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  • Tráfico humano começa na internet, não na fronteira! Cibersegurança contribui para desvendar crimes

    Estudo da Apura, empresa brasileira de tecnologias e inteligência para segurança digital, revela como redes de aliciamento de pessoas operam na internet, utilizando plataformas digitais e aplicativos de mensagem para recrutar vítimas Um levantamento da Apura Cyber Intelligence, empresa brasileira de tecnologias e inteligência para segurança digital, mostra que o tráfico humano, um dos crimes mais complexos e lucrativos do mundo, não começa no deslocamento das vítimas, mas no momento em que elas são abordadas. Esses processo ocorre de forma estruturada e progressiva, explorando vulnerabilidades emocionais e conduzindo a vítima, passo a passo, até o deslocamento internacional. Denominado “Inteligência de fontes abertas salvando vidas no enfrentamento ao tráfico humano; como identificar redes de aliciamento antes do embarque”, o estudo foi apresentado em 2026 no evento Investigation in Perspective, no Consulado dos Estados Unidos em São Paulo. “O tráfico humano não começa na fronteira. Ele começa no ambiente digital. É ali que essas redes atuam, usando anúncios, mensagens privadas e promessas para atrair vítimas, explorando fragilidades sociais e reduzindo a capacidade de reação", explica a subcoordenadora do Swat Team da Apura, Pollyne Zunino. Para realizar esse monitoramento, a Apura utiliza técnicas de OSINT (Open Source Intelligence), que consistem na análise de informações públicas disponíveis na internet. A partir da coleta e correlação de dados em fóruns, redes sociais e aplicativos de mensagem, é possível identificar padrões de atuação e sinais de recrutamento ainda nas fases iniciais. “Se o recrutamento acontece de forma aberta no ambiente digital, também é possível identificar esses padrões com antecedência e agir antes que o dano aconteça”, defende a profissional. Ao monitorar anúncios de recrutamento em redes sociais, o time da Apura identificou padrões recorrentes, como segmentação bem definida, promessas de ganhos financeiros elevados, facilidade de entrada no país de destino e foco em públicos específicos, como brasileiros. Também foi observada a repetição da mesma estrutura de mensagem em múltiplos grupos, com pequenas variações. “Não se trata de um post isolado, mas de uma estratégia coordenada, replicada para alcançar o maior número possível de vítimas”, afirma Pollyne. Nos contatos privados, surgem outros sinais relevantes. A comunicação passa a adotar linguagem informal e descrições vagas sobre a suposta oportunidade, sem explicar claramente a atividade proposta. Também há repetição no formato das mensagens, indicando um padrão de atuação em rede. “Não é um indivíduo isolado, mas uma operação organizada”, pontua a especialista. A análise também aponta para uma operação em escala, com estratégia de distribuição e segmentação internacional das mensagens. O mesmo grupo atua em diferentes canais e públicos, adaptando a abordagem conforme o perfil das vítimas. “É o mesmo grupo criminoso circulando em diferentes espaços de recrutamento. O discurso muda conforme o público, mas a estrutura permanece", destaca a especialista. Camboja, Laos, Mianmar e Tailândia estão entre os principais países associados atualmente a esse crime e esse tipo de conteúdo. Não é coincidência que uma operação conduzida recentemente pela polícia tailandesa, em março deste ano, identificou um resort utilizado como central de golpes online, baseado em trabalho humano escravo, onde o grupo criminoso chegou a montar uma falsa delegacia da Polícia Federal do Brasil, usada para enganar as vítimas. Após o primeiro contato, os criminosos passam a solicitar dados pessoais, como documentos, vídeos, localização e número de telefone. "Com essas informações, é possível expor a vítima, aplicar coerção, chantagem e até utilizar os dados para fraude e criação de identidades falsas”, alerta a profissional da Apura. O tráfico humano evoluiu com a internet e se tornou mais escalável, acessível e difícil de detectar. Hoje, ele começa com uma simples mensagem, e não com uma travessia de fronteira. Identificar esses padrões é fundamental para agir antes que o dano aconteça. Por trás de anúncios e conversas aparentemente inofensivas, há estruturas criminosas organizadas, que operam com método, repetição e escala. E é justamente essa lógica que permite que essas redes sejam detectadas antes que seja tarde demais.

  • Estudantes do Colégio Marista Assunção criam aplicativo que facilita rotina acadêmica de jovens com TDAH

    Projeto de iniciação científica desenvolveu ferramenta digital que une organização, foco e bem-estar para reduzir os impactos do transtorno no ambiente escolar Desorganização, dificuldade de concentração, impulsividade e pensamentos acelerados fazem parte da rotina de muitos estudantes com Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Em ambientes acadêmicos, esses desafios costumam impactar diretamente o desempenho escolar, a produtividade e até a autoestima dos estudantes. Foi a partir dessa realidade que nasceu o projeto de iniciação científica desenvolvido no Colégio Marista Assunção (Porto Alegre - RS) pelos estudantes Alanys da Rosa, Débora Sophia, João Marques e Pedro Agra. A proposta busca criar soluções práticas e acessíveis para minimizar os efeitos do TDAH na gestão acadêmica e melhorar a experiência dos estudantes no ambiente escolar. Durante a pesquisa, os jovens identificaram que sintomas como desatenção, hiperatividade e impulsividade ainda são frequentemente confundidos com preguiça, desinteresse ou falta de comprometimento, o que reforça barreiras e preconceitos enfrentados por quem convive com o transtorno. A partir de estudos e análises, os jovens pesquisadores perceberam que um dos principais fatores relacionados ao baixo desempenho dos estudantes com TDAH está na dificuldade de encontrar métodos de estudo e organização acessíveis, capazes de respeitar o ritmo e as necessidades individuais de cada estudante. Fatores como pensamentos acelerados, dificuldades de concentração e manutenção do interesse em atividades longas ou ou pouco dinâmicas também são desafios que impactam diretamente a aprendizagem e a rotina escolar desses estudantes.. Com base nessas observações, o grupo idealizou o aplicativo FocuSunsa, uma ferramenta digital criada para apoiar estudantes na organização da rotina e no processo de aprendizagem. A plataforma reúne métodos de estudo e de planejamento respaldados por evidências científicas, permitindo que cada usuário escolha as estratégias mais adequadas às suas necessidades. Entre os recursos disponíveis está uma lista de tarefas com lembretes automáticos que auxilia no cumprimento de prazos e de compromissos, recurso que utiliza inteligência artificial para transformar atividades complexas em etapas menores e mais acessíveis. A partir de orientações fornecidas pelos estudantes sobre o trabalho ou a prova, o sistema cria automaticamente um checklist com ações organizadas em sequência, conduzindo o usuário até a finalização do trabalho. O projeto também aposta em uma experiência visual acolhedora e motivadora. Para tanto, o aplicativo reúne funcionalidades inspiradas em plataformas já utilizadas por pessoas com TDAH, mas com foco em personalização e acessibilidade. Entre os recursos previstos estão cores calmantes, técnicas de estudo baseadas em dados reais, relatórios semanais de desempenho, músicas Lo-Fi voltadas à concentração e um sistema de gamificação com XP, moedas virtuais e mascotes evolutivos que acompanham o progresso do usuário. “Percebemos que estudantes com TDAH respondem melhor a métodos práticos, interativos e fáceis de aplicar no dia a dia. A ideia do aplicativo é justamente tornar a organização menos cansativa e mais intuitiva. Sabemos que não existe uma única estratégia eficaz para todos os estudantes; por isso, a plataforma reúne diferentes métodos e permite que cada usuário escolha aqueles que melhor se adaptam à sua rotina e forma de aprendizagem”, destaca a pesquisadora Débora Sophia. Segundo João Pedro, responsável pelo desenvolvimento tecnológico do projeto, a interface foi planejada para ser simples, intuitiva e objetiva. O design prioriza a clareza das informações e busca reduzir distrações, oferecendo uma experiência mais confortável para estudantes com TDAH e outras dificuldades relacionadas à atenção e à organização. O aplicativo foi desenvolvido com a linguagem/framework Flutter compatível com os sistemas Android e iOS, permitindo que estudantes de diferentes dispositivos tenham acesso à plataforma. Algumas funcionalidades, como os métodos Feynman e de micropassos, contam com o suporte de inteligência artificial, que analisa as solicitações dos usuários e fornece orientações personalizadas diretamente no aplicativo. Além do desenvolvimento técnico da plataforma, os estudantes agora buscam apoio junto a organizações e instituições para viabilizar o projeto e transformar a proposta em uma ferramenta acessível a estudantes que convivem com o TDAH. Os responsáveis pelo projeto Débora Sophia é acadêmica de Pedagogia na PUCRS e possui experiência prática no acompanhamento de estudantes que enfrentam dificuldades relacionadas à organização da rotina e aos estudos. Aliando conhecimento teórico e vivência em campo, dedica-se a analisar e aperfeiçoar estratégias que realmente contribuam para o aprendizado e o desenvolvimento acadêmico dos alunos. João Pedro cursa Engenharia de Software na PUCRS e já possui experiência no desenvolvimento de aplicativos. No projeto FocuSunsa, é responsável pela área tecnológica, aplicando e aprimorando suas habilidades para garantir a criação de uma ferramenta funcional, acessível e eficiente para os usuários. Ambos compartilham o objetivo de lançar o FocuSunsa e disponibilizá-lo à comunidade ao final de seus cursos.

