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  • Mesmo os jogos mais inocentes geram dados

    Debate sobre Pokémon GO reacende discussão sobre como apps transformam interação em inteligência artificial Recentemente está sendo propagado um tema que levantou uma provocação incômoda. E se, ao jogar, milhões de pessoas estivessem contribuindo, sem perceber, para a construção de sistemas de inteligência artificial em escala global? A narrativa, centrada no Pokémon GO, pode exagerar em alguns pontos, mas toca em uma discussão real e cada vez mais presente na economia digital.   Lançado em 2016 pela Niantic, o jogo se tornou um fenômeno global ao combinar geolocalização, realidade aumentada e interação com o espaço urbano. O que passou quase despercebido naquele momento foi o valor dos dados gerados pelos próprios usuários durante essa experiência. Fotos, localização, deslocamento e, mais recentemente, escaneamentos em 3D de ambientes passaram a alimentar um ecossistema que vai muito além do entretenimento.   Esse tipo de lógica não se limita ao jogo. Plataformas digitais funcionam, em grande parte, a partir de conteúdo gerado pelo usuário, o chamado UGC. Nos termos de uso, empresas costumam estabelecer licenças amplas para utilizar esses dados. Trata-se de uma prática comum e juridicamente respaldada. No caso da Niantic, documentos públicos mostram que conteúdos capturados dentro do aplicativo podem ser usados para aprimorar serviços e tecnologias de realidade aumentada.   Nos últimos meses, essa estratégia ficou ainda mais evidente. A Niantic anunciou a venda de sua divisão de jogos por cerca de US$ 3,5 bilhões e passou a direcionar esforços para inteligência artificial geoespacial, com foco no desenvolvimento de sistemas capazes de interpretar o mundo físico a partir de dados acumulados ao longo dos anos. Esse volume inclui mais de 48 bilhões de quilômetros percorridos por usuários em seus aplicativos, uma base que ajuda a alimentar tecnologias cada vez mais sofisticadas de leitura espacial.   O avanço acompanha uma transformação mais ampla da indústria. De acordo com a consultoria McKinsey & Company, mais de 55% das empresas já utilizam inteligência artificial em alguma etapa de suas operações, impulsionadas principalmente pela disponibilidade de dados e pela evolução dos modelos.   Para Nathan Ximenes, diretor criativo e estrategista de comunicação digital, fundador da NTX Group, o ponto central não está em um aplicativo específico, mas no modelo que ganhou força na última década. “Hoje, praticamente toda experiência digital também gera dados. Isso não significa, por si só, exploração, mas pede mais consciência. O usuário deixou de ser apenas consumidor e passou a participar ativamente da construção dessas tecnologias”, afirma.   A lógica por trás disso passa pela gamificação, que transforma tarefas em experiências envolventes. Aplicativos de mobilidade, redes sociais e plataformas baseadas em localização utilizam esse recurso para incentivar participação contínua. Em troca, oferecem conveniência, entretenimento ou sensação de pertencimento.   No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais trouxe limites importantes para esse tipo de prática, ao exigir transparência sobre coleta e uso de dados. Ainda assim, o desafio continua sendo tornar essa informação compreensível. Em muitos casos, o consentimento existe no papel, mas não necessariamente na percepção do usuário.   Para Lucas Paglia, a discussão não é apenas jurídica, mas também de comunicação. “A LGPD estabelece princípios importantes, como transparência e finalidade, mas ainda existe um distanciamento entre o que está escrito e o que o usuário de fato entende. Termos longos e técnicos acabam criando uma sensação de consentimento que nem sempre é plenamente informado”, explica.   Para Marco Giroto, fundador da SuperGeeks, rede de escolas de tecnologia especializada em competências para o futuro para crianças e adolescentes, o tema ganha ainda mais peso quando envolve as novas gerações. “Crianças e adolescentes já crescem interagindo com sistemas que coletam e processam dados o tempo todo. Mais do que usar tecnologia, é importante entender como ela funciona, quais dados estão sendo gerados e o que isso representa no futuro”, diz.   A inteligência artificial avança apoiada nesse tipo de informação. Ambientes físicos, padrões de comportamento e interações humanas se tornaram insumos valiosos para o desenvolvimento de novas soluções, especialmente em áreas como realidade aumentada, mobilidade e automação.   O caso do Pokémon GO ajuda a ilustrar essa transformação. Um jogo que começou como entretenimento acabou contribuindo para a construção de uma nova camada tecnológica, baseada na relação direta entre comportamento humano e dados.   No fim, a discussão não passa por abandonar essas plataformas, mas por compreender melhor o que está por trás delas. Em um ambiente em que dados se tornaram ativos estratégicos, usar tecnologia também significa, cada vez mais, participar da construção dela.

