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- FBI alerta: aplicativos chineses podem estar coletando dados sensíveis dos usuários
O Federal Bureau of Investigation (FBI) emitiu um alerta público recomendando que usuários evitem o uso de aplicativos móveis desenvolvidos por empresas estrangeiras, especialmente aquelas sediadas na China. Segundo o órgão, há riscos significativos relacionados à privacidade e à segurança dos dados, uma vez que esses aplicativos podem estar sujeitos às leis de segurança nacional chinesas, permitindo potencial acesso governamental às informações dos usuários. De acordo com o comunicado divulgado por meio do Internet Crime Complaint Center (IC3), muitos dos aplicativos mais populares nos Estados Unidos são desenvolvidos por empresas estrangeiras e podem coletar dados de forma contínua, mesmo quando utilizados com permissões limitadas. Entre as informações coletadas estão contatos, e-mails, números de telefone, identificadores de usuário e até endereços físicos, muitas vezes armazenados em servidores localizados na China. Outro ponto de preocupação é que alguns aplicativos exigem o compartilhamento de dados como condição para funcionamento, limitando a capacidade de escolha do usuário. Além disso, as políticas de privacidade podem permitir o armazenamento dessas informações por períodos indefinidos, aumentando o risco de uso indevido ou exposição de dados sensíveis. Para mitigar esses riscos, o FBI recomenda que os usuários desativem permissões desnecessárias, mantenham seus dispositivos atualizados e utilizem apenas aplicativos baixados de lojas oficiais. Também é indicado o uso de gerenciadores de senha como Bitwarden e 1Password para aumentar a segurança das credenciais. O alerta surge em um contexto de crescente tensão geopolítica envolvendo tecnologia e segurança nacional, especialmente após mudanças estruturais na operação do TikTok nos Estados Unidos, que passou a ser controlado por uma joint venture com participação de empresas americanas como Oracle, além de investidores internacionais, após pressões regulatórias sobre sua controladora, a ByteDance.
- Quando o problema não é o ataque, mas a explicação: o novo desafio silencioso do sistema financeiro
A recente interrupção temporária de operações via Pix por uma grande instituição financeira brasileira, após um incidente de segurança, reacendeu discussões importantes sobre resiliência digital. Embora episódios como esse não sejam inéditos — e façam parte da realidade de qualquer ambiente altamente exposto — o que começa a chamar atenção não é apenas o ataque em si, mas o que vem depois dele. Em sistemas financeiros modernos, a contenção de um incidente já não encerra o problema. Na verdade, ela marca o início de uma fase ainda mais complexa: explicar com precisão o que aconteceu dentro de um ecossistema altamente automatizado, distribuído e interdependente . Esse é um desafio que vai muito além de uma única instituição. Um problema estrutural, não isolado Bancos, fintechs, adquirentes, plataformas de pagamento e provedores de infraestrutura compartilham hoje uma mesma característica: operam sobre arquiteturas extremamente dinâmicas, baseadas em APIs, microsserviços e decisões automatizadas em tempo real. No contexto do Pix e do Open Finance, esse cenário se intensifica. Transações acontecem em segundos, cruzando múltiplos sistemas, regras de negócio, validações antifraude e integrações externas. Cada operação pode envolver diferentes camadas de processamento, muitas vezes distribuídas entre ambientes internos e terceiros. Quando algo falha — seja por ataque, erro operacional ou comportamento inesperado — a pergunta deixa de ser apenas “o que caiu?” ou “o que foi bloqueado?”. A questão central passa a ser: é possível reconstruir, com confiança, a história completa daquela decisão? E é nesse ponto que muitas instituições começam a perceber uma limitação estrutural. A dor que aparece depois do incidente O impacto imediato de um incidente costuma ser visível: indisponibilidade, degradação de serviço, contenção preventiva, comunicação com clientes. Mas existe uma camada menos visível — e frequentemente mais crítica — que se manifesta nas horas e dias seguintes. Times técnicos precisam investigar. Áreas de risco e compliance precisam entender o impacto. Jurídico precisa avaliar exposição. Reguladores podem exigir esclarecimentos. Clientes contestam operações. Parceiros questionam responsabilidades. E, no centro de tudo isso, surge uma necessidade fundamental: provar o que aconteceu . Não apenas em termos narrativos, mas técnicos. Qual regra foi aplicada? Que dados influenciaram a decisão? Em que sequência os eventos ocorreram? Houve interferência externa? Os registros podem ser considerados íntegros? Responder a essas perguntas em ambientes altamente distribuídos não é trivial. O limite da visibilidade tradicional Grande parte do mercado financeiro evoluiu significativamente em observabilidade, monitoramento e detecção de ameaças. Ferramentas de SIEM, XDR, antifraude e telemetria avançada são amplamente utilizadas. No entanto, essas soluções foram, em sua essência, desenhadas para detectar, correlacionar e alertar — não necessariamente para produzir evidência técnica com validade forte para auditoria e reconstrução determinística de eventos. Logs continuam sendo fundamentais, mas enfrentam limitações conhecidas: fragmentação entre múltiplas fontes; dependência de integridade operacional; dificuldade de encadeamento completo entre eventos; mistura entre dados sensíveis e registros técnicos; e pouca garantia de imutabilidade ao longo do tempo. Em ambientes simples, isso pode ser suficiente. Em sistemas financeiros em tempo real, cada vez menos. Segurança, compliance e arquitetura começam a se cruzar A entrada em vigor das novas normativas do Banco Central, como a Resolução BCB 538/2025, intensifica esse cenário. O regulador passa a exigir não apenas controles e políticas, mas evidências técnicas auditáveis e confiáveis . Isso muda a natureza do problema. Não se trata mais apenas de proteger sistemas contra invasões, mas de garantir que cada decisão tomada por esses sistemas possa ser: rastreada; explicada; validada; e, principalmente, comprovada . Ao mesmo tempo, cresce a pressão por privacidade e minimização de dados, criando um dilema arquitetural relevante: como registrar o suficiente para provar, sem expor mais do que o necessário . Um movimento silencioso de evolução Diante dessas pressões, o mercado começa a explorar novas abordagens que vão além da lógica tradicional baseada exclusivamente em logs e armazenamento persistente. Algumas tendências começam a ganhar espaço: trilhas auditáveis com garantias de integridade , utilizando assinaturas criptográficas e carimbos de tempo confiáveis; registros imutáveis , em estruturas que impedem alteração posterior (append-only ou WORM); isolamento de execução , reduzindo a confiança em camadas intermediárias da infraestrutura; proteção de dados em uso , evitando exposição durante o processamento; e modelos que separam evidência de execução de dados sensíveis , permitindo comprovação sem superexposição. Essas abordagens não substituem os controles existentes — elas adicionam uma nova camada. Uma camada voltada não apenas para segurança, mas para confiança verificável . Mais do que responder rápido, responder com precisão O episódio recente envolvendo uma instituição relevante serve como um lembrete de que o sistema financeiro brasileiro opera hoje em um nível de complexidade onde falhas — sejam elas causadas por ataques ou não — são inevitáveis. O diferencial competitivo e regulatório passa a estar em outro lugar. Não apenas na capacidade de detectar e conter rapidamente, mas na habilidade de: reconstruir eventos com precisão; sustentar decisões tecnicamente; responder a questionamentos com evidência consistente; e reduzir ambiguidades em cenários de disputa. O que começa a mudar Essa transição não acontece de forma abrupta. Ela é gradual, silenciosa e, muitas vezes, impulsionada por incidentes que expõem lacunas invisíveis no dia a dia. Mas a direção parece clara. O sistema financeiro caminha para um modelo em que: confiança não será apenas declarada; logs não serão suficientes por si só; e segurança não será medida apenas pela ausência de incidentes. Ela será medida também pela capacidade de explicar, provar e sustentar tecnicamente cada decisão tomada pelos sistemas . E, em um ambiente onde tudo acontece em tempo real, essa pode ser a diferença entre reagir a um incidente — ou realmente compreendê-lo.