  • Shield Security investe em novas diretorias estratégicas e tecnologia própria para avançar no país, enquanto prepara a internacionalização

    Impulsionada pelos setores financeiro e de saúde, empresa prioriza cyber OT, conformidade, gerenciamento de risco de terceiros e controles de segurança para uso de IA para duplicar presença no mercado nacional ainda neste ano Especializada em serviços, soluções e consultoria em segurança da informação, a Shield Security completa oito anos de operação com dois objetivos: consolidar sua presença no mercado interno com a criação de novas diretorias estratégicas e o desenvolvimento de tecnologias próprias, ao mesmo tempo em que projeta o início de sua internacionalização. Atendendo às principais empresas do segmento financeiro e de saúde, com apoio de uma ampla rede de parceiros que inclui diversas marcas de tecnologias e fabricantes globais, a companhia aposta em ofertas personalizadas de cibersegurança e na capacitação técnica para manter o crescimento registrado ano a ano no país. Com o aumento exponencial do emprego da Inteligência Artificial pelas empresas, a Shield Security expandiu seu arcabouço de soluções com foco em IA para permitir a adoção segura da tecnologia. “No momento, esse é de longe o principal desafio dos CISOs. Com a alta utilização de IA, tanto ao nível corporativo quanto individualmente pelos colaboradores, diversas informações cruciais e confidenciais das organizações podem estar em risco. Por outro lado, são evidentes seus benefícios para otimização de processos e até mesmo para criar um diferencial competitivo, por isso ampliamos nosso portfólio para apoiar nossos clientes nessa jornada”, afirma Vitor Villani, CEO da Shield Security. Para respaldar a estratégia de negócios da empresa, foram criadas duas novas diretorias. A primeira de cyber OT (cibersegurança para tecnologia operacional), voltada prioritariamente para automação industrial e ambientes hospitalares; a segunda, de Governança, Risco e Conformidade (GRC), que busca amadurecer processos, tecnologias e pessoas, por meio de treinamentos e capacitações sobre risco e governança em termos de cibersegurança. A Shield Security trabalha também no desenvolvimento de uma tecnologia própria para gerenciamento de risco de terceiros TPRM (Third-Party Risk Management), a plataforma Shield Risk and Trust. A proposta é ajudar empresas a monitorar constantemente a postura de segurança de fornecedores, identificando exposições, vulnerabilidades, vazamentos, riscos operacionais e impactos potenciais para o negócio. “Hoje em dia, bancos e instituições financeiras, por exemplo, dependem de dezenas, muitas vezes centenas, de terceiros para manter suas operações funcionando. São fornecedores de cloud, APIs de pagamento, plataformas de autenticação, ferramentas de antifraude, parceiros de integração, serviços de analytics e atendimento, entre vários outros. O ponto é que cada empresa conectada ao ecossistema do banco representa um possível risco cibernético”, pontua Villani. “Muitos ataques atuais começam justamente pela cadeia de fornecedores, o que pode resultar em vazamento de dados, indisponibilidade de serviços, exposição de credenciais, fraudes financeiras e danos reputacionais significativos. Por isso, o monitoramento precisa ser contínuo e, em um mercado cada vez mais conectado, o gerenciamento de risco deixou de ser apenas uma recomendação de segurança e passou a ser uma necessidade operacional e estratégica para empresas que dependem fortemente de fornecedores e serviços externos”, completa o executivo. A fim de estreitar laços e reforçar sua posição no mercado, a empresa realizou, entre os dias 26 e 29 de maio, seu primeiro evento internacional, o Shield Experience, em Lisboa, Portugal. O encontro estratégico reuniu clientes, executivos, líderes de cibersegurança e fabricantes parceiros, como a Lumu Technologies, Claroty, Cyera e Tenable, para uma imersão nas principais tendências do setor. Os participantes puderam assistir a sessões temáticas, conhecer casos de uso e abordagens práticas para os desafios atuais do segmento, além de trocar conhecimentos e participar de networking qualificado.