  • Após investimento de R$ 60 milhões, UOL EdTech unifica plataforma de desempenho de aprendizagem em nova fase estratégica

    A partir de agora, a Qulture Rocks integra as tecnologias da Learning Rocks e Ciatech, consolidando uma proposta de ecossistema completo e inédito para desenvolvimento, capacitação e performance nas empresas Após investir cerca de R$ 60 milhões nos últimos dois anos em evolução tecnológica e integração de sistemas, o UOL EdTech , maior empresa de tecnologia para educação digital do país, anuncia uma nova fase estratégica para sua unidade de negócio b2b, ao unificar as plataformas da Qulture Rocks, Learning Rocks e Ciatech . A partir de agora, a Qulture Rocks passa a ser a marca que concentra todas as soluções, incorporando todas as tecnologias em uma única plataforma voltada ao desenvolvimento, capacitação e performance nas organizações. A iniciativa marca a construção de uma plataforma capaz de integrar diagnóstico organizacional, desenvolvimento de talentos e educação corporativa em uma mesma jornada dentro das empresas, apoiada por soluções de consultoria que ajudam a transformar dados e estratégia em evolução contínua das equipes. O projeto reúne mais de 25 anos de experiência em desenvolvimento corporativo. Nos últimos dois anos, o investimento anunciado teve como foco o aprimoramento da arquitetura tecnológica, a integração entre sistemas e o desenvolvimento de funcionalidades baseadas em Inteligência Artificial, preparando as plataformas para operar de forma mais conectada e orientada por dados. Atualmente, a Qulture Rocks atende mais de 1.500 empresas, em setores como varejo, financeiro e saúde. Com a consolidação das soluções no novo portfólio, o grupo projeta alcançar R$ 200 milhões de faturamento em 2026, crescimento de cerca de 30% em relação a 2025. Segundo Alex Augusto, CEO do UOL EdTech, a integração faz parte de uma estratégia iniciada com a aquisição da Qulture Rocks pelo grupo em 2022. “ Quando adquirimos a Qulture Rocks, identificamos o potencial de construir um ecossistema capaz de acompanhar toda a jornada de desenvolvimento das pessoas dentro das organizações. Ao analisar o mercado, percebemos que muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para conectar avaliação de desempenho e programas de treinamento, duas frentes que historicamente evoluíram de forma separada. Realizamos pesquisas de mercado e conversamos com diversos executivos antes de iniciar esse movimento ”, afirma. Esse cenário é refletido em dados do Report Qulture Rocks 2026 , estudo sobre o mercado de tecnologia para gestão de pessoas no Brasil. Segundo o levantamento, 72% das empresas ainda não conseguem medir o impacto da aprendizagem no desempenho do negócio. Além disso, 60% relatam falta de integração entre ferramentas de RH, enquanto 43% lidam com dados fragmentados em diferentes sistemas. “ A área de recursos humanos vive uma transição importante, em que o desenvolvimento de pessoas precisa estar cada vez mais conectado à estratégia das empresas. Nosso objetivo com essa evolução da plataforma é ajudar as organizações a integrar desempenho, aprendizagem e dados em uma mesma jornada ”, destaca Alex. Com a consolidação das soluções, a Qulture Rocks passa a estruturar sua plataforma em quatro frentes: diagnóstico organizacional, desenvolvimento de talentos, educação corporativa e consultoria especializada. O portfólio reúne ferramentas de gestão de desempenho e People Analytics, além de ambientes de aprendizagem e programas educacionais alinhados às prioridades estratégicas das empresas. A nova etapa também vem acompanhada de um processo de rebranding, que reforça o reposicionamento da marca e a construção de um ecossistema voltado ao desenvolvimento contínuo dentro das organizações. A nova identidade passa a ser guiada pelo conceito “Curiosidade é nossa cultura” , que expressa a crença de que aprendizado e evolução profissional começam pela capacidade de questionar, explorar novas possibilidades e aprender continuamente.

  • APIs se tornam a principal superfície de ataque à medida que campanhas coordenadas crescem na América Latina

    Relatório da Akamai mostra um aumento de 113% em ataques diários a APIs e crescimento de 104% em ataques DDoS na camada de aplicação, onde os usuários interagem diretamente com serviços digitais As ameaças contra WAF e APIs na América Latina cresceram 70% ano a ano em 2025, refletindo o avanço da transformação digital e a maior exposição de sistemas críticos em toda a região. Esses números vêm do novo relatório State of the Internet (SOTI) divulgado pela Akamai Technologies e apontam para uma mudança no modelo de ataques. Em vez de técnicas isoladas, cibercriminosos agora estão industrializando operações por meio de campanhas coordenadas que combinam exploração de APIs, ataques a aplicações web e DDoS, utilizando automação e inteligência artificial. “Os atacantes estão cada vez mais focados em sobrecarregar sistemas, aumentar os custos de infraestrutura e explorar automação baseada em IA em escala, em vez de buscar campanhas chamativas para ganhar manchetes”, disse Patrick Sullivan, CTO de Estratégia de Segurança da Akamai Technologies. “Automação e IA estão tornando essas campanhas sofisticadas baratas, fáceis de repetir e rápidas. E, à medida que as empresas investem fortemente na transformação com IA, os atacantes estão mirando nas APIs que sustentam essa transformação.” As APIs estão se consolidando como a principal superfície de ataque, concentrando lógica de negócios, dados sensíveis e integrações críticas. Globalmente, 87% das organizações relataram ter enfrentado pelo menos um incidente de segurança relacionado a APIs no último ano, enquanto o número médio de ataques diários a APIs por organização aumentou 113% em comparação com o ano anterior. Ao mesmo tempo, os ataques estão evoluindo além da exploração de vulnerabilidades técnicas tradicionais e passando a manipular o comportamento das aplicações. Cerca de 61% agora envolvem fluxos de trabalho não autorizados e atividades anômalas — um aumento significativo que indica uma mudança para ameaças baseadas em comportamento, frequentemente ligadas a fraudes, abuso de credenciais e exploração da lógica de negócios. Em média, as organizações analisadas pela Akamai tinham cerca de 3.000 APIs contendo dados sensíveis. Destas, 12% apresentavam fragilidades de segurança, sendo que 24% estavam relacionadas à exposição de dados sensíveis. A expansão da IA generativa aumenta ainda mais essa dependência, já que os endpoints de IA são, na prática, APIs. DDoS: escala, automação e pressão operacional O estudo também destaca um crescimento significativo nos ataques de negação de serviço distribuída (DDoS). Entre 2023 e 2025, os ataques DDoS de Camada 7 — a camada de aplicação onde os usuários interagem diretamente com serviços digitais — aumentaram 104%. Esse crescimento é impulsionado pelo acesso mais fácil a botnets por meio de serviços de DDoS sob demanda (DDoS-for-hire), além do uso de scripts automatizados e IA para simplificar a execução dos ataques. Botnets como Aisuru botnet e Kimwolf botnet, evoluções da arquitetura Mirai malware, sustentam ecossistemas de DDoS-as-a-Service e permitem que grupos criminosos e hacktivistas lancem campanhas em larga escala. A atividade hacktivista também continua crescendo à medida que atores motivados politicamente se adaptam às tensões globais em mudança. Além da interrupção imediata dos serviços, esses ataques aumentam custos operacionais, degradam o desempenho e podem gerar impactos financeiros prolongados. Os dados também mostram concentração em setores altamente dependentes de disponibilidade. Ataques de Camada 7 tiveram como principais alvos empresas de mídia, e-commerce, jogos, software e SaaS, além de provedores de telecomunicações. Já os ataques nas Camadas 3 e 4 foram observados com mais frequência nos setores de serviços financeiros, manufatura, jogos, software e comércio. Para a Akamai, enfrentar esse cenário exige mais do que soluções isoladas, demandando controles integrados e fortalecimento dos fundamentos de segurança. Visibilidade contínua do inventário de APIs, controle rigoroso de acesso, rate limiting, monitoramento comportamental e proteção DDoS em múltiplas camadas são apontados como pilares essenciais para reduzir a exposição.