- RSA 2026 confirma virada da cibersegurança: menos promessa, mais pressão por resultados reais com IA
A RSA Conference 2026 terminou, mas deixou uma mensagem que vai ecoar por muito tempo nos conselhos de administração, nos SOCs e nas mesas dos CISOs: a inteligência artificial deixou de ser apenas uma aposta de futuro e passou a ocupar o centro da estratégia de segurança. Ao longo de quatro dias em San Francisco, a conferência reuniu 32 keynotes, mais de 700 palestrantes, 570 sessões e mais de 600 expositores, consolidando o evento como um retrato bastante fiel de para onde a indústria está caminhando. Só que o ponto mais importante da RSA 2026 não foi exatamente a quantidade de anúncios ou o brilho das demonstrações. O que realmente chamou atenção foi o tom. A sensação dominante não foi a de deslumbramento puro com IA, mas a de uma indústria tentando separar, com urgência, o que é inovação prática daquilo que ainda é marketing bem embalado. Esse espírito já estava presente antes mesmo do evento, quando a própria análise sobre a agenda dos CISOs apontava que a conferência seria dominada por discussões sobre agentes de IA, AI-SOC, CTEM, identidade, resiliência cibernética e capacitação de equipes para um novo modelo operacional. No primeiro dia, esse direcionamento ficou evidente logo na abertura. A premiação da Geordie AI como startup mais inovadora de 2026, com uma plataforma voltada à governança de IA e ao entendimento contínuo do comportamento de agentes autônomos, mostrou que o mercado já não está olhando apenas para produtividade, mas para controle, visibilidade e confiança em sistemas autônomos. Ao mesmo tempo, keynotes da Microsoft, Cisco e Google reforçaram três ideias centrais: segurança contínua em segundo plano, revisão de modelos legados de governança e a necessidade de sair de uma postura meramente defensiva para estratégias mais ativas de disrupção contra invasores. Isso ajuda a explicar por que o conceito de AI-SOC apareceu como uma das narrativas mais fortes do evento. A indústria está claramente tentando avançar do modelo de copilotos para agentes capazes de executar tarefas antes atribuídas a analistas humanos, como triagem, investigação, isolamento de máquinas e até correções operacionais. Mas existe uma diferença importante entre a promessa e a entrega. O recado mais maduro da RSA 2026 foi que esse futuro até pode estar próximo, porém só será viável com integração de ferramentas, dados confiáveis, contexto operacional e forte supervisão humana. Sem isso, o risco não é apenas de ineficiência, mas de automatizar erro em escala. O segundo dia aprofundou essa leitura ao combinar temas técnicos e executivos. O tradicional Painel dos Criptógrafos voltou a reunir grande atenção ao tratar do impacto da IA na segurança, da corrida quântica e das transformações aceleradas no campo da pesquisa. Já a fala de Jacinda Ardern sobre liderança empática trouxe um contraste importante: em um evento tomado por automação, ela recolocou o fator humano no centro das decisões críticas. Na prática, isso serviu como lembrete de que tecnologia nenhuma substitui liderança, coordenação e confiança institucional em momentos de crise. Também ganharam destaque discussões sobre risco cibernético multidimensional, impactos em cadeias globais e os dilemas éticos e estratégicos do chamado “hack back”, mostrando que a segurança digital está cada vez mais conectada a política, diplomacia e estabilidade econômica. Esse ponto é crucial. Durante anos, parte do mercado tratou cibersegurança como uma soma de produtos. A RSA 2026 indicou que esse modelo está ficando insuficiente. O discurso dominante foi o de integração entre risco, operação, negócio e resiliência. Não por acaso, o CTEM apareceu com força como evolução natural da velha gestão de vulnerabilidades. A proposta deixa de ser apenas encontrar falhas e passa a contextualizar exposição: quais ativos importam, quais têm maior criticidade para o negócio, quais podem ser explorados com base em TTPs conhecidos e quais exigem priorização imediata. O conceito é promissor, mas a crítica feita nos bastidores e nas leituras estratégicas do evento continua válida: CTEM mal implementado pode virar apenas mais uma camada de ferramenta, mais dashboard e mais ruído. No terceiro dia, a RSA ganhou ainda mais densidade intelectual. Pat Opet defendeu a necessidade de repensar adaptação e resiliência diante de ameaças impulsionadas por IA e de cadeias de software e infraestrutura cada vez mais frágeis. Líderes internacionais debateram estratégias nacionais de cibersegurança e reforçaram a importância de coordenação global. Brian Krebs e Lawrence Baldwin detalharam a derrubada do grupo JabberZeus, oferecendo um raro olhar prático sobre o enfrentamento do crime organizado digital. Bruce Schneier, por sua vez, chamou atenção para um tema menos midiático, mas profundamente relevante: integridade. Em vez de olhar apenas para confidencialidade e disponibilidade, a discussão passou a enfatizar a confiabilidade dos sistemas em um mundo hiperconectado, automatizado e cada vez mais dependente de software. Essa mudança de foco faz muito sentido. Se a IA generativa e os agentes autônomos vão ocupar cada vez mais espaço em operações, processos corporativos e até cadeias de decisão, então a questão deixa de ser somente “como impedir ataques” e passa a incluir “como garantir que sistemas, modelos, identidades e fluxos permaneçam íntegros, auditáveis e governáveis”. É aí que entram dois dos temas mais relevantes da RSA 2026: identidade e resiliência cibernética . A conferência reforçou a visão de que identidade se tornou o novo perímetro de segurança, impulsionando debates sobre governança, autenticação sem senha e detecção de ameaças centradas em identidade. Em paralelo, resiliência apareceu não como slogan, mas como exigência operacional: antecipar, resistir, responder, recuperar e adaptar. O quarto e último dia fechou o evento com um tom mais reflexivo. A sessão sobre retrospectiva do cenário de ameaças destacou os ataques mais relevantes do último ano e reforçou os riscos crescentes associados ao uso de IA por invasores. James Lyne, do SANS Institute, atacou diretamente um problema crônico do setor: os mitos e narrativas simplificadas que distorcem decisões de segurança. Em outra frente, o painel sobre guerra cibernética discutiu o lado humano dos conflitos digitais e a responsabilidade social de reduzir a atração de jovens talentos pelo cibercrime. E, talvez de forma simbólica, o debate “CISOs Unchained III” mostrou que o papel do CISO está