maioria das organizações já possuir planos de resposta a incidentes, ferramentas de segurança e equipes especializadas, 73% reconhecem que não estariam totalmente preparadas para lidar com um grande ataque cibernético caso ele ocorresse hoje. A conclusão faz parte do relatório The State of Incident Response Readiness 2026, baseado em uma pesquisa realizada com 600 executivos de segurança da informação.


O estudo revela uma diferença significativa entre possuir recursos de resposta a incidentes e conseguir utilizá-los de forma coordenada durante uma crise. Além disso, 76% das organizações afirmaram ter sofrido pelo menos um ataque cibernético nos últimos 12 meses, enquanto 32% enfrentaram mais de um incidente no período.


Segundo o relatório, a resposta a incidentes deixou de ser apenas uma atividade técnica. Hoje, ela envolve gestão de crise, equipes executivas, departamentos jurídicos, comunicação, investigações forenses, recuperação de ambientes e monitoramento pós-incidente.


Mesmo assim, menos de 40% dos entrevistados classificaram como "altamente eficazes" componentes essenciais da resposta, como planos documentados, exercícios de simulação (tabletop), threat hunting, perícia digital e monitoramento contínuo.


Falta de coordenação atrasa decisões


A pesquisa aponta que o maior desafio não está na ausência de ferramentas, mas na dificuldade de coordenar diferentes áreas durante um incidente.


Cerca de 90% das organizações esperam enfrentar dificuldades para alinhar todas as partes envolvidas em um ataque relevante. Além disso, 75% afirmam que atrasos na participação das equipes jurídica e de comunicação comprometem a tomada de decisões.


Outro dado preocupante é que 89% dos entrevistados consideram insuficiente o envolvimento da alta direção e dos conselhos administrativos na preparação e nas decisões relacionadas à resposta a incidentes.


Na prática, isso faz com que as equipes técnicas iniciem a contenção do ataque enquanto executivos aguardam atualizações antes de aprovar medidas críticas, departamentos jurídicos entram tardiamente na discussão e decisões sobre comunicação com clientes ou divulgação do incidente acabam sendo postergadas.


Falta de visibilidade favorece novos ataques


O levantamento também mostra que muitas empresas ainda possuem pontos cegos em seus ambientes de TI.


Segundo a pesquisa, 78% acreditam que a falta de visibilidade permite que invasores mantenham acesso persistente aos sistemas, aumentando o risco de novos incidentes.


Esses pontos cegos podem envolver infraestruturas locais, ambientes em nuvem, dispositivos, plataformas SaaS, sistemas de identidade e até ambientes de tecnologia operacional (OT).


Sem essa visibilidade, torna-se mais difícil responder perguntas fundamentais durante uma investigação, como o ponto inicial da invasão, quais sistemas foram comprometidos, se houve movimentação lateral, se contas privilegiadas foram afetadas ou se todos os mecanismos de persistência foram realmente eliminados.


Ambientes industriais elevam o risco operacional


Outra preocupação crescente envolve ataques que transitam entre ambientes corporativos e sistemas industriais.


Segundo o estudo, 84% das organizações demonstram preocupação com a possibilidade de invasores migrarem dos ambientes tradicionais de TI para infraestruturas de tecnologia operacional (OT) e sistemas de controle industrial (ICS).


Esse cenário preocupa especialmente setores como indústria, energia, saúde, transporte e infraestrutura crítica, onde um ataque pode interromper operações físicas, comprometer a segurança de processos e ampliar significativamente o tempo de recuperação.


Impactos financeiros continuam aumentando


Os ataques registrados nos últimos doze meses provocaram consequências diretas para as empresas, incluindo paralisação de operações, perda de dados, danos à reputação, redução da base de clientes, perda de receita e impactos sobre a liderança executiva.


O relatório também identificou diferenças entre setores. Empresas de varejo registraram mais interrupções operacionais e perdas financeiras. Organizações industriais e do setor financeiro sofreram mais com perda de dados, enquanto empresas de criptomoedas e finanças descentralizadas apresentaram a maior incidência de ataques. Já instituições privadas de saúde demonstraram maior preocupação com atrasos envolvendo áreas jurídica e de comunicação.


Regionalmente, a América do Norte registrou o maior número de ataques. Na região Ásia-Pacífico (APAC), os incidentes geraram mais perdas de dados, danos reputacionais e perda de clientes. Na Europa, embora a frequência tenha sido menor, os ataques apresentaram maior impacto financeiro.


Ransomware e ataques à nuvem lideram preocupações


Entre as ameaças futuras, o ransomware permanece como a principal preocupação das organizações, seguido pelos ataques contra ambientes em nuvem.


O estudo destaca, porém, que o cenário atual é marcado por múltiplos vetores de ataque, incluindo comprometimento de identidades, riscos de terceiros, ataques assistidos por inteligência artificial e campanhas que se movimentam entre ambientes híbridos de TI e OT.


IA fortalece a resposta, mas não substitui processos


A adoção de inteligência artificial para detecção de ameaças e resposta a incidentes continua crescendo.


Quase um terço das organizações afirma utilizar IA de forma ampla nessas atividades, contra 25% no ano anterior. Para 2027, 63% esperam que essas tecnologias estejam presentes na maior parte dos processos de resposta.


Segundo o relatório, empresas que utilizam IA de forma mais madura tendem a avaliar suas capacidades de resposta como mais eficazes. Ainda assim, a tecnologia não substitui governança, processos bem definidos, visibilidade dos ambientes e coordenação entre equipes.


Empresas reavaliam fornecedores de resposta a incidentes


Outro resultado do levantamento mostra que muitas organizações pretendem trocar seus fornecedores de resposta a incidentes e serviços de Managed Detection and Response (MDR) ao término dos contratos atuais.


Entre os principais motivos estão a busca por suporte preventivo mais robusto, maior cobertura entre ambientes de TI, OT e nuvem, especialistas mais experientes em incidentes complexos, melhor visibilidade de ambientes híbridos e respostas mais rápidas durante investigações críticas.


O relatório também alerta para os riscos de depender exclusivamente de um único ecossistema tecnológico, o que pode limitar a capacidade de investigação quando o incidente envolve múltiplas plataformas.


Como recomendações, os pesquisadores destacam a necessidade de definir previamente responsabilidades entre áreas técnicas e executivas, realizar exercícios conjuntos de simulação, validar continuamente a visibilidade dos ambientes críticos, utilizar IA como apoio aos processos de resposta e avaliar regularmente a capacidade das equipes internas e dos parceiros especializados.


Segundo o estudo, a principal conclusão é que a maturidade em resposta a incidentes depende menos da quantidade de ferramentas disponíveis e mais da capacidade de executar processos testados, com responsabilidades claras, boa coordenação e visibilidade completa da infraestrutura.

 
 
01.png
Cópia de Cyber Security Brazil_edited.jpg

Cyber Security Brazil desde 2021, atuamos como referência nacional em segurança digital, oferecendo informação confiável, conteúdo especializado e fortalecendo o ecossistema de cibersegurança no Brasil.

Institucional

(11) 93937-9007

INSCREVA SEU EMAIL PARA RECEBER

ATUALIZAÇÕES, POSTS E NOVIDADES

  • RSS
  • Instagram
  • LinkedIn

© 2025 Todos os direitos reservados a Cyber Security Brazil

bottom of page