  • Fábio Simonagio assume como CTO do Grupo NTSEC para fortalecer estratégia tecnológica

    Executivo com mais de 13 anos de experiência em tecnologia e telecomunicações assume a liderança da estratégia tecnológica da companhia em meio à expansão das operações O Grupo NTSEC, um dos maiores integradores de tecnologia e segurança da informação do Brasil, anuncia Fábio Simonagio como Chief Technology Officer (CTO). O executivo assume a posição após seis anos de atuação na empresa e passa a liderar a estratégia tecnológica do grupo em um momento de crescimento das operações e ampliação do portfólio de soluções. À frente da área, Simonagio será responsável por liderar a estratégia tecnológica do grupo, conectando tecnologia e negócio e apoiando a evolução das soluções oferecidas pela companhia. Entre suas atribuições estão definir os padrões tecnológicos, fortalecer a governança das entregas, estruturar processos e iniciativas de automação e garantir maior eficiência operacional, sustentando a expansão do portfólio e o crescimento da operação. “O mercado de cibersegurança vive um momento de forte crescimento e as organizações estão lidando com desafios cada vez mais complexos de proteção digital. Nosso foco é fortalecer a base tecnológica da companhia para escalar a operação, ampliar nosso portfólio de soluções e continuar apoiando clientes em projetos estratégicos de segurança e transformação digital”, afirma Simonagio. Fundado em 2007, em Brasília, o Grupo NTSEC atua no desenvolvimento e integração de soluções de tecnologia e segurança da informação para organizações públicas e privadas. A empresa opera por meio de quatro verticais especializadas: NTSec (cibersegurança), InfoSec (backup e criptografia), ZivaSec (redes e infraestrutura) e CloudSec (segurança em nuvem). Atualmente, conta com quase 400 profissionais e dez escritórios no Brasil, atendendo mais de 500 clientes, incluindo 22 dos 24 Tribunais Regionais do Trabalho do país e grandes empresas como Hypera Pharma, M.Dias Branco, Grupo Mateus e Banco do Brasil. Em 2025, o grupo consolidou faturamento superior a R$ 500 milhões e projeta alcançar R$ 700 milhões em 2026. A trajetória de crescimento também se reflete em reconhecimentos do mercado: em 2023, a empresa registrou avanço de 100% na receita em relação ao ano anterior, desempenho que garantiu à NTSEC a 5ª posição no ranking Exame Negócios em Expansão 2024 em sua categoria. No mesmo período, a companhia foi reconhecida como Partner of the Year da Check Point na América Latina durante o CPX 2024. Trajetória de Fábio Simonagio Fábio Simonagio possui mais de 20 anos de experiência nas áreas de tecnologia da informação e telecomunicações. Antes de assumir a posição de CTO do Grupo NTSEC, atuou como engenheiro de pré-vendas e como gerente de operações da regional Sudeste da companhia, onde foi responsável pelas áreas técnicas de serviços da região. Ao longo da carreira, também ocupou posições de liderança técnica e gestão, incluindo o cargo de diretor de engenharia na Linktel Corporate, coordenando equipes de infraestrutura de telecomunicações, data center e desenvolvimento de software. Simonagio é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Paulista (UNIP) e possui pós-graduação em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Sobre o Grupo NTSec O Grupo NTSec é um dos maiores integradores de tecnologia e segurança da informação do Brasil. Fundada em 2007 em Brasília, a empresa atua como uma boutique de soluções tecnológicas, representando fabricantes globais, como TrendMicro, F5, AWS e Cisco construindo projetos personalizados para cada cliente por meio de quatro verticais especializadas: NTSec (cibersegurança), InfoSec (backup e criptografia), ZivaSec (redes e infraestrutura) e CloudSec (segurança em nuvem). Com certificação ISO 27001, com quase 400 profissionais e dez escritórios pelo país, a empresa é uma dos únicos integradores focados em segurança com status de parceiro Elite da Check Point na América Latina, tendo sido reconhecido como Partner of the Year na América Latina em 2024. É também Centro de Treinamento Autorizado HPE Aruba Networking e opera o SOC Cognitivo, centro de operações que oferece monitoramento e gestão de segurança 24 horas.