mais complexo do que nunca, pressionado simultaneamente por ameaça, regulação, transformação digital, IA e expectativas de negócio. No fim das contas, a RSA 2026 deixou uma leitura bastante clara para o mercado. A indústria de segurança está entrando em uma nova fase, em que o valor não será definido por quem falar mais sobre IA, mas por quem conseguir demonstrar controle, governança, integração e resultado real . O entusiasmo continua, mas agora acompanhado de suspeita saudável. E isso é positivo. Porque, se há algo que a conferência mostrou, é que a próxima geração da cibersegurança não será construída apenas com agentes autônomos, nem apenas com plataformas, nem apenas com grandes modelos. Ela será construída pela combinação entre tecnologia confiável, dados de qualidade, estratégia de negócio, liderança madura e profissionais capazes de operar nesse novo ambiente. Para os CISOs, a agenda pós-RSA 2026 parece inevitável. Será preciso revisar a arquitetura do SOC à luz da automação agentic, amadurecer programas de CTEM com base em criticidade real do negócio, tratar identidade como prioridade estrutural, fortalecer resiliência com planos testados e investir pesado em novas competências. A própria avaliação prévia do evento já apontava isso com precisão: em um futuro habilitado por IA, as organizações precisarão de engenheiros de dados de segurança, especialistas em IA aplicada à segurança e profissionais capazes de orquestrar o trabalho entre humanos e agentes. Se existe uma síntese editorial possível para a RSA 2026, talvez seja esta: a comunidade continua sendo o poder central da cibersegurança, mas agora terá de aprender a trabalhar lado a lado com máquinas que investigam, decidem e agem . O desafio não será apenas técnico. Será de confiança, governança e responsabilidade. E, nesse cenário, a velha máxima continua mais atual do que nunca: segurança não é produto. É processo.
- Custo médio de uma violação cibernética no Brasil chega a R$ 7,19 milhões
Banco Central age e impulsiona tecnologia de segurança de aplicações O sistema financeiro entrou em uma nova fase no que diz respeito à segurança cibernética. Com regras mais rigorosas impostas pelo Banco Central, a exigência deixa de ser apenas cumprir protocolos básicos e passa a demandar um nível mais alto de maturidade na proteção contra ameaças digitais. “A obrigação de testar vulnerabilidades já existia. O que muda agora, para bancos e demais instituições financeiras, não é a necessidade de realizar esses testes, mas o nível de rigor exigido”, explica Wagner Elias, CEO da Conviso, empresa especializada em segurança de aplicações. Segundo o especialista, nesse cenário, práticas como o pentest — simulações controladas de ataques realizadas por especialistas para identificar falhas antes que sejam exploradas por criminosos — deixam de ser apenas uma boa prática técnica e passam a ocupar um papel estratégico dentro da agenda regulatória das instituições. Normas A determinação faz parte de um conjunto de normas estabelecidas nas Resoluções CMN nº 5.274/2025 e BCB nº 538/2025, publicadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil, que reforçam o papel da autoridade supervisora na validação técnica dos controles de segurança As normas ampliam obrigações relacionadas à governança, aos controles técnicos e à auditoria em segurança da informação para todas as instituições autorizadas a operar no Sistema Financeiro Nacional, incluindo bancos, fintechs, cooperativas e instituições de pagamento. A supervisão passa a exigir não apenas documentação formal, mas evidências técnicas de que os controles estão efetivamente implementados e funcionando. Segundo o executivo da Conviso, muitas instituições ainda tratavam o pentest como commodity : um contrato anual como projeto fechado, com escopo definido, execução concentrada em um período específico e entrega de relatório técnico com plano de ação. Em muitos casos, o ciclo seguinte só ocorre meses depois, intervalo suficiente para que novas integrações, APIs e atualizações de sistemas alterem a superfície de ataque. “O problema é que o ambiente muda toda semana. O código muda, a infraestrutura muda, os fornecedores mudam. Um teste feito há três meses pode não refletir mais o risco atual”, afirma o CEO da Conviso. Ele observa que a dinâmica dos ataques também evoluiu. “Os criminosos já usam automação e inteligência artificial para escanear ambientes em larga escala. Se o ataque é contínuo, a validação de segurança também precisa ser". Além de aplicações web e mobile banking , o escopo inclui redes internas, APIs públicas, integrações com nuvem e fornecedores terceirizados, todos pontos agora explicitamente enquadrados pelas novas normas do Banco Central. Os testes variam conforme o alvo e o nível de informação fornecido ao especialista. Podem focar aplicações web, redes expostas à internet, ambientes internos ou aplicativos móveis. Também variam conforme o nível de informação concedido ao testador: white box (acesso total), grey box (acesso parcial) ou black box (sem conhecimento prévio). Para se ter uma ideia da importância dessa capa de proteção, 97% das empresas que sofreram incidentes relacionados à IA relataram não ter controles de acesso adequados, mostrando que existem lacunas importantes de governança de segurança. No Brasil, esse efeito é ainda mais sentido, já que o custo médio de uma violação chegou a R$ 7,19 milhões em 2025, com setores como finanças e saúde entre os mais afetados. E ainda, segundo relatório do Cost of a Data Breach Report , da IBM em conjunto com o Ponemon Institute, o custo médio global de uma violação de dados ficou em US$ 4,44 milhões. Em comparação, o custo médio anual de um programa tradicional de pentest custa em média US$ 216 mil por ano. “Esse custo tende a aumentar, porque o modelo de teste pontual, realizado uma ou duas vezes por ano, já não acompanha a velocidade de ambientes que mudam semanalmente. Código, integrações e infraestrutura evoluem o tempo todo. Por isso, a tendência é que a validação de segurança se torne contínua, automatizada e orientada por inteligência artificial. Ainda assim, do ponto de vista financeiro, é incomparavelmente mais vantajoso investir em prevenção do que arcar com o impacto de uma violação. Sem contar os danos reputacionais, que muitas vezes são ainda mais difíceis de mensurar e reverter”, afirma Wagner Elias. Pentest autônomo com IA Que o pentest se tornou indispensável, isso já está claro. O que muda agora é a velocidade exigida pelo cenário atual. O novo ritmo do mercado de