  • Grupo NTSec cria holding para acelerar expansão na Europa e América Latina

    Movimento ocorre em meio à consolidação do mercado de cibersegurança, após a empresa saltar de R$ 33 milhões para R$ 519 milhões em receita líquida entre 2020 e 2025 O Grupo NTSec, um dos maiores integradores de tecnologia e segurança da informação do Brasil, acaba de concluir uma ampla reorganização corporativa que marca o início de uma nova etapa de crescimento. A companhia transformou-se em Sociedade Anônima de capital fechado, unificando as quatro empresas do grupo — NTSec, InfoSec, ZivaSec e CloudSec — sob uma estrutura de holding. O movimento abre caminho também para a expansão internacional da empresa, com foco inicial em mercados da América Latina e Europa. Entre 2020 e 2025, a receita líquida do Grupo avançou de R$ 33 milhões para R$ 519 milhões, enquanto a carteira de clientes passou de pouco mais de uma centena para mais de 360 organizações. No mesmo período, a companhia registrou crescimento médio anual de 84%, desempenho cerca de sete vezes superior ao observado no setor brasileiro de tecnologia. Paralelamente, manteve indicadores de rentabilidade acima dos observados entre empresas comparáveis de tecnologia e cibersegurança. De acordo com Bruno Nóbrega, CEO e fundador do Grupo, a decisão representa um salto de maturidade jurídica que prepara a holding para capturar oportunidades em um mercado em consolidação acelerada. “Nos últimos cinco anos construímos escala, ampliamos nossa base de clientes e alcançamos um patamar de receita que nos coloca entre os principais grupos independentes de cibersegurança do país. A transformação em holding e a expansão internacional são consequências naturais dessa trajetória”, revela. O executivo informa também que a nova estrutura inclui um programa de participação acionária para colaboradores, alinhando os interesses de quem constrói a empresa ao seu crescimento de longo prazo. Internacionalização como próximo horizonte Como parte da nova fase, a empresa lança o programa NTSec Secure World, iniciativa voltada à expansão internacional. O plano prevê o fortalecimento da atuação em mercados como Portugal, Chile e México, além da ampliação da presença em estados brasileiros com elevado potencial de crescimento. O movimento internacional reflete uma leitura estratégica: enquanto o Brasil ainda enfrenta lacunas entre a prioridade declarada das organizações em relação à segurança e o investimento efetivo, mercados como Portugal e Chile apresentam maior maturidade na contratação de serviços especializados. A empresa chega a esses mercados com um portfólio centrado no Security Center, seu serviço de gestão de segurança vendido de forma agnóstica em relação a fabricantes. CloudSec: nuvem e segurança como proposta unificada Um dos pilares do novo ciclo é o reposicionamento da CloudSec, vertical dedicada à segurança em ambientes de nuvem. O Grupo passa a oferecer ao mercado uma proposta integrada: adotar nuvem com segurança nativa embutida, sem depender de camadas adicionais de terceiros. A estratégia visa aprofundar o relacionamento com clientes que já utilizam as soluções de cibersegurança do grupo. “O Brasil se consolidou como referência regional em maturidade de cibersegurança, mas ainda existe uma lacuna entre a prioridade estratégica que as empresas dão ao tema e o investimento efetivo. Segurança aparece como segunda maior prioridade dos executivos de TI, mas apenas em quarto lugar na alocação real de recursos. Essa lacuna é nossa oportunidade”, avalia Nóbrega. Mercado aquecido e em consolidação O movimento do Grupo NTSec ocorre em contexto favorável para o setor. O Brasil é o único país da América do Sul classificado no primeiro nível do Global Cybersecurity Index da União Internacional de Telecomunicações, ao lado dos Estados Unidos nas Américas. Segundo dados da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), a projeção de gastos em segurança da informação deve alcançar R$ 104,6 bilhões entre 2025 e 2028, impulsionada pela digitalização acelerada e pelo aumento de ataques cibernéticos. Hoje, o país é alvo de 19% dos ataques cibernéticos na América Latina, concentrando aproximadamente 60 bilhões de tentativas anuais. O aquecimento da indústria de cibersegurança também passa pelo envolvimento de grandes grupos de tecnologia e fundos de private equity. Nos últimos dois anos, o setor registrou aquisições e investimentos protagonizados por empresas como Stefanini, TIM e Positivo, além de fundos como SPX Capital e Patria, refletindo a busca por companhias com capacidade de escala, rentabilidade e geração recorrente de receitas. “Estamos preparados para capturar o momento. A estrutura está pronta, o time está alinhado e o mercado está aquecido”, conclui Nóbrega.

  • Com receita de R$ 123 milhões, Oakmont reforça operação de cibersegurança e anuncia novo diretor

    Companhia anuncia ampliação no mercado privado, fortalecimento de serviços recorrentes e aceleração de nova fase focada em proteção digital, cloud security e operações gerenciadas de segurança; meta é de crescimento de 100% em 3 anos A Oakmont Group anunciou uma nova fase de expansão e reposicionamento estratégico no mercado de tecnologia. Com faturamento de R$ 123,7 milhões em 2025 e meta de crescimento de 100% nos próximos três anos, a companhia quer ampliar sua atuação em cibersegurança, fortalecer sua presença em grandes contas corporativas e acelerar as ofertas ligadas à proteção digital, governança de dados, cloud security e operações gerenciadas de segurança. Como parte desse movimento estratégico, a companhia também anunciou a chegada de Renato Tenório para liderar a evolução da estrutura comercial e acelerar o crescimento da operação privada da companhia. O executivo acumula mais de 30 anos de experiência em tecnologia, expansão comercial e desenvolvimento de mercado, com atuação em projetos ligados à infraestrutura, transformação digital e operações de cibersegurança de empresas como Microsoft, ISH Tecnologia e Symantec. Com larga atuação em projetos ligados ao setor público, a Oakmont agora pretende ampliar sua participação no mercado privado. A nova estratégia visa acelerar a presença da empresa em contas privadas de maior porte e complexidade, especialmente em segmentos que ampliaram investimentos em segurança digital, proteção de dados e continuidade operacional. “Minha principal missão é transformar a Oakmont em uma empresa de serviços de cibersegurança cada vez mais forte no mercado privado, mantendo o crescimento da atuação no governo e ampliando nossa presença em grandes contas corporativas. O objetivo é equilibrar essa operação e acelerar uma nova fase de expansão da companhia”, afirma Renato Tenório. Segundo o executivo, o avanço acelerado da inteligência artificial, da digitalização das operações e da adoção de ambientes híbridos ampliou a pressão sobre empresas que ainda tratam segurança apenas como uma camada técnica ou custo operacional. “A onda agora é inteligência artificial. No entanto, ao mesmo tempo em que ela abre novas possibilidades de negócios, também aumenta a necessidade de proteção. As empresas passaram a investir muito rápido em IA, mas muitas ainda não estruturaram uma jornada madura de segurança, governança e proteção da informação”, ressalta o novo diretor. Os investimentos da nova fase da Oakmont estão concentrados na expansão comercial, fortalecimento do posicionamento estratégico e evolução das capacidades ligadas à proteção de dados, gestão de vulnerabilidades, cloud security, monitoramento contínuo e operações SOC/NOC. A companhia também vem ampliando alianças estratégicas voltadas a temas como segurança de identidade, risco humano, compliance e proteção aplicada ao uso corporativo de inteligência artificial. O diretor revela ainda que o foco da companhia será a estruturação do time comercial, evolução dos processos de geração de demanda, fortalecimento da atuação consultiva e maior integração entre áreas técnicas, operações e negócios. A estratégia será sustentar o crescimento de forma consistente e ampliar a relevância da companhia em projetos de maior valor agregado. A Oakmont também pretende acelerar a evolução do NeX, plataforma da companhia voltada à gestão contínua de operações de segurança, automação e monitoramento inteligente de ambientes corporativos. A proposta é ampliar gradualmente o portfólio de serviços gerenciados e consolidar um modelo mais integrado entre segurança, infraestrutura, dados e inteligência operacional. “O mercado deixou de enxergar cibersegurança apenas como um tema técnico. Hoje, proteção digital está diretamente ligada à continuidade operacional, reputação, governança e crescimento sustentável das empresas”, acrescenta Tenório. Segundo a companhia, um dos diferenciais competitivos da Oakmont está (e continuará sendo) na flexibilidade para integrar diferentes tecnologias, parceiros e modelos de entrega de acordo com a realidade operacional de cada cliente, conectando temas técnicos a necessidades de negócio, risco, governança e viabilidade operacional.