  • Metade dos clientes da VMware planeja reduzir uso até 2028 em meio a críticas à estratégia da Broadcom

    Um movimento silencioso, mas significativo, começa a ganhar força no mercado de virtualização. De acordo com um levantamento conduzido pela consultoria independente Virtified, cerca de 50% dos clientes da VMware pretendem reduzir o uso das soluções da empresa até 2028, sinalizando uma possível mudança estrutural no setor. O principal fator por trás dessa decisão está diretamente ligado à estratégia adotada pela Broadcom, atual controladora da VMware. A empresa passou a comercializar sua plataforma apenas por meio de um pacote completo de nuvem privada, o Cloud Foundation 9 (VCF 9), o que tem gerado desconforto entre diversos clientes corporativos. Segundo análise conduzida por especialistas do setor, muitos clientes consideram o custo da nova solução elevado e incompatível com suas necessidades reais. Além disso, há críticas relacionadas à complexidade operacional do pacote, que inclui ferramentas que nem sempre são utilizadas pelas organizações, aumentando a sobrecarga de gestão e os custos indiretos. Diante desse cenário, empresas já começaram a reavaliar seus ambientes virtualizados, iniciando processos de migração parcial para outras plataformas. No entanto, essa transição não é simples. A previsão de fim do suporte para versões antigas da VMware, como a 8.x em outubro de 2027, cria uma pressão adicional, forçando muitas organizações a considerar a adoção do VCF 9 para manter conformidade e suporte técnico. Outro ponto de preocupação envolve a política comercial da Broadcom. Há relatos de que clientes que demonstram intenção de reduzir seu ambiente VMware podem enfrentar condições comerciais menos favoráveis, como redução de descontos ou até mesmo cobrança integral de licenças. Apesar disso, nem todos os clientes pretendem abandonar a VMware. Algumas organizações optam por permanecer devido à falta de alternativas viáveis, dificuldades em migração para a nuvem ou simplesmente por aversão ao risco operacional. Ainda assim, especialistas destacam que concorrentes como Nutanix, Microsoft e Red Hat vêm avançando rapidamente, reduzindo a distância tecnológica em relação à líder de mercado. Esse cenário indica uma possível transformação no mercado de virtualização corporativa, onde fatores como custo, flexibilidade e estratégia de licenciamento passam a ter peso decisivo na escolha das plataformas.

  • Oficial da Marinha Francesa expõe localização de porta-aviões nuclear ao registrar corrida no Strava

    Um incidente envolvendo um oficial da Marinha Francesa reacendeu o alerta sobre riscos de exposição de dados sensíveis em aplicativos aparentemente inofensivos. Ao registrar uma corrida no aplicativo Strava , o militar acabou revelando, sem intenção, a localização exata do porta-aviões nuclear Charles de Gaulle , em operação rumo ao Oriente Médio. A informação veio à tona após investigação do jornal francês Le Monde , que destacou como o trajeto da atividade física, publicado automaticamente pelo aplicativo, permitiu identificar a posição do navio em tempo real. O caso chama atenção não apenas pelo impacto potencial, mas por reforçar um problema recorrente: o uso de aplicativos de monitoramento de atividades físicas em contextos sensíveis. Por padrão, o Strava mantém os perfis como públicos, o que significa que qualquer atividade registrada — como corrida, caminhada ou ciclismo — pode ser visualizada por terceiros, incluindo dados de localização detalhados. No caso do oficial, o simples ato de correr no convés do porta-aviões foi suficiente para gerar um rastro digital capaz de revelar a posição de um dos ativos militares mais estratégicos da França. Embora o deslocamento do navio já tivesse sido anunciado publicamente pelo presidente francês, Emmanuel Macron , a divulgação precisa de sua localização representa um risco significativo. Em operações militares, a diferença entre conhecimento geral e coordenadas exatas pode ser decisiva, especialmente em regiões geopolíticas sensíveis. As autoridades francesas classificaram o comportamento do oficial como incompatível com as diretrizes de segurança vigentes, reforçando que militares são constantemente orientados sobre práticas de proteção de informações. Ainda assim, o incidente evidencia como erros humanos continuam sendo um dos principais vetores de exposição em segurança da informação. Um problema recorrente e subestimado O caso não é isolado. O Strava já esteve envolvido em outros episódios semelhantes, incluindo a exposição de bases militares ao redor do mundo por meio de mapas de calor gerados a partir das atividades dos usuários. Em 2024, investigações também utilizaram dados do aplicativo para rastrear a localização do próprio presidente francês , a partir das atividades registradas por membros de sua equipe de segurança. Esses episódios reforçam um conceito bem conhecido na cibersegurança: vazamentos indiretos de informação , onde dados aparentemente inocentes podem ser correlacionados para revelar informações críticas. O risco invisível dos dados comportamentais Mais do que uma falha tecnológica, o incidente evidencia um problema de conscientização. Aplicativos como o Strava coletam e compartilham dados comportamentais — rotas, horários, frequência de atividades — que, quando analisados, podem expor padrões operacionais e rotinas sensíveis. Para ambientes corporativos e governamentais, o risco é ainda maior. Executivos, equipes de segurança e profissionais com acesso a informações críticas podem, sem perceber, expor: Localização de instalações estratégicas Rotinas de deslocamento Presença em eventos confidenciais Infraestruturas críticas Esse tipo de exposição é frequentemente explorado em atividades de OSINT (Open Source Intelligence) , onde hackers e analistas utilizam informações públicas para mapear alvos e planejar ataques. Um alerta que vai além do ambiente militar Embora o incidente envolva um contexto militar, o aprendizado é aplicável a qualquer pessoa. A recomendação é simples, mas essencial: revisar configurações de privacidade e limitar o compartilhamento público de atividades que contenham dados de localização. No cenário atual, onde dados são constantemente coletados e compartilhados por aplicações digitais, a segurança não depende apenas de sistemas robustos, mas também do comportamento dos usuários.