segurança, que precisa de atualizações constantes de código, integrações frequentes e ambientes cada vez mais dinâmicos, está impulsionando a evolução do modelo tradicional para o pentest autônomo com inteligência artificial. “No modelo autônomo com IA, a proposta é executar simulações reais de ataque de forma recorrente, atuando como um especialista em pentest que observa continuamente o ambiente, acompanhando em tempo quase real as alterações no código, nas integrações e na infraestrutura digital. Assim, em vez de um projeto pontual, com início, meio e fim definidos, o teste passa a operar como um processo contínuo de validação ofensiva, alinhado à velocidade com que as aplicações e infraestruturas”, explica Elias. Diferentemente de varreduras automatizadas tradicionais, a abordagem é orientada por ataque. A solução observa o comportamento real da aplicação em funcionamento, identifica URLs válidas, rotas acessíveis e endpoints de APIs expostos, reconhece métodos HTTP disponíveis, parâmetros aceitos e estruturas de payload . A partir desse mapeamento ativo, constrói uma visão concreta da superfície de ataque e conduz a exploração de forma progressiva, adaptando as decisões técnicas às respostas obtidas ao longo do teste. Na etapa exploração, o sistema avalia configurações do servidor, políticas de segurança aplicadas, headers ausentes ou mal configurados, diretórios públicos e controles de autenticação e autorização. Vulnerabilidades como injeções, Cross-Site Scripting (XSS), Path Traversal , manipulação de parâmetros e falhas alinhadas ao OWASP Top 10 são identificadas dentro de um fluxo contínuo de ataque, não como achados isolados, mas como parte de possíveis cadeias de exploração. Esse modelo permite a construção de attack chains (cadeias de ataque) , conectando múltiplas falhas para demonstrar caminhos concretos de comprometimento. Cada vulnerabilidade passa por validação de explorabilidade no próprio ambiente testado, com geração de evidências técnicas reproduzíveis que facilitam a priorização baseada em impacto real. Soluções no mercado nacional para o pentest Segundo o CEO da Conviso, o mercado brasileiro ainda é fortemente dependente de tecnologias de segurança desenvolvidas nos Estados Unidos e na Europa, especialmente quando se trata de soluções avançadas para testes de intrusão e validação ofensiva contínua. Com o objetivo de reduzir essa dependência externa e elevar o nível de maturidade técnica do ecossistema nacional, a Conviso investiu no desenvolvimento de tecnologia própria, criada no Brasil, voltada especificamente para testes de intrusão contínuos. “O pentest autônomo da empresa foi criado para se integrar ao ciclo de desenvolvimento. Ele executa simulações recorrentes, identifica novas exposições e gera relatórios priorizados, permitindo correções rápidas e baseadas em risco real”, afirma o executivo. Os resultados são consolidados na Conviso Platform, onde cada execução gera um registro estruturado com escopo avaliado, ativos testados, classificação de severidade, encadeamento das falhas e histórico de execuções. “Isso permite comparar ciclos, acompanhar a evolução do risco ao longo do tempo e conectar a exploração ofensiva diretamente ao fluxo de governança e gestão de vulnerabilidades”, destaca. Principais benefícios do pentest autonomo e contínuo devido à nova norma do BC A nova dinâmica do pentest concedeu à Segurança de Aplicações (AppSec) um maior alcance e profundidade das práticas voltadas à proteção de softwares contra falhas e ataques cibernéticos. O modelo passa a integrar o ciclo contínuo de desenvolvimento, incorporando testes recorrentes, monitoramento ativo e validação permanente da superfície de exposição. Entre os principais ganhos está a redução do intervalo entre o surgimento de uma vulnerabilidade e sua identificação. Em vez de aguardar meses por um novo ciclo de testes, a falha pode ser detectada em poucos dias — ou até horas — após ser introduzida no sistema, diminuindo a janela de exploração e aumentando a capacidade de resposta da organização. O formato também amplia a cobertura, já que passa a monitorar de forma constante aplicações, APIs, integrações em nuvem e outros ativos digitais. Assim, os testes seguem critérios padronizados e as falhas são classificadas automaticamente por nível de risco, o que ajuda a direcionar esforços para o que realmente é mais crítico. A possibilidade de reexecução sob demanda também altera a dinâmica operacional. “Após correções ou novos releases , o mesmo escopo pode ser validado novamente sem reinício de planejamento ou mobilização adicional, viabilizando segurança ofensiva recorrente com custo operacional mais controlado”, explica. Além disso, o processo registra evidências detalhadas de cada simulação e correção realizada. Essas trilhas de auditoria facilitam a comprovação técnica perante o regulador e tornam a comunicação mais objetiva entre as equipes de tecnologia e a alta gestão. A execução ocorre dentro de escopo autorizado e parâmetros definidos na plataforma, respeitando limites de governança para evitar impactos indevidos no ambiente produtivo. Fluxos altamente contextuais de lógica de negócio ou análises arquiteturais específicas podem demandar complementação humana, mantendo o papel do especialista dentro de uma estratégia ofensiva madura. Wagner Elias pondera, ainda, que a inteligência artificial não elimina a figura do especialista, mas altera a dinâmica do trabalho. “A IA acelera a detecção e amplia a cobertura. O olhar humano continua indispensável para interpretar risco, priorizar correções e entender o contexto de negócio”, afirma. Esse mercado avança com o aumento dos riscos digitais e da demanda por segurança. De acordo com o relatório Penetration Testing Services Market Forecast 2026–2032 , o segmento tradicional de pentesting deve alcançar cerca de US$ 4,16 bilhões em 2026. Já no modelo baseado em serviço, o chamado Penetration Testing as a Service (PTaaS), as projeções da 360iResearch indicam um mercado estimado em US$ 141,83 milhões em 2025, com expectativa de atingir aproximadamente US$ 165,46 milhões em 2026, mantendo trajetória de crescimento nos anos seguintes. Wagner Elias, CEO da Conviso
- Identidades Sintéticas e Bots Agênticos se Passando por Humanos Contribuem para Aumento de 8% nos Ataques Globais de Fraude