  • Chefe da Infosys afirma que Vibe-Coding não representa uma ameaça, pois escrever software envolve mais do que apenas escrever software

    O avanço da inteligência artificial generativa sobre o desenvolvimento de software voltou a colocar em debate o futuro das grandes empresas de serviços de tecnologia. Para Nandan M. Nilekani, presidente da Infosys, a automação da programação não representa uma ameaça existencial ao setor. Ao contrário, ele afirma que a IA deve ampliar a demanda por serviços especializados, justamente porque escrever código é apenas uma parte do processo de criação e modernização de sistemas corporativos. A avaliação foi feita durante o discurso de Nilekani na assembleia geral anual da Infosys, uma das maiores empresas indianas de serviços de TI. O executivo reconheceu que o setor atravessa uma transição tecnológica profunda, marcada por dúvidas sobre relevância, liderança, crescimento e margens de lucro. Segundo ele, essas perguntas se tornaram ainda mais intensas porque a IA generativa é uma mudança mais ampla e disruptiva do que ondas tecnológicas anteriores. Nilekani citou diretamente a questão central que hoje preocupa empresas de serviços: se a codificação pode ser automatizada, por que companhias como a Infosys ainda seriam necessárias? A resposta, segundo ele, está no fato de que desenvolvimento de software corporativo envolve muito mais do que a produção de linhas de código. O presidente da Infosys afirmou que a empresa pretende adotar as melhores ferramentas de codificação com IA para aumentar sua produtividade, mas argumentou que o contexto empresarial continua sendo essencial. Para ele, soluções corporativas precisam complementar investimentos já existentes, passar por testes rigorosos, operar sobre arquiteturas resilientes e incorporar fundamentos sólidos de cibersegurança. Essa visão diferencia a simples geração automatizada de código da entrega de sistemas confiáveis em ambientes empresariais complexos. Em grandes organizações, aplicações costumam depender de sistemas legados, integrações críticas, regras de negócio específicas, requisitos regulatórios, controles de segurança, disponibilidade contínua e processos de governança. Nilekani sustenta que essas camadas ainda exigem conhecimento humano, experiência de implementação e capacidade de adaptação ao contexto de cada cliente. O executivo também afirmou que a IA deve acelerar a modernização de sistemas legados. Segundo ele, a revolução da inteligência artificial tornou esse movimento mais urgente do que nunca, levando clientes a reduzir a dívida técnica acumulada ao longo de décadas. A ideia é que ferramentas de IA podem tornar mais rápido e eficiente o processo de reescrever, migrar ou substituir aplicações antigas, especialmente em ambientes onde sistemas críticos ainda sustentam operações essenciais. Para Nilekani, as empresas que utilizarem IA para modernizar software tenderão a construir substituições personalizadas, em vez de simplesmente comprar pacotes prontos. Essa tendência, na avaliação do presidente da Infosys, cria oportunidades ainda maiores para prestadoras de serviços capazes de integrar inteligência artificial a plataformas corporativas de missão crítica. Ele afirmou que a principal oportunidade está na integração entre sistemas inteligentes de IA, modelos e agentes autônomos com plataformas transacionais tradicionais, que continuam sustentando operações empresariais. Essa convergência, segundo Nilekani, deve abrir a próxima onda de oportunidades para empresas de serviços tecnológicos. A posição do executivo também funciona como uma resposta às preocupações sobre a chamada “deflação da IA”, termo usado para descrever uma possível queda de receita em serviços de tecnologia provocada pela automação de tarefas antes executadas por equipes humanas. A própria Infosys e outras gigantes indianas do setor já indicaram recentemente que ferramentas de codificação baseadas em IA podem reduzir a quantidade de trabalho necessário em determinados projetos. Apesar disso, Nilekani afirmou que a Infosys está mais relevante do que nunca, mais de três anos após a popularização da IA generativa. Para ele, a empresa está posicionada para atuar justamente nas áreas em que a automação isolada não resolve o problema completo: modernização de legados, integração com sistemas críticos, arquitetura resiliente, testes, segurança e adaptação ao ambiente operacional de grandes clientes. O argumento central do presidente da Infosys é que a IA pode escrever código, mas não substitui integralmente a capacidade de transformar esse código em software corporativo seguro, integrado e confiável. Em vez de eliminar a necessidade de empresas de serviços, a tecnologia pode deslocar o foco do trabalho para atividades de maior complexidade, nas quais contexto, governança e execução continuam sendo decisivos.

  • Cisco Catalyst SD-WAN foi explorado como zero-day para obter acesso root em provedor de comunicações