  • Hacker do TeamPCP compromete GitHub Actions da Checkmarx e amplia crise na cadeia de suprimentos

    A campanha conduzida pelo grupo hacker TeamPCP  continua se expandindo e agora atingiu novos alvos no ecossistema de desenvolvimento. Desta vez, workflows do GitHub Actions  mantidos pela empresa de segurança Checkmarx foram comprometidos, evidenciando uma escalada significativa no ataque à cadeia de suprimentos iniciado com a ferramenta Trivy. Os componentes afetados incluem os workflows checkmarx/ast-github-action  e checkmarx/kics-github-action , amplamente utilizados em pipelines de CI/CD para análise de segurança de código. A análise técnica indica que o mesmo malware utilizado na campanha anterior — um stealer de credenciais  — foi reaproveitado, reforçando que se trata de uma operação coordenada e em evolução. Reaproveitamento de credenciais roubadas amplia o alcance do ataque A investigação aponta que credenciais obtidas no ataque anterior ao Trivy foram utilizadas para comprometer novos workflows. Esse movimento evidencia um dos principais riscos de ataques à cadeia de suprimentos: a capacidade de gerar um efeito cascata , onde um único ponto comprometido permite a propagação para diversos outros sistemas confiáveis. O malware identificado , conhecido como TeamPCP Cloud Stealer , foi projetado para coletar uma ampla gama de informações sensíveis, incluindo: Chaves SSH e tokens do GitHub Credenciais de provedores cloud como AWS, Azure e Google Cloud Configurações de CI/CD Dados de bancos, arquivos .env e carteiras de criptomoedas URLs de webhooks do Slack e Discord Uma vez coletados, esses dados são criptografados e enviados para infraestrutura controlada pelos hackers, utilizando domínios cuidadosamente construídos para parecer legítimos — uma técnica que dificulta a detecção manual durante análises de logs. Técnica sofisticada: manipulação de tags e persistência invisível Assim como no incidente anterior, os hackers utilizaram uma técnica conhecida como force-push de tags  para substituir versões legítimas por versões maliciosas sem alterar a aparência externa do workflow. Isso faz com que pipelines automatizados continuem confiando em versões comprometidas sem perceber a alteração. Além disso, o malware implementa mecanismos de persistência avançados: Criação de repositórios ocultos para armazenar dados roubados como backup Instalação de serviços persistentes em sistemas fora de ambientes CI Execução de payloads adicionais utilizando múltiplos gerenciadores de pacotes JavaScript Esse nível de sofisticação demonstra um entendimento profundo de ambientes DevOps modernos e suas integrações. Supply chain em efeito dominó Um dos pontos mais críticos do ataque é sua capacidade de propagação. Como o malware extrai tokens e credenciais diretamente da memória de runners de CI/CD, qualquer repositório com permissões associadas pode ser comprometido automaticamente. Isso cria um cenário onde: Um workflow comprometido → rouba credenciais Credenciais roubadas → comprometem outros repositórios Novos repositórios comprometidos → distribuem mais malware Esse ciclo transforma o ataque em um verdadeiro efeito dominó dentro da cadeia de suprimentos , ampliando exponencialmente o impacto. Comprometimento além do CI/CD A campanha também ultrapassa o ambiente de pipelines. Extensões maliciosas foram identificadas no ecossistema Open VSX, capazes de executar código malicioso em ambientes de desenvolvimento locais. Ao serem ativadas, essas extensões verificam a presença de credenciais cloud no sistema da vítima e, caso encontrem, baixam cargas adicionais para aprofundar o comprometimento. Além disso, mecanismos de persistência garantem que o malware continue ativo mesmo após reinicializações. Um ataque que redefine o risco em ambientes DevOps Esse novo episódio reforça uma tendência clara: os hackers estão cada vez mais focados em infraestruturas de desenvolvimento e pipelines automatizados , explorando a confiança implícita nesses ambientes. O caso também evidencia falhas estruturais importantes: Dependência de tags em vez de commits imutáveis Uso excessivo de tokens com privilégios elevados Falta de monitoramento aprofundado em runners de CI/CD Confiança excessiva em componentes de terceiros Diante desse cenário, as recomendações incluem a rotação imediata de credenciais, auditoria de logs, revisão de workflows e adoção de práticas mais rigorosas, como o uso de commit SHA fixo  em vez de tags.