Relatório recente de Cibercrime da LexisNexis Risk Solutions revela rápido crescimento da fraude por identidade sintética, ataques impulsionados por bots e apropriação de contas em mercados globais, enquanto a fraude de primeira parte permanece como o tipo de fraude mais relatado O mais recente relatório de cibercrime da LexisNexis® Risk Solutions revela as principais tendências globais de fraude que surgiram ao longo do último ano. Derivado da análise de mais de 116 bilhões de transações online detectadas por meio da plataforma LexisNexis® Digital Identity Network® ao longo de 2025, o relatório mostra um aumento significativo de 8% nas taxas globais de fraude, impulsionado por ataques direcionados aos setores de jogos e apostas e ecommerce, pelas pressões do custo de vida e novas táticas emergentes de fraude. Principais destaques do Relatório de Cibercrime 2026 da LexisNexis Risk Solutions: A fraude de primeira parte segue predominante : Clientes fraudando organizações continuam sendo a principal fonte de fraude global pelo segundo ano consecutivo, representando quase dois em cada cinco (38,3%) casos de fraude reportados. Essa porcentagem varia significativamente por região: Mais da metade (51,7%) das fraudes na região EMEA são de primeira parte, em comparação com menos de 10% na América Latina, onde a fraude por identidade sintética (48,3%) é muito mais prevalente. Aumento significativo da fraude por identidade sintética : 11% das fraudes globais já envolvem identidades sintéticas, representando um aumento de oito vezes em relação ao ano anterior, consolidando-se como o tipo de fraude que mais cresce no mundo. Fraudes sintéticas representam uma mudança nas táticas, saindo do oportunismo de curto prazo para objetivos de longo prazo, já que podem levar meses para serem devidamente estabelecidas. Fraudadores combinam novas identidades a partir de diversos atributos de identidade roubados e as utilizam para cometer uma variedade de crimes. Sem uma vítima que levante imediatamente o alerta e com alto potencial de retorno, a fraude sintética está se mostrando atraente para fraudadores globalmente, em especial na América Latina (participação de 48,3%). O tráfego agêntico cresceu 450% em 2025 : Esse tráfego esteve principalmente ligado a pagamentos com cartão de crédito e logins em sites de jogos e apostas. Embora não haja indicação de intenção maliciosa, esses agentes representam um novo desafio para a detecção de fraude no longo prazo, introduzindo um terceiro tipo de interação digital, além das transações humanas genuínas e dos bots tradicionais que executam um conjunto definido de instruções. Bots maliciosos estão cada vez melhores em se passar por pessoas : Bots agora conseguem imitar ações humanas genuínas, como a forma como movemos o cursor em uma tela de login, com alto grau de plausibilidade para enganar as mais recentes ferramentas de detecção de fraude comportamental. 2025 registrou um aumento significativo (59%) nos ataques de bots maliciosos, à medida que criminosos testam e implementam essas ferramentas sofisticadas, com picos significativos observados em março abril e novamente em agosto de 2025. Fraudadores visam contas de ecommerce e apostas online : A taxa de ataques de fraude no ecommerce cresceu 64% em relação ao ano anterior, e a taxa de ataques no login, onde os fraudadores tentam obter controle das contas de clientes, saltou 216%. O crescimento ocorreu em todas as regiões, principalmente nos EUA, Canadá e região Ásia-Pacífico (APAC). Sites de jogos e apostas registraram um aumento notável de 76% na taxa global de ataques em 2025. “A fraude continua evoluindo em ritmo acelerado com a inovação digital,” diz Stephen Topliss, vice-presidente de fraude e identidade da LexisNexis Risk Solutions . “Enquanto as organizações fortalecem suas defesas em todos os canais, redes de cibercriminosos estão ampliando a automação, mudando táticas e explorando quaisquer vulnerabilidades disponíveis ao longo da jornada digital do cliente. Cada vez mais, os invasores dependem de bots avançados e ferramentas impulsionadas por IA para imitar o comportamento humano e testar defesas com velocidade e precisão sem precedentes.” Tendências regionais de fraude destacam a evolução dos padrões de ameaças globais A América do Norte experimentou picos periódicos na atividade de fraude em ecommerce durante o ano, embora a taxa geral de ataques tenha permanecido estável em cerca de 2,2%. Os ataques de fraude visam com mais frequência eventos de login e plataformas de ecommerce. A taxa de ataques na região EMEA (Europa, Oriente Médio e África) aumentou significativamente pela primeira vez em vários anos, com um crescimento de 27% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente por tentativas de apropriação de contas à medida que os fraudadores exploram as vulnerabilidades de autenticação em serviços digitais. A região APAC (Ásia-Pacífico) continuou apresentando forte crescimento nas transações digitais, juntamente com o aumento da atividade de fraude, com a taxa de ataques subindo para 1,7%. Ataques via navegadores desktop aumentaram acentuadamente à medida que fraudadores implantaram ferramentas de automação mais sofisticadas. Na América Latina , os padrões de fraude permaneceram diversos entre indústrias, embora a região tenha apresentado preocupações crescentes com fraude por identidade sintética ligada à expansão de serviços digitais e mercados regulados de jogos online. Topliss observa : “Cibercriminosos estão experimentando as mesmas tecnologias que estão transformando o comércio digital, e as organizações precisam se preparar para um futuro em que tanto usuários legítimos quanto agentes maliciosos dependem de agentes automatizados para interagir online. Aqueles que tiverem sucesso precisarão ser capazes de distinguir com confiança entre humanos, bots e agentes, além de determinar a intenção. Continuamos a observar uma crescente colaboração entre organizações de inteligência digital global, análises avançadas e fortes parcerias intersetoriais. As organizações que compartilham informações sobre riscos estão em melhor posição para proteger consumidores e construir confiança na nova economia digital.” Baixe uma cópia do relatório de cibercrime da LexisNexis Risk Solutions: Evolving Threats Beneath the Surface (somente em inglês). Metodologia: O Relatório de Cibercrime da LexisNexis Risk Solutions analisa mais de 116 bilhões de transações feitas por meio da LexisNexis Digital Identity Network entre janeiro e dezembro de 2025. Ele identifica tentativas de fraude durante a análise quase em tempo real das interações dos consumidores ao longo da jornada online, desde a criação de novas contas, logins e pagamentos até transações não essenciais, como redefinições de senha e transferências.
- Grupo hacker brasileiro usa PDFs dinâmicos para espalhar trojan bancário na América Latina e Europa
Uma campanha sofisticada de phishing está atingindo organizações na América Latina e Europa, utilizando arquivos PDF dinâmicos para distribuir trojans bancários como o Casbaneiro (também conhecido como Metamorfo). A operação é atribuída a um grupo hacker brasileiro identificado como Augmented Marauder e Water Saci, conhecido por campanhas anteriores focadas em roubo de credenciais e fraudes financeiras. De acordo com análises conduzidas por especialistas da BlueVoyant , o ataque combina múltiplos vetores, incluindo e-mails de phishing, automação via WhatsApp Web e técnicas de engenharia social como ClickFix. Essa abordagem híbrida permite que os hackers atinjam tanto usuários comuns quanto ambientes corporativos, ampliando significativamente o alcance da campanha. O ponto de partida do ataque é um e-mail fraudulento que simula uma intimação judicial em espanhol. A mensagem contém um PDF protegido por senha, que induz a vítima a clicar em um link interno. Ao fazer isso, um arquivo compactado é baixado automaticamente, iniciando uma cadeia de infecção que envolve scripts HTA e VBS. Esses scripts realizam verificações no ambiente da vítima, incluindo detecção de antivírus como Avast, antes de baixar cargas adicionais de servidores remotos. Entre os componentes instalados estão loaders baseados em AutoIt, responsáveis por descriptografar e executar arquivos maliciosos que culminam na instalação do Casbaneiro e do Horabot. Enquanto o Casbaneiro atua como o principal trojan bancário, focado em roubo de informações financeiras, o Horabot desempenha o papel de propagação. Ele utiliza contas comprometidas do Microsoft Outlook para enviar novos e-mails de phishing, ampliando o alcance da campanha de forma automatizada. Um dos elementos mais avançados da operação é a geração dinâmica de PDFs personalizados. Em vez de utilizar arquivos estáticos, o malware se comunica com um servidor remoto que cria documentos únicos, protegidos por senha, simulando intimações judiciais. Esses arquivos são enviados diretamente para novos alvos a partir das contas comprometidas, tornando a campanha mais convincente e difícil de detectar. Além disso, o Horabot também é utilizado para sequestrar contas de e-mail em serviços como Yahoo Mail, Gmail e Outlook.com , permitindo que os hackers expandam ainda mais a campanha. O malware já vem sendo utilizado em ataques na América Latina desde pelo menos 2020, mas agora apresenta um nível mais elevado de sofisticação. Outro ponto relevante é o uso contínuo do WhatsApp como vetor de infecção, prática já associada ao grupo Water Saci. Em campanhas anteriores, os hackers utilizaram automação para enviar mensagens em massa contendo links maliciosos, comportamento semelhante ao de worms digitais. A combinação de engenharia social avançada, infraestrutura dinâmica e múltiplos vetores de ataque demonstra a evolução das campanhas de phishing modernas. O uso de PDFs personalizados, automação em plataformas populares e técnicas de evasão reforça o desafio enfrentado por equipes de segurança na detecção e resposta a esse tipo de ameaça.
- Google corrige nova falha zero-day no Chrome explorada ativamente por hackers
A Google divulgou uma atualização de segurança para o Google Chrome que corrige 21 vulnerabilidades, incluindo uma falha crítica do tipo zero-day já explorada ativamente por hackers. Identificada como CVE-2026-5281 , a vulnerabilidade representa um risco elevado para usuários que ainda não aplicaram a correção. A falha está relacionada a um erro de gerenciamento de memória conhecido como use-after-free , presente no componente Dawn — uma implementação open source do padrão WebGPU utilizada pelo navegador. Esse tipo de vulnerabilidade ocorre quando a memória liberada continua sendo acessada, abrindo espaço para execução de código malicioso. De acordo com informações do banco de dados de vulnerabilidades do National Institute of Standards and Technology (NIST), um invasor que já tenha comprometido o processo de renderização do navegador pode explorar essa falha por meio de uma página HTML especialmente criada, permitindo a execução remota de código arbitrário no sistema da vítima. Embora a empresa não tenha divulgado detalhes técnicos sobre a exploração — prática comum para evitar que mais hackers abusem da falha — foi confirmado que o exploit já está em circulação. Esse tipo de cenário aumenta significativamente o risco, especialmente para ambientes corporativos e usuários que não mantêm seus navegadores atualizados. O caso chama atenção por fazer parte de uma sequência recente de vulnerabilidades críticas no Chrome. Apenas em 2026, a Google já corrigiu pelo menos quatro falhas zero-day exploradas ativamente, incluindo as vulnerabilidades CVE-2026-3909, CVE-2026-3910 e CVE-2026-2441. Esse volume reforça o aumento da superfície de ataque em navegadores modernos, especialmente com a adoção de tecnologias avançadas como WebGPU. Para mitigar os riscos, a recomendação é atualizar imediatamente o navegador para as versões 146.0.7680.177 ou 146.0.7680.178 (Windows e macOS) e 146.0.7680.177 (Linux). A atualização pode ser realizada acessando o menu “Sobre o Google Chrome” e reiniciando o navegador após a instalação. Além disso, usuários de navegadores baseados em Chromium — como Microsoft Edge, Brave, Opera e Vivaldi — também devem ficar atentos às atualizações, já que esses produtos compartilham grande parte do mesmo código-fonte e podem ser impactados pela vulnerabilidade.
- Hackers usam WhatsApp para invadir computadores Windows
A Microsoft emitiu um alerta sobre uma nova campanha de ataques cibernéticos que utiliza o WhatsApp como vetor de distribuição para arquivos maliciosos do tipo Visual Basic Script (VBS). A atividade, identificada no final de fevereiro de 2026, revela uma cadeia de infecção sofisticada que permite a invasores obter persistência nos sistemas comprometidos e acesso remoto contínuo às máquinas das vítimas. Segundo análise conduzida pela equipe de pesquisa em segurança da empresa, o ataque combina técnicas de engenharia social com o uso de ferramentas legítimas do próprio sistema operacional — estratégia conhecida como living-off-the-land . Esse método permite que os hackers utilizem recursos nativos do Windows de forma maliciosa, dificultando a detecção por soluções tradicionais de segurança. O ataque tem início com o envio de arquivos VBS por meio de mensagens no WhatsApp. Ao serem executados, esses scripts criam diretórios ocultos no caminho “C:\ProgramData” e implantam versões renomeadas de utilitários legítimos do Windows, como o “curl.exe” e o “bitsadmin.exe”. Esses binários são disfarçados com nomes aparentemente inofensivos, como “netapi.dll” e “sc.exe”, para evitar suspeitas. Uma vez dentro do sistema, os hackers iniciam uma cadeia de infecção em múltiplas etapas. Utilizando os binários comprometidos, eles fazem o download de cargas adicionais hospedadas em serviços confiáveis de nuvem, como Amazon Web Services, Tencent Cloud e Backblaze. O uso dessas plataformas legítimas contribui para camuflar o tráfego malicioso em meio a atividades aparentemente normais da rede corporativa. Na fase seguinte, os invasores buscam elevar privilégios e garantir persistência no ambiente. Isso é feito por meio da manipulação do User Account Control (UAC), mecanismo de segurança do Windows projetado para impedir alterações não autorizadas. O malware realiza múltiplas tentativas de execução de comandos com privilégios elevados até conseguir contornar essa proteção, além de modificar entradas críticas no registro do sistema para manter o controle mesmo após reinicializações. Com o sistema comprometido, os hackers instalam pacotes MSI maliciosos, incluindo ferramentas legítimas como o AnyDesk, que passam a ser utilizadas para acesso remoto persistente. Esse tipo de acesso permite a execução de novas cargas maliciosas, movimentação lateral na rede e exfiltração de dados sensíveis. A campanha evidencia uma tendência crescente no cenário de ameaças: a combinação de engenharia social com técnicas avançadas de evasão e uso de infraestrutura legítima. Essa abordagem aumenta significativamente a taxa de sucesso dos ataques e reduz a eficácia de mecanismos tradicionais de detecção baseados em assinatura.
- Código-fonte do Claude Code vaza devido a erro de empacotamento no npm
Um erro interno da Anthropic resultou no vazamento de parte significativa do código-fonte do Claude Code, seu assistente de programação baseado em inteligência artificial. O incidente ocorreu após a publicação da versão 2.1.88 do pacote no npm , que incluía inadvertidamente um arquivo de mapeamento contendo cerca de 2 mil arquivos em TypeScript e mais de 500 mil linhas de código. Segundo a empresa , não houve exposição de dados sensíveis de clientes nem credenciais, reforçando que o caso não se trata de uma violação direta de segurança, mas sim de uma falha operacional causada por erro humano. Ainda assim, o impacto é relevante: o código vazado oferece uma visão detalhada da arquitetura interna da ferramenta, incluindo mecanismos avançados de orquestração multiagente, execução de comandos e gerenciamento de contexto para lidar com limitações de memória dos modelos de linguagem. A exposição revelou funcionalidades estratégicas, como o sistema KAIROS , que permite ao Claude operar de forma autônoma em segundo plano, executando tarefas e corrigindo erros sem intervenção humana. Também foram identificados modos avançados, como o “dream mode”, voltado à geração contínua de ideias, além de um controverso “Undercover Mode”, projetado para realizar contribuições discretas em projetos open source sem revelar sua origem. Outro ponto sensível diz respeito às técnicas utilizadas pela empresa para proteger seus modelos contra engenharia reversa e roubo de propriedade intelectual. O código indica que o sistema injeta informações falsas em determinadas interações com APIs, com o objetivo de contaminar dados que possam ser coletados por concorrentes — uma estratégia defensiva pouco comum e que levanta debates éticos e técnicos. Apesar de não envolver diretamente dados de usuários, o vazamento aumenta significativamente o risco de exploração por hackers. Com acesso à lógica interna da ferramenta, invasores podem desenvolver ataques mais sofisticados, explorando vulnerabilidades na gestão de contexto ou manipulando fluxos de execução para inserir comandos maliciosos e extrair informações. A situação se agrava com a identificação de um possível ataque à cadeia de suprimentos. Usuários que instalaram o pacote durante uma janela específica podem ter sido expostos a uma versão comprometida contendo um trojan de acesso remoto. Além disso, grupos hackers já começaram a explorar o incidente criando pacotes falsos com nomes semelhantes aos internos da Anthropic, visando ataques de “dependency confusion” — técnica que induz desenvolvedores a instalar bibliotecas maliciosas . O episódio ocorre poucos dias após outro incidente envolvendo a empresa, quando informações internas e detalhes de um novo modelo de IA ficaram expostos em um sistema de gerenciamento de conteúdo. A recorrência levanta questionamentos sobre a maturidade dos processos de segurança e governança em empresas que estão na vanguarda da corrida por inteligência artificial.
- Unico quer ampliar confiança digital no Brasil e aposta em validação de identidade com foco em privacidade e proteção de menores
A Unico quer se consolidar não apenas como uma empresa ligada à biometria, mas como uma camada de confiança para relações digitais em diferentes setores da economia. Em entrevista ao Cyber Security Brasil , Joelson Vellozo Júnior, diretor de políticas públicas da companhia, afirmou que o objetivo da empresa é garantir que a pessoa do outro lado da tela seja realmente quem diz ser, reduzindo fraudes sem comprometer a experiência do usuário. Segundo ele, a atuação da empresa já alcança bancos, varejistas, plataformas de apostas, e-commerces e outros ambientes digitais em que a validação de identidade se tornou uma etapa crítica. Durante a conversa, Joelson reforçou que a Unico não se define como uma “empresa de biometria” no sentido tradicional. Embora utilize biometria facial como um dos mecanismos centrais de autenticação, a proposta da companhia é mais ampla: combinar diferentes sinais e tecnologias para validar identidade de forma precisa, em contextos de maior risco. Na prática, isso inclui desde checagens silenciosas, com base em variáveis de contexto, até mecanismos mais robustos de validação biométrica quando o nível de risco exige maior certeza. De acordo com o executivo, essa abordagem ganhou escala porque a empresa está presente em múltiplos segmentos da economia digital, o que permite identificar tentativas de fraude de identidade de forma mais ampla. A lógica, segundo ele, é a de uma “rede de validação”, capaz de impedir que uma fraude tentada em uma plataforma seja repetida em outra dentro do mesmo ecossistema. Joelson afirmou que, apenas no último ano, a empresa realizou mais de 1,5 bilhão de verificações de identidade e ajudou a evitar perdas superiores a R$ 23 bilhões em fraudes. Também segundo ele, a Unico já está presente em cinco dos maiores bancos privados do país, em nove dos dez maiores varejistas e mantém operação em mais de 20 países. Um dos temas centrais da entrevista foi a participação da empresa no debate sobre o chamado “ECA Digital”, que trata da proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais. Joelson explicou que a Unico acompanha a discussão há mais de um ano e que vem se posicionando para resolver uma parte específica do problema: a verificação de maioridade em contextos de alto risco, como plataformas de conteúdo adulto, apostas, venda de bebidas alcoólicas, cigarros, armas e mecanismos de compra em jogos, como as loot boxes. Segundo ele, nesses casos, a empresa não entrega à plataforma dados pessoais do usuário, nem informa sua identidade ou idade exata. O sistema apenas devolve um sinal objetivo indicando se há ou não um adulto apto a acessar aquele produto ou serviço. Pela lógica apresentada na entrevista, a plataforma não saberia quem é o usuário validado, enquanto a Unico também não teria visibilidade sobre o conteúdo acessado ou sobre a navegação posterior do cidadão. Joelson destacou esse ponto como parte de um modelo baseado em minimização de dados, proporcionalidade e restrição de compartilhamento de informações, princípios que, segundo ele, estão alinhados ao debate regulatório atual. Outro ponto enfatizado foi a preocupação com privacidade, especialmente em casos que envolvam menores de idade. Joelson afirmou que, quando o sistema identifica que não há um adulto do outro lado da verificação, a resposta enviada à plataforma é apenas negativa, sem transferência de dados adicionais. Ele também disse que os registros biométricos coletados nesse processo são apagados imediatamente. Na visão do executivo, esse modelo evita práticas mais invasivas, como o envio de fotos de documentos completos para confirmação de idade, o que exporia informações pessoais que não seriam necessárias para aquela finalidade específica. Na frente tecnológica, a Unico também procurou destacar a robustez dos seus mecanismos de autenticação. Joelson afirmou que a biometria facial utilizada pela empresa trabalha com centenas de pontos de análise da face, enquanto a tecnologia de prova de vida cruza elementos como profundidade, textura, luz e outros sinais para confirmar a presença real do usuário diante do dispositivo. Já Annamaria Chizzotti Bonanomi, que participou da entrevista, acrescentou que a empresa mantém certificações e avaliações feitas por institutos independentes para medir tanto resistência a fraudes quanto a taxa de erro com usuários legítimos. A entrevista também abriu espaço para uma discussão sobre serviços públicos digitais. Ao comentar a dificuldade que muitos usuários enfrentam em processos de validação em plataformas governamentais, como o acesso ao Gov.br e a serviços do INSS, Joelson disse que a companhia tem buscado aproximação com o governo federal para colaborar nesse tipo de desafio. Segundo ele, o setor privado já dispõe de tecnologias capazes de realizar verificações de identidade com menos fricção e em poucos segundos, sem exigir tantos movimentos ou interações complexas do usuário. Embora não haja, segundo suas palavras, nenhuma operação em produção no Gov.br neste momento, a Unico enxerga esse campo como uma frente relevante de expansão. Ao final, a mensagem central da entrevista foi clara: a empresa quer se posicionar como uma infraestrutura de confiança para a economia digital, capaz de equilibrar segurança, conveniência e privacidade em operações que exigem alta confiabilidade. Em um cenário de aumento de fraudes, pressão regulatória e digitalização acelerada de serviços, a disputa não parece mais ser apenas por autenticar usuários, mas por fazer isso com precisão, baixa fricção e o menor volume possível de exposição de dados.
- Anthropic admite falha no Claude Code após usuários esgotarem limites de uso muito mais rápido que o esperado
A Anthropic reconheceu publicamente um problema em seu assistente de programação baseado em inteligência artificial, o Claude Code, após uma onda de reclamações de usuários que relataram consumo excessivo de tokens e esgotamento prematuro das cotas de uso. O incidente tem impactado diretamente fluxos de trabalho automatizados, especialmente entre desenvolvedores que dependem da ferramenta no dia a dia. De acordo com a empresa, usuários estão atingindo os limites de uso “muito mais rápido do que o esperado”, e a investigação já foi classificada como prioridade máxima. O problema se tornou evidente em fóruns como Discord e Reddit, onde assinantes de planos pagos relataram restrições severas. Um usuário do plano Claude Pro, por exemplo, afirmou que sua cota semanal é esgotada já no início da semana, limitando o uso a poucos dias por mês. Relatos indicam que a situação pode estar relacionada a múltiplos fatores. Um deles é a recente redução de cotas durante horários de pico, medida que, segundo a empresa, afetaria cerca de 7% dos usuários. Além disso, o fim de uma promoção que dobrava os limites de uso fora de janelas específicas pode ter contribuído para a percepção de queda abrupta na disponibilidade do serviço. Outro ponto crítico levantado pela comunidade envolve possíveis falhas no próprio sistema. Desenvolvedores apontaram a existência de bugs que impactam o mecanismo de cache de prompts — funcionalidade projetada para reduzir custos e tempo de processamento em tarefas repetitivas. Segundo análises independentes, essas falhas podem inflar o consumo de tokens em até 10 a 20 vezes. Alguns usuários relataram melhora significativa ao utilizar versões anteriores do software, sugerindo regressões recentes no código. A documentação oficial indica que o cache possui duração padrão de apenas cinco minutos, o que pode elevar custos caso haja pausas curtas no uso da ferramenta. Embora seja possível estender esse tempo para uma hora, isso implica em custos adicionais, criando um trade-off complexo entre eficiência e controle financeiro. Outro fator que gera frustração é a falta de transparência nos limites de uso. A Anthropic não divulga valores exatos de consumo para seus planos, o que dificulta o planejamento por parte dos desenvolvedores. Em vez disso, a empresa utiliza métricas relativas — como “até cinco vezes mais uso que o plano gratuito” — obrigando os usuários a monitorarem manualmente o consumo por meio de dashboards. Casos semelhantes já vêm sendo observados no mercado. Usuários de ferramentas como Google Antigravity também relataram problemas relacionados a limites de uso e consumo inesperado recentemente, evidenciando um desafio estrutural na adoção de IA em escala. Mais do que um incidente isolado, o episódio expõe uma tensão crescente entre usuários e fornecedores de soluções baseadas em IA. De um lado, empresas incentivam a integração dessas ferramentas em fluxos automatizados e processos críticos. De outro, modelos de precificação baseados em consumo e limites dinâmicos podem interromper operações de forma inesperada. Especialistas alertam que, em ambientes automatizados, falhas de limitação podem gerar impactos significativos. Erros de rate-limit, por exemplo, podem ser interpretados como falhas genéricas, acionando tentativas automáticas de repetição e consumindo rapidamente toda a cota disponível — em alguns casos, em questão de minutos.
- Hackers invadem Comissão Europeia e podem ter roubado dados
A Comissão Europeia, principal órgão executivo da União Europeia, confirmou ter sido alvo de um ataque hacker após invasores alegarem o roubo de grandes volumes de dados armazenados em sua infraestrutura em nuvem. A confirmação foi feita por Thomas Regnier, porta-voz da instituição. Segundo o representante, o incidente afetou parte da infraestrutura em nuvem da Comissão, mas foi rapidamente contido. “Identificamos o ataque e adotamos medidas imediatas para mitigar riscos. A investigação ainda está em andamento, mas já podemos confirmar que os sistemas internos da Comissão não foram comprometidos”, afirmou. Em comunicado mais detalhado publicado em seu site oficial, a Comissão Europeia informou que o incidente impactou especificamente a infraestrutura responsável por hospedar sua presença digital na plataforma Europa.eu — portal que concentra grande parte dos dados e conteúdos institucionais do bloco europeu. As primeiras informações sobre o caso foram divulgadas pelo site Bleeping Computer, que citou fontes próximas à investigação. De acordo com a publicação, hackers teriam exfiltrado centenas de gigabytes de dados, incluindo múltiplos bancos de dados, a partir de uma conta da Comissão na Amazon Web Services (AWS). Como prova da invasão, os criminosos teriam apresentado capturas de tela demonstrando acesso aos sistemas. Até o momento, não está claro quais tipos de dados foram comprometidos nem o nível de sensibilidade das informações acessadas. A ausência de detalhes aumenta a preocupação sobre possíveis impactos, especialmente considerando o papel estratégico da Comissão Europeia na governança digital e política do continente. O episódio reforça um cenário crescente de ataques direcionados a ambientes em nuvem, que, apesar de oferecerem escalabilidade e eficiência operacional, também ampliam a superfície de ataque quando não configurados ou monitorados adequadamente. Especialistas destacam que, mesmo quando sistemas internos permanecem intactos, a exposição de dados hospedados em plataformas externas pode gerar riscos reputacionais, operacionais e regulatórios significativos.