    Uma falha de alta severidade no Cisco Catalyst SD-WAN foi explorada como zero-day por um invasor ainda não identificado para ampliar privilégios e obter acesso root em um ambiente de provedor de serviços de comunicação. A atividade foi detalhada pela Mandiant, empresa do Google especializada em resposta a incidentes e inteligência de ameaças. A vulnerabilidade, rastreada como CVE-2026-20245, recebeu pontuação CVSS 7.8 e permite que um atacante local autenticado execute comandos arbitrários com privilégios elevados. A exploração ocorre por meio do envio de um arquivo especialmente criado ao sistema afetado, aproveitando uma validação insuficiente de entradas fornecidas pelo usuário. Segundo a Cisco, para explorar a falha com sucesso, o invasor precisa ter privilégios de netadmin no sistema vulnerável. Ainda assim, a Mandiant identificou que a brecha foi usada pelo menos dois meses antes de sua divulgação pública, o que caracteriza a exploração como zero-day. De acordo com os pesquisadores Chester Sng, Pete Boonyakarn e Logeswaran Nadarajan, o invasor adotou técnicas antiforenses durante toda a intrusão para manter a segurança operacional e dificultar a detecção. Entre as ações observadas estavam a exclusão seletiva e a restauração de arquivos de configuração do sistema modificados durante a atividade maliciosa. A investigação aponta que o ataque teve como alvo um provedor de serviços de comunicação não identificado. O objetivo foi elevar o acesso de uma conta administrativa já comprometida para controle completo em nível root, permitindo ao invasor operar com privilégios máximos no dispositivo. A Mandiant identificou dois períodos distintos de atividade não autorizada. O primeiro ocorreu entre o fim de 2025 e janeiro de 2026. O segundo foi registrado em março de 2026. Até o momento, não está claro se os dois eventos estão conectados ou se foram conduzidos pelo mesmo agente. Na primeira onda, a vítima teria sofrido conexões de peering não autorizadas, provavelmente explorando uma de duas falhas de bypass de autenticação em controladores Cisco Catalyst SD-WAN: CVE-2026-20127 ou CVE-2026-20182. As duas vulnerabilidades ainda não haviam sido divulgadas publicamente naquele momento, também sendo tratadas como zero-days durante a atividade. Em março de 2026, uma segunda onda de conexões de peering maliciosas atingiu um dispositivo executando uma versão de software mais recente, já corrigida contra a CVE-2026-20127. A Cisco confirmou posteriormente que essas conexões não exploraram a CVE-2026-20182, o que abriu a possibilidade de o invasor ter usado certificados roubados em uma violação anterior do mesmo dispositivo para obter acesso inicial. Após comprometer o ambiente, o invasor alterou credenciais administrativas padrão antes de explorar a CVE-2026-20245 como zero-day por meio do upload de um arquivo CSV malicioso chamado “evil_tenant.csv”. Esse arquivo permitiu a escalada de privilégios e a criação de uma conta não autorizada chamada “troot”, com controle completo de shell em nível root. A cadeia de ataque descrita pela Mandiant mostra uma operação cuidadosamente conduzida. Primeiro, o invasor obteve ou manteve acesso ao ambiente SD-WAN. Em seguida, modificou credenciais administrativas, extraiu a configuração da malha SD-WAN e explorou a falha de escalada de privilégios. Depois, criou uma conta oculta com acesso root e iniciou uma sequência de limpeza para remover evidências da intrusão. Austin Larsen, principal analista de ameaças do Google Threat Intelligence Group, afirmou que o invasor chegou a alterar a senha administrativa padrão e, após exfiltrar a configuração da malha SD-WAN, restaurou a senha para o valor original. A medida tinha o objetivo de evitar que um administrador percebesse qualquer alteração ao acessar o sistema. Os operadores também apagaram arquivos criados por eles, desfizeram alterações de configuração e executaram scripts para verificar se seus indicadores haviam sido removidos. Essa prática reduziu a capacidade dos defensores de reconstruir integralmente a atividade e avaliar o escopo completo do comprometimento. O caso chama atenção porque dispositivos de borda, como soluções SD-WAN, roteadores, firewalls e controladores de rede, continuam sendo alvos estratégicos para agentes avançados. Esses sistemas geralmente não oferecem o mesmo nível de telemetria disponível em endpoints tradicionais protegidos por EDR, o que dificulta análises forenses profundas. Para os invasores, um ponto de apoio em equipamentos SD-WAN pode ter alto valor operacional. Como esses dispositivos fazem parte da infraestrutura de conectividade entre filiais, datacenters e ambientes distribuídos, o comprometimento pode permitir visibilidade persistente sobre tráfego interno e sobre a própria malha de rede. Charles Carmakal, diretor de tecnologia da Mandiant Consulting, afirmou que adversários avançados seguem priorizando dispositivos de rede e outros sistemas que não oferecem suporte nativo a soluções de EDR. A observação reforça uma tendência já vista em campanhas recentes: a exploração de equipamentos de infraestrutura como caminho para persistência, espionagem, movimentação interna e acesso privilegiado. A Cisco já havia reconhecido a exploração da CVE-2026-20245 e informou que o ataque exige privilégios de netadmin no sistema afetado. Mesmo com essa exigência, o caso demonstra que contas administrativas comprometidas, certificados roubados e falhas em dispositivos críticos podem ser combinados para ampliar o impacto de uma intrusão. Para organizações que dependem de SD-WAN, o incidente reforça a necessidade de revisar versões de software, aplicar correções de segurança, monitorar conexões de peering não autorizadas, auditar contas administrativas e validar alterações em arquivos sensíveis de configuração. Também é importante avaliar a exposição de certificados, credenciais e backups de configuração, especialmente quando há suspeita de comprometimento anterior.

  • Passkeys: a autenticação que promete reprimir o phishing

    Por Priscila Meyer — CEO da Eskive, especialista em segurança da informação com foco no risco humano Durante décadas, nós nos acostumamos a tratar a senha como parte inevitável — porém indiscutivelmente inconveniente — da vida digital. Criamos combinações, esquecemos algumas delas, repetimos outras, acrescentamos um número no final quando um sistema exige uma atualização e torcemos para que nada aconteça. Esse comportamento se tornou tão natural que raramente paramos para questionar se o problema está realmente no usuário ou no próprio modelo de autenticação. Ora, o próprio criador do conceito de passwords, Fernando Corbató, declarou antes de seu falecimento que o sistema havia se tornado “um pesadelo”. Agora, os números indicam que essa lógica começou a mudar. Em 2024, uma pesquisa encomendada pela FIDO Alliance apontava que 53% dos entrevistados nos Estados Unidos e no Reino Unido já haviam habilitado passkeys em pelo menos uma conta. Em maio de 2026, um levantamento global da entidade, realizado com 11 mil consumidores em dez países, mostrou que 75% já tinham ativado ao menos uma chave de acesso. A FIDO Alliance estima que existam atualmente cerca de 5 bilhões de passkeys em uso no mundo, embora seja impossível estimar quantas delas pertencem a usuários brasileiros. E, mesmo que as pesquisas tenham amostras e abrangências diferentes, a direção do movimento é difícil de ignorar: a autenticação sem senha (passwordless) está deixando de ser uma promessa para se tornar um hábito. A senha está envelhecendo diante de nós Eu não acredito que as senhas desaparecerão de uma hora para outra. Tecnologias amplamente utilizadas não morrem de maneira repentina. Elas permanecem durante anos em sistemas antigos, aplicações menores e ambientes que não conseguem acompanhar a velocidade das grandes plataformas. Mas também não vejo mais sentido em tratar a senha como o centro do futuro da autenticação. O problema não é apenas que algumas pessoas criam senhas fracas. O modelo inteiro depende de um segredo que pode ser memorizado, compartilhado, reutilizado, digitado em uma página falsa, interceptado ou exposto por um vazamento. Quanto mais serviços uma pessoa utiliza, mais difícil se torna manter combinações únicas e complexas para todos eles — mesmo que um gerenciador seja utilizado para tal. Quando sistemas obrigam uma troca, o comportamento humano também tende a seguir o caminho mais simples. Uma pesquisa da Bitwarden mostrou que somente 38% dos usuários alteram completamente uma senha quando recebem essa solicitação. Os demais fazem mudanças pequenas, substituem poucos caracteres ou reutilizam uma credencial existente. As consequências aparecem tanto na segurança quanto na experiência. Segundo outra pesquisa da FIDO Alliance de 2026, 33% dos consumidores tiveram uma conta comprometida ou receberam uma notificação de vazamento no período de um ano. Ao mesmo tempo, 47% disseram que provavelmente abandonariam uma compra ou tentativa de acesso caso não conseguissem lembrar a senha. A chave que ninguém precisa conhecer Uma passkey, também chamada de chave de acesso, substitui a senha por um par de chaves criptográficas. Uma delas é pública e fica armazenada no serviço. A outra é privada e permanece protegida no dispositivo ou em um cofre digital escolhido pelo usuário. Quando alguém tenta entrar em uma conta, o serviço envia um desafio criptográfico. O dispositivo utiliza a chave privada para responder, e o servidor verifica essa resposta com a chave pública. Não há uma senha sendo digitada ou um segredo reutilizável trafegando entre o usuário e o site. Na prática, toda essa engenharia costuma aparecer de maneira muito mais simples: o usuário toca no sensor de impressão digital, olha para a câmera, utiliza o reconhecimento facial ou informa o PIN de desbloqueio do aparelho. A biometria ou o PIN não são a passkey. Eles apenas autorizam o dispositivo a utilizar a chave privada armazenada com segurança. Esse é, para mim, um dos maiores méritos do conceito. A proteção deixa de depender de uma informação que o usuário precisa inventar, memorizar e proteger. A pessoa sequer conhece sua chave privada — e isso é positivo. Não é possível revelar por telefone, enviar por mensagem ou digitar acidentalmente em uma página falsa algo que nunca é apresentado como texto. O phishing perde sua principal matéria-prima Grande parte dos golpes digitais depende de convencer a vítima a entregar voluntariamente uma credencial. O criminoso cria uma página semelhante à de um banco, serviço de e-mail ou rede social e induz o usuário a inserir login, senha e, em alguns casos, um código de autenticação. As passkeys alteram profundamente essa dinâmica porque estão associadas ao domínio legítimo em que foram registradas. Uma página fraudulenta pode copiar logotipos, cores, textos e praticamente toda a aparência de um site verdadeiro. O que ela não consegue fazer é convencer o autenticador a utilizar uma chave criada para outro domínio. Mesmo que o usuário seja direcionado a um endereço falso, não existe uma senha para digitar nem um código reutilizável para entregar ao golpista. O dispositivo verifica a origem da solicitação antes de autorizar a assinatura criptográfica. Por isso, as passkeys são consideradas resistentes a phishing e também reduzem ataques como credential stuffing, nos quais criminosos testam credenciais vazadas em diferentes serviços. Isso não significa que a engenharia social desaparecerá. Criminosos podem mudar de estratégia, explorar processos de recuperação de conta, tentar cadastrar novos dispositivos ou convencer vítimas a aprovar outras ações. Nenhuma tecnologia elimina completamente a fraude, mas retirar a senha do processo significa remover uma das matérias-primas mais valiosas e abundantes do cibercrime. Segurança finalmente deixa de punir o usuário Durante muito tempo, melhorar a segurança significou acrescentar etapas. Senhas maiores, requisitos mais complexos, trocas frequentes, perguntas de segurança, códigos por SMS, aplicativos autenticadores, múltiplas telas de confirmação... Cada camada podia aumentar a proteção, mas também aumentava a fricção. E quanto maior a fricção, maior a possibilidade de o usuário procurar atalhos. As passkeys demonstram que segurança e facilidade não precisam ocupar lados opostos. Para entrar em uma conta, o usuário pode executar a mesma ação que já utiliza dezenas de vezes por dia para desbloquear o celular ou o computador. Não precisa lembrar se usou uma letra maiúscula, um caractere especial ou o nome de um animal seguido pelo ano de nascimento. Essa conveniência ajuda a explicar a adoção. Em 2026, 90% dos consumidores pesquisados pela FIDO Alliance afirmaram conhecer as passkeys, 75% já haviam habilitado ao menos uma e 49% disseram utilizá-las regularmente quando disponíveis. Em 2024, apenas 62% dos participantes de outra pesquisa da entidade declaravam conhecer a tecnologia. Novamente, os levantamentos não são diretamente equivalentes, mas revelam como o tema ganhou espaço em um período relativamente curto. Na minha avaliação, essa é uma transformação importante para a conscientização em segurança: em vez de exigir que bilhões de pessoas se comportem como especialistas em gestão de credenciais, a tecnologia passa a absorver parte da complexidade. As empresas também têm muito a ganhar Para as organizações, a adoção de passkeys não representa apenas uma modernização técnica — ela pode reduzir uma cadeia inteira de problemas operacionais. Senhas esquecidas geram chamados para suporte. Trocas obrigatórias interrompem o trabalho. Códigos enviados por SMS produzem custos. Credenciais comprometidas exigem investigação, redefinição de acesso e, em alguns casos, resposta a incidentes. Sites de comércio eletrônico ainda perdem clientes que abandonam uma compra porque não conseguem acessar a própria conta. A FIDO Alliance mostra que 68% das organizações consultadas já haviam implantado, iniciado projetos-piloto ou começado a implementar passkeys para autenticação de funcionários. Entre as empresas que adotaram a tecnologia, 47% relataram maior confiança na segurança, 45% observaram logins mais rápidos, 43% perceberam melhora na satisfação dos funcionários com a área de tecnologia, 35% registraram menos chamados para redefinição de senha e 32% identificaram redução de incidentes relacionados a phishing. Adotar não é apenas habilitar um botão Apesar dos benefícios, considero perigoso apresentar as passkeys como uma solução automática ou infalível. A implantação exige decisões sobre recuperação de conta, sincronização, dispositivos perdidos, ambientes compartilhados, aplicações legadas e integração com sistemas de identidade. Se uma pessoa perder todos os dispositivos autorizados, como recuperará o acesso? Se um funcionário deixar a empresa, como suas chaves serão revogadas? A organização permitirá sincronização em nuvem ou exigirá passkeys vinculadas a equipamentos corporativos? O que acontecerá com sistemas antigos que ainda dependem de senha? Existe ainda um problema importante durante a transição. Muitos serviços permitem o uso de passkeys, mas continuam mantendo a senha como alternativa. Isso facilita a migração, porém preserva o caminho que os criminosos já conhecem. Uma conta protegida por passkey ainda pode estar exposta caso possua um processo frágil de recuperação ou uma senha secundária reutilizada. Por isso, eu vejo a adoção como um projeto de identidade, produto e segurança, não apenas como a instalação de um recurso. É necessário definir políticas, testar diferentes dispositivos, preparar o suporte, revisar os métodos de recuperação e comunicar com clareza o que muda para o usuário. Compatibilidade com sistemas legados, recuperação de contas e governança da sincronização estão entre os desafios centrais desse processo. O futuro sem senha já começou Durante anos, o fim das senhas foi anunciado como uma possibilidade distante. Faltava compatibilidade, apoio das grandes plataformas e uma experiência suficientemente simples para alcançar o público comum. Agora, esse cenário mudou. Apple, Google, Microsoft, navegadores modernos, gestores de credenciais e grandes serviços digitais passaram a oferecer suporte ao padrão. Bilhões de chaves já estão ativas, e uma parcela crescente dos usuários provavelmente utiliza uma passkey mesmo sem reconhecer o nome da tecnologia. Para o usuário, o primeiro passo é simples: sempre que um serviço confiável oferecer a criação de uma chave de acesso, vale considerar a ativação, especialmente em contas de e-mail, serviços financeiros, redes sociais e plataformas que concentram informações importantes. Para as empresas, o momento é de avaliar aplicações, fornecedores, riscos de recuperação e possibilidades de implantação progressiva. A melhor tecnologia de segurança não é aquela que exige atenção perfeita o tempo inteiro. É aquela que continua protegendo mesmo quando o usuário está com pressa, distraído ou cansado. As passkeys não eliminam o fator humano, mas deixam de depender de uma das tarefas que as pessoas historicamente executam pior: criar, memorizar e proteger dezenas de segredos reutilizáveis. O fim das senhas talvez ainda demore. A substituição delas, entretanto, já começou.

  • Golpe no WhatsApp usa documentos falsos para infectar PCs via VBScript

    Uma campanha ativa de malware está usando mensagens diretas no WhatsApp para distribuir arquivos Visual Basic Script, ou VBScript, disfarçados de documentos comerciais e financeiros. Segundo a Kaspersky, a operação mira principalmente usuários do WhatsApp Desktop e do WhatsApp Web e tem como objetivo final instalar uma ferramenta legítima de Remote Monitoring and Management, conhecida como RMM, para permitir acesso remoto ao sistema da vítima. A campanha foi observada em vários países, incluindo Malásia, Brasil, Índia, México, Singapura, Reino Unido, Espanha, Taiwan, Austrália, Rússia e Vietnã. A maior concentração de vítimas identificadas até o momento está na Malásia. O uso de nomes de arquivos em diferentes idiomas, incluindo português, francês, alemão e malaio, indica uma operação com alcance internacional e adaptação regional dos arquivos usados como isca. De acordo com Fareed Radzi, pesquisador da Kaspersky, os invasores usam nomes enganosos para convencer os destinatários a baixar e executar os anexos. Os arquivos aparecem como documentos aparentemente legítimos, com nomes como “Financial Reports.vbs” e “Account Statement.vbs”, simulando relatórios financeiros, extratos de conta e outros materiais de interesse comercial. A extensão “.vbs”, no entanto, indica que o arquivo é um script executável do Windows, não um documento comum. A investigação sugere que os responsáveis pela campanha obtiveram acesso indevido a várias contas do WhatsApp e passaram a usá-las como vetor de distribuição. Com isso, as mensagens maliciosas chegam a partir de contatos conhecidos das vítimas, aumentando a probabilidade de confiança e execução do arquivo. A Kaspersky afirma, porém, que ainda não está claro como essas contas foram comprometidas inicialmente. A cadeia de ataque começa quando a vítima recebe o arquivo VBScript pelo WhatsApp. No WhatsApp Web, o usuário precisa baixar o anexo e abri-lo manualmente a partir da pasta de downloads ou do histórico de downloads do navegador, acreditando se tratar de um documento legítimo. Já no WhatsApp Desktop, a execução ocorre dentro do contexto do aplicativo, com a árvore de processos mostrando o “WhatsApp.Root.exe”, processo associado ao cliente desktop, iniciando o “WScript.exe”, componente legítimo do Windows usado para executar scr ipts. Depois de iniciado pelo WScript.exe, o VBScript abre uma cadeia de infecção em múltiplos estágios. O primeiro script baixa e executa componentes adicionais de VBScript a partir de um servidor remoto. Um desses componentes tenta interferir no comportamento do User Account Control, o UAC, mecanismo do Windows que ajuda a controlar elevação de privilégios e execução de ações administrativas. O outro baixa e executa um arquivo ZIP contendo o pacote de instalação do ManageEngine RMM Central. O uso de uma ferramenta RMM legítima é um ponto importante da campanha. Soluções de Remote Monitoring and Management são normalmente usadas por equipes de TI e provedores de serviços gerenciados para administrar máquinas remotamente, aplicar correções, monitorar ativos e executar tarefas de suporte. Quando abusadas por invasores, essas ferramentas podem permitir persistência, controle remoto, movimentação dentro do ambiente e execução de comandos sem a necessidade de malware altamente customizado. Essa técnica é conhecida como abuso de ferramentas legítimas, ou living off trusted tools. Em vez de instalar uma família de malware facilmente reconhecível, os invasores tentam se apoiar em softwares corporativos reais, o que pode dificultar a detecção por soluções de segurança que tratam essas aplicações como confiáveis. Para equipes de SOC e resposta a incidentes, a presença de um RMM inesperado em uma estação de trabalho deve ser tratada como sinal de alerta, principalmente quando não há processo formal de implantação ou inventário que justifique sua instalação. Os scripts usados na campanha são fortemente ofuscados, o que dificulta a análise manual e a identificação rápida do comportamento malicioso. A Kaspersky também observou que as amostras de VBScript contêm comentários extensos e metadados criados para imitar componentes legítimos do Microsoft Windows Update. Muitos desses comentários estão em chinês e fazem referência a módulos do Windows Update, validação de certificados, verificações de integridade do sistema e funcionalidades relacionadas a implantação. Embora a atividade ainda não tenha sido atribuída a um grupo específico, a Kaspersky identificou sobreposição de infraestrutura com campanhas anteriores associadas ao Gh0st RAT e ao ValleyRAT, incluindo o endereço 202.61.160[.]201. O Gh0st RAT é historicamente conhecido como uma ferramenta de acesso remoto usada em diferentes operações maliciosas, enquanto o ValleyRAT também já foi observado em campanhas voltadas a controle remoto e comprometimento de sistemas Windows. O caso também mostra como canais de comunicação amplamente usados em ambientes pessoais e profissionais podem ser explorados como vetor de acesso inicial. O WhatsApp, especialmente em países como o Brasil, é usado não apenas para conversas pessoais, mas também para troca de documentos, atendimento comercial, comunicação entre equipes e relacionamento com clientes. Esse contexto torna anexos recebidos de contatos conhecidos especialmente perigosos quando a verificação do tipo de arquivo não é feita com atenção. Para empresas, a campanha reforça a necessidade de controles sobre execução de scripts em endpoints Windows. Arquivos VBS, VBE, JS, JSE, BAT, CMD, PS1 e EXE recebidos por mensageiros, e-mail ou navegadores devem ser tratados com restrição, principalmente quando chegam de forma inesperada. Medidas como bloqueio de execução de scripts em diretórios de download, controle de aplicações, EDR, políticas de AppLocker ou Windows Defender Application Control e monitoramento de processos como WScript.exe e CScript.exe ajudam a reduzir o risco. Também é importante monitorar a instalação não autorizada de ferramentas RMM. Em ambientes corporativos, qualquer solução de acesso remoto deve ter dono, justificativa, política de uso, inventário e registro de implantação. A presença de agentes RMM não homologados pode indicar comprometimento, uso indevido de credenciais ou tentativa de manter acesso persistente ao ambiente. A recomendação para usuários é não abrir anexos inesperados recebidos pelo WhatsApp, mesmo quando enviados por contatos conhecidos. Antes de executar qualquer arquivo, é necessário confirmar por outro canal se a pessoa realmente enviou o documento e verificar a extensão real do arquivo. Um documento financeiro legítimo normalmente não deveria chegar como “.vbs”, “.exe”, “.bat”, “.cmd”, “.js” ou “.ps1”. A Kaspersky também recomenda cautela especial com arquivos de script e executáveis recebidos por mensagens diretas. A legitimidade de um anexo deve ser verificada de forma independente, já que contas comprometidas podem ser usadas para distribuir malware a partir de contatos aparentemente confiáveis. Em campanhas como essa, a confiança social é parte central da técnica de ataque. A operação envolvendo VBScript e ManageEngine RMM Central combina engenharia social simples com uma cadeia técnica eficaz. Ao explorar contas comprometidas do WhatsApp, arquivos com aparência de documentos e ferramentas legítimas de administração remota, os invasores reduzem a dependência de exploits sofisticados e aumentam a chance de passar despercebidos em ambientes com baixa maturidade de segurança.

  • AWS lança Lambda MicroVMs com execução de até 8 horas para workloads isolados

    A AWS anunciou o Lambda MicroVMs, um novo recurso da plataforma serverless AWS Lambda voltado à execução isolada de ambientes Linux com duração de até 8 horas. A novidade amplia o uso do Lambda para cenários que exigem mais tempo de execução, preservação de estado e controle de ciclo de vida, indo além do limite tradicional de 15 minutos aplicado às funções Lambda convencionais. Construído sobre o Firecracker, monitor de máquinas virtuais usado pela AWS para executar workloads serverless com isolamento leve, o Lambda MicroVMs permite criar ambientes efêmeros, mas persistentes durante uma sessão. A proposta é combinar características de contêineres, como flexibilidade e inicialização rápida, com uma fronteira de segurança mais próxima de uma máquina virtual, oferecendo isolamento por kernel, memória e estado de disco. O funcionamento parte de um modelo baseado em imagem e snapshot. Desenvolvedores fornecem um Dockerfile e os artefatos da aplicação, normalmente empacotados e armazenados no Amazon S3. A partir disso, o Lambda constrói uma imagem de MicroVM, inicializa o ambiente e cria um snapshot Firecracker da memória e do disco. Quando novas instâncias são iniciadas, elas retomam a partir desse estado pré-inicializado, reduzindo o tempo de partida e evitando o boot frio completo. Na prática, cada MicroVM pode ser usada como um sandbox isolado para executar código enviado por usuários, código gerado por IA, pacotes potencialmente maliciosos, ferramentas de análise, pipelines de CI/CD, sessões interativas de desenvolvimento, workloads de analytics ou tarefas longas que não se encaixam bem no modelo tradicional de função serverless. A AWS posiciona o recurso como uma forma de executar workloads não confiáveis com mais contenção e menos necessidade de gerenciar infraestrutura. Esse ponto é especialmente relevante para aplicações baseadas em agentes de inteligência artificial. Agentes capazes de escrever, modificar e executar código precisam de ambientes controlados para reduzir riscos como execução indevida, exposição de credenciais, manipulação por prompt injection e acesso excessivo a recursos internos. Ao separar o runtime do agente do ambiente onde os comandos são executados, a MicroVM cria uma camada adicional de contenção. A própria AWS publicou documentação para uso do Lambda MicroVMs como sandbox de agentes Claude. Nesse modelo, a Anthropic hospeda o loop do agente e o modelo Claude, enquanto as chamadas de ferramentas são executadas dentro de uma MicroVM na infraestrutura controlada pelo cliente. A abordagem permite definir o que está instalado no ambiente, quais recursos de rede podem ser acessados e quais permissões estarão disponíveis durante a sessão. O Lambda MicroVMs também preserva estado durante interações. Uma MicroVM pode estar em execução, ser suspensa quando fica ociosa e depois retomada quando há uma nova requisição de rede. Ao ser suspensa, ela mantém memória, disco e processos, permitindo que pacotes instalados, arquivos de trabalho, modelos carregados e resultados intermediários continuem disponíveis quando a sessão volta a operar. Esse comportamento é útil em tarefas que alternam períodos de atividade e espera, como sessões de desenvolvimento, análise de vulnerabilidades ou agentes autônomos que executam múltiplas etapas ao longo de horas. A AWS afirma que MicroVMs podem escalar verticalmente até quatro vezes a configuração base, conforme a demanda de recursos. Cada instância também pode receber uma URL HTTPS dedicada, com suporte a protocolos como HTTP/2, gRPC e WebSockets. Isso permite conectar aplicações diretamente ao ambiente isolado, sem expor toda a infraestrutura subjacente. O recurso não substitui as funções Lambda tradicionais. A própria AWS descreve os dois modelos como complementares. Funções Lambda continuam indicadas para workloads orientados a eventos, APIs curtas, processamento de arquivos, automações rápidas e tarefas request-response. Já o Lambda MicroVMs mira aplicações multiusuário ou multitenant que precisam executar sessões isoladas, manter estado e controlar explicitamente o ciclo de vida do ambiente. Do ponto de vista de segurança, a principal vantagem está na execução isolada por MicroVM. Em vez de rodar código de terceiros ou gerado por IA no mesmo ambiente do agente, da aplicação principal ou de outros usuários, cada sessão pode ter seu próprio espaço de execução. Isso reduz o risco de vazamento de estado entre usuários e dificulta que um workload malicioso interfira diretamente em outro. Ainda assim, isolamento não elimina todos os riscos. Uma MicroVM que tenha acesso à rede, a APIs internas, a repositórios, a segredos ou a serviços corporativos continua exigindo controles rígidos de IAM, segmentação, auditoria, limitação de privilégios e monitoramento. Em cenários de IA agentic, a contenção do ambiente de execução precisa ser combinada com validação de entradas e saídas, controle de ferramentas, políticas de rede e revisão dos dados que o agente pode alcançar. O modelo de cobrança segue a lógica de uso. Segundo a AWS, há cobrança por recursos de computação enquanto a MicroVM está em execução, além de custos relacionados a recursos adicionais consumidos, armazenamento de snapshots e transferência de dados. Quando a MicroVM é suspensa, os custos de computação deixam de ser cobrados, permanecendo o estado preservado para retomada posterior. Isso pode reduzir custos em workloads que ficam ociosos entre interações, embora aplicações longas e intensivas em CPU ou memória ainda exijam análise cuidadosa de custo. No lançamento, o Lambda MicroVMs está disponível nas regiões US East, incluindo N. Virginia e Ohio, US West Oregon, Asia Pacific Tokyo e Europe Ireland. A disponibilidade inicial é baseada na arquitetura ARM64, com suporte a instâncias AWS Graviton, até 16 vCPUs, 32 GB de memória e 32 GB de disco por MicroVM. A novidade atende a uma demanda antiga de desenvolvedores que queriam executar contêineres em Lambda por mais de 15 minutos sem migrar imediatamente para serviços mais tradicionais de computação. Ao oferecer uma camada serverless, isolada e com duração maior, a AWS cria uma alternativa intermediária entre funções curtas, contêineres gerenciados e máquinas virtuais persistentes. Para empresas, o valor do Lambda MicroVMs está menos em “rodar qualquer coisa por mais tempo” e mais em criar ambientes temporários, isolados e controlados para workloads de maior risco. Isso inclui análise de pacotes suspeitos, execução de código de usuários, testes de segurança, automações de desenvolvimento e agentes de IA que precisam manipular ferramentas reais sem receber acesso irrestrito ao ambiente corporativo. O lançamento também mostra como a infraestrutura cloud está sendo adaptada à nova geração de aplicações baseadas em IA. À medida que agentes deixam de apenas responder perguntas e passam a executar ações, editar código, consultar sistemas e operar ferramentas, a necessidade de sandboxes fortes, efêmeros e auditáveis se torna mais estratégica. O Lambda MicroVMs tenta ocupar esse espaço combinando isolamento, estado persistente temporário e modelo serverless de consumo sob demanda.

  • Anthropic lança novo Claude para trabalhar dentro