  • Oracle corrige falha crítica no Identity Manager que permitia execução remota de código sem autenticação

    A Oracle divulgou atualizações de segurança para corrigir uma vulnerabilidade crítica que afeta o Oracle Identity Manager  e o Oracle Web Services Manager , dois componentes amplamente utilizados em ambientes corporativos para gestão de identidades, acessos e serviços. A falha, identificada como CVE-2026-21992 , recebeu pontuação 9,8  na escala CVSS , índice que a coloca entre as ameaças mais graves do setor de cibersegurança. Segundo a própria Oracle , a brecha pode ser explorada remotamente e sem necessidade de autenticação , o que eleva significativamente o risco para empresas que ainda não aplicaram a correção. Em termos práticos, isso significa que um invasor com acesso de rede via HTTP  pode explorar a vulnerabilidade sem precisar de usuário, senha ou qualquer credencial válida. Caso o ataque seja bem-sucedido, o impacto pode incluir execução remota de código  e até o comprometimento total das instâncias afetadas . A vulnerabilidade atinge as seguintes versões: Oracle Identity Manager 12.2.1.4.0 e 14.1.2.1.0 Oracle Web Services Manager 12.2.1.4.0 e 14.1.2.1.0 A descrição registrada no banco de dados da NIST National Vulnerability Database (NVD)  classifica a falha como facilmente explorável , reforçando a gravidade do problema. Na prática, esse tipo de vulnerabilidade é especialmente preocupante porque abre caminho para que hackers assumam o controle de servidores expostos, executem comandos arbitrários, movimentem-se lateralmente pela rede e usem a infraestrutura comprometida como ponto de apoio para novos ataques. Embora a Oracle tenha afirmado que não há, até o momento, indicação pública de exploração ativa dessa falha , a recomendação da empresa foi direta: os clientes devem aplicar os patches sem demora . Esse tipo de posicionamento normalmente indica que, mesmo sem evidência confirmada de ataques em andamento, o potencial de exploração é alto o suficiente para justificar uma resposta urgente por parte das equipes de segurança e administração de sistemas. O alerta ganha ainda mais peso quando analisado no contexto recente da própria Oracle. Em novembro de 2025 , a agência norte-americana CISA  incluiu a CVE-2025-61757 , também relacionada ao Oracle Identity Manager , em seu catálogo de Known Exploited Vulnerabilities (KEV) , que reúne vulnerabilidades com evidências de exploração real. Essa falha anterior também permitia execução remota de código antes da autenticação  e recebeu igualmente nota 9,8 , mostrando que produtos voltados à gestão de identidade continuam sendo alvos de alto valor para hackers. Esse histórico é relevante porque soluções de Identity and Access Management (IAM)  ocupam uma posição estratégica dentro das empresas. São elas que ajudam a controlar contas, privilégios, autenticação e fluxos de acesso a sistemas críticos. Quando uma plataforma desse tipo apresenta uma falha crítica, o risco vai muito além de um servidor vulnerável: a exposição pode afetar diretamente a camada que governa quem entra, quem acessa e o que pode ser feito dentro do ambiente corporativo. Para organizações que utilizam Oracle Identity Manager ou Oracle Web Services Manager, o caso serve como mais um lembrete de que a gestão de vulnerabilidades em sistemas de identidade precisa ser tratada como prioridade operacional. Não basta apenas monitorar indícios de exploração; é fundamental manter processos ágeis de atualização, revisar exposições externas, restringir superfícies acessíveis pela internet e validar se existem controles compensatórios capazes de reduzir risco até a aplicação definitiva da correção. Em um cenário em que falhas sem autenticação continuam sendo rapidamente transformadas em armas por grupos hackers e operadores de ransomware, a combinação entre criticidade elevada , exploração simples  e potencial de takeover completo do sistema  coloca a CVE-2026-21992 entre os alertas que merecem atenção imediata. Para as equipes de segurança, a mensagem é clara: quando uma vulnerabilidade crítica atinge a camada de identidade, o tempo de resposta deixa de ser apenas uma boa prática e passa a ser um fator decisivo de proteção.

  • Microsoft alerta: golpe do imposto de renda já afetou 29 mil usuários e usa ferramentas legítimas para invasão

    Uma nova onda de ataques cibernéticos explorando o período de declaração de impostos nos Estados Unidos acendeu o alerta no setor de segurança digital. De acordo com informações divulgadas pela Microsoft , mais de 29 mil usuários em cerca de 10 mil organizações foram impactados por campanhas de phishing que utilizam como isca comunicações falsas relacionadas ao imposto de renda. Os ataques se destacam não apenas pelo volume, mas também pelo nível de sofisticação. Os e-mails maliciosos simulam comunicações oficiais, incluindo notificações de restituição, formulários fiscais, lembretes de envio e até solicitações de profissionais contábeis. A estratégia explora o senso de urgência típico desse período, levando as vítimas a clicarem em links suspeitos, abrirem anexos maliciosos ou até escanearem QR codes. Em muitos casos, os ataques são conduzidos por meio de plataformas conhecidas como Phishing-as-a-Service  (PhaaS), que facilitam a criação e distribuição de páginas falsas altamente convincentes. Kits como Energy365 e SneakyLog (também chamado de Kratos) foram utilizados para capturar credenciais, incluindo senhas e códigos de autenticação multifator (2FA). Um dos pontos mais críticos identificados é o uso de ferramentas legítimas de administração remota, conhecidas como RMM (Remote Monitoring and Management). Softwares como ConnectWise ScreenConnect, Datto e SimpleHelp, amplamente utilizados por equipes de TI, estão sendo explorados por hackers para obter acesso persistente aos sistemas comprometidos. Essa técnica dificulta a detecção, já que essas ferramentas são consideradas confiáveis em ambientes corporativos. Entre os principais alvos estão profissionais que lidam diretamente com dados sensíveis, como contadores e equipes financeiras. No entanto, diversos setores também foram impactados, incluindo serviços financeiros, tecnologia, varejo e saúde. Aproximadamente 95% das vítimas estão localizadas nos Estados Unidos. Um dos ataques mais relevantes ocorreu em fevereiro de 2026, quando milhares de usuários receberam e-mails falsos supostamente enviados pela Receita Federal americana (IRS). As mensagens alegavam irregularidades em declarações fiscais e orientavam as vítimas a baixar um suposto visualizador de documentos (“IRS Transcript Viewer”). Ao acessar o link, os usuários eram redirecionados para um site malicioso que imitava plataformas legítimas, utilizando inclusive mecanismos como Cloudflare para evitar a detecção por sistemas automatizados. Após a infecção, os hackers conseguiam acesso remoto aos dispositivos, permitindo roubo de dados, captura de credenciais e execução de outras atividades maliciosas dentro do ambiente corporativo. Além dessas campanhas, também foram identificadas outras táticas associadas, como o uso de páginas falsas de Google Meet e Zoom para distribuir malware , sites fraudulentos que simulam marcas conhecidas para roubo de dados financeiros e até abuso de serviços legítimos de segurança e redirecionamento de URLs para ocultar links maliciosos. Outro vetor preocupante envolve o uso indevido de alertas do Microsoft Azure Monitor para envio de mensagens de phishing com aparência legítima, além de ataques que utilizam múltiplas camadas de redirecionamento para dificultar a análise e bloqueio das ameaças. O cenário reforça uma tendência crescente: o uso de ferramentas legítimas e infraestrutura confiável para conduzir ataques, tornando as campanhas mais difíceis de detectar. Dados recentes indicam que o uso malicioso de ferramentas RMM cresceu 277% em relação ao ano anterior. Diante desse cenário, especialistas recomendam a adoção de medidas como autenticação multifator obrigatória, políticas de acesso condicional, monitoramento contínuo de atividades suspeitas e bloqueio de domínios maliciosos. A conscientização dos usuários também segue sendo um fator crítico para reduzir o sucesso dessas campanhas.

  • BTG Pactual suspende Pix após ataque hacker e retoma operações com reforço de segurança

    O BTG Pactual suspendeu temporariamente suas operações via Pix no domingo, 22 de março de 2026, após identificar atividades consideradas atípicas em seus sistemas, em um episódio tratado pelo mercado como um possível ataque hacker com desvio de recursos. Segundo informações publicadas pela imprensa, o incidente teria envolvido inicialmente cerca de R$ 100 milhões, embora parte relevante desse valor tenha sido recuperada ainda no mesmo dia. O banco informou que a interrupção do serviço foi adotada como medida preventiva enquanto conduzia a apuração do caso. De acordo com o relato divulgado, os valores atingidos não teriam saído das contas de clientes, mas de recursos mantidos pelo BTG Pactual junto ao Banco Central para a operação do sistema de pagamentos instantâneos. Ainda não há detalhes públicos conclusivos sobre o vetor exato do ataque, mas fontes ouvidas pela imprensa afirmaram que o Banco Central começou a emitir alertas nas primeiras horas da manhã de domingo, diante de indícios de irregularidade. As mesmas informações indicam que os sistemas do BC não teriam sido comprometidos diretamente. Em nota, o BTG Pactual afirmou que não houve acesso a contas de clientes e que nenhum dado de correntistas foi exposto. A instituição reforçou que seus mecanismos de segurança foram acionados imediatamente após a identificação das inconsistências, o que levou à suspensão temporária do Pix. Já nesta segunda-feira, 23 de março, o banco comunicou o início do restabelecimento das operações, sinalizando uma retomada gradual do serviço após o reforço dos controles internos. O caso rapidamente ganhou repercussão no mercado financeiro por envolver um dos maiores bancos de investimento da América Latina e por atingir justamente a infraestrutura operacional ligada ao Pix, um dos principais meios de pagamento do país. Mesmo com a normalização parcial anunciada pelo banco, o episódio elevou a atenção de investidores e analistas para os riscos cibernéticos no setor financeiro, especialmente em instituições com grande volume de transações digitais e forte dependência de disponibilidade em tempo real. No pregão desta segunda-feira, o mercado passou a monitorar de perto o comportamento das units BPAC11 , em meio à avaliação sobre o potencial impacto reputacional e operacional do incidente. A ADVFN informou que, até a atualização da manhã de 23 de março, os papéis operavam estáveis a R$ 52,74, sem variação em relação ao fechamento anterior. Ainda assim, o episódio reforça uma preocupação crescente no sistema financeiro: mesmo quando não há exposição de dados de clientes, uma interrupção em serviços críticos como o Pix já é suficiente para gerar pressão sobre confiança, continuidade operacional e percepção de risco. O ataque ao BTG Pactual também se soma a uma sequência de ocorrências recentes envolvendo o ecossistema do Pix. Reportagem do InfoMoney relembra que, em junho do ano passado, criminosos desviaram mais de R$ 800 milhões por meio de um ataque contra a C&M Software, enquanto outro caso, em setembro, atingiu a Sinqia e provocou desvios de cerca de R$ 710 milhões, dos quais boa parte acabou bloqueada pelo Banco Central. A repetição desses episódios amplia a pressão sobre bancos, fintechs, fornecedores de tecnologia e reguladores para revisar controles, monitoramento transacional e mecanismos de resposta a incidentes em ambientes de pagamentos instantâneos.

  • Banco Central quer tirar a cibersegurança da TI e levar o tema para toda a instituição financeira

    A segurança cibernética deixou de ser apenas uma responsabilidade técnica e passou a ocupar um papel estratégico dentro das instituições financeiras brasileiras. Essa é a principal diretriz defendida pelo Banco Central (BC), que vem promovendo uma mudança estrutural na forma como o tema é tratado no setor. Durante o evento Febraban Sec 2026 , o chefe-adjunto do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do BC, Antonio Marcos Guimarães, destacou que a discussão sobre cibersegurança precisa ultrapassar os limites da área de Tecnologia da Informação (TI) e se tornar um tema institucional, integrado à gestão de riscos e à governança corporativa. A proposta é clara: segurança não pode mais ser vista como um problema técnico isolado, mas sim como um fator crítico para a continuidade e a confiança no sistema financeiro. Essa mudança de visão está diretamente ligada às novas resoluções publicadas pelo Banco Central — como a CMN 5.274 e a BCB 538 — que atualizaram o marco regulatório anterior e trouxeram uma abordagem mais rigorosa e prescritiva. Entre as exigências, estão a adoção de autenticação multifator, criptografia, testes de invasão, segmentação de redes e gestão adequada de certificados digitais. As instituições tiveram até março de 2026 para se adequar às novas regras. Além disso, a Instrução Normativa nº 9 do GSI reforça essa transformação ao estabelecer que o gestor de segurança da informação deve ocupar uma posição estratégica, não podendo acumular funções com a área de TI. Essa separação busca evitar conflitos de interesse e garantir maior independência na gestão de riscos cibernéticos. Outro ponto crítico levantado pelo Banco Central é o crescimento de riscos associados ao uso de inteligência artificial, especialmente o chamado data poisoning  — técnica em que dados são manipulados para comprometer modelos de IA. Segundo o regulador, muitas instituições ainda carecem de mecanismos robustos para validar dados e interpretar resultados com o nível de criticidade necessário. Para enfrentar esse cenário, o BC já trabalha em um projeto corporativo que reúne 16 iniciativas regulatórias focadas em cibersegurança, prevenção a fraudes e governança de IA. A ideia é tratar esses três pilares como partes de um mesmo ecossistema de resiliência digital. O movimento ocorre em um contexto preocupante: os incidentes cibernéticos no sistema financeiro cresceram significativamente nos últimos anos, enquanto a maturidade de segurança das organizações brasileiras ainda é considerada baixa. Apesar do avanço regulatório e da posição de destaque do Brasil em rankings globais, apenas uma pequena parcela das empresas atingiu um nível considerado maduro de proteção. Na prática, o Banco Central tenta reduzir essa lacuna entre regulação e execução, incentivando uma mudança cultural dentro das instituições. A mensagem é direta: cibersegurança não é mais responsabilidade exclusiva da TI — é uma prioridade estratégica que deve envolver toda a organização, do nível operacional à alta liderança.

  • Operação Gênio do Mal: Hacker é preso por vender alvarás falsos e invadir sistemas da Justiça

    Uma operação da Polícia Civil realizada na manhã desta quarta-feira (18) resultou na prisão de dois homens em Santo Antônio de Pádua, no Noroeste Fluminense. A ação faz parte da operação “Gênio do Mal”, que investiga um esquema sofisticado de invasão de sistemas judiciais, emissão e venda de alvarás de soltura falsificados e movimentações financeiras suspeitas ligadas a atividades criminosas. As prisões ocorreram durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão no bairro Farol, residência do principal investigado. No local, um segundo homem foi preso em flagrante por fraude processual após tentar impedir a ação policial destruindo um celular, possivelmente contendo provas relevantes para a investigação. Durante as diligências, os agentes apreenderam diversos materiais que reforçam as suspeitas contra o grupo, incluindo uma arma de fogo com numeração raspada, uma porção de maconha, anotações, um computador e uma motocicleta com sinais de adulteração. Os itens indicam não apenas atuação no ambiente digital, mas também possíveis conexões com outras atividades ilícitas. O principal investigado foi localizado na casa da namorada e preso em flagrante. Segundo a polícia, ele responderá por uma série de crimes, incluindo invasão de dispositivo informático, lavagem de dinheiro, estelionato, porte ilegal de arma de uso restrito e associação para o tráfico de drogas. As investigações tiveram início em dezembro de 2025, após a identificação de acessos não autorizados a sistemas do Tribunal de Justiça e de outros órgãos públicos. De acordo com o delegado José Paulo Pires, o esquema envolvia a falsificação de alvarás de soltura com assinaturas fraudulentas de juízes, que eram vendidos para criminosos — incluindo traficantes — com o objetivo de garantir liberações ilegais. Além da fraude documental, a Polícia Civil identificou movimentações financeiras consideradas atípicas. Foram bloqueados cerca de R$ 56 mil em contas ligadas ao investigado, que teria movimentado aproximadamente R$ 220 mil em apenas 30 dias, principalmente por meio de transferências via PIX. Há também indícios de que criptomoedas estavam sendo utilizadas para ocultar a origem dos valores obtidos com os golpes. Os dois presos foram encaminhados ao sistema prisional e permanecem à disposição da Justiça. A Polícia Civil segue com as investigações para identificar outros possíveis envolvidos no esquema e mapear a extensão das fraudes realizadas. As autoridades também reforçaram a importância da colaboração da população. Denúncias podem ser feitas de forma anônima por meio do WhatsApp da delegacia de Santo Antônio de Pádua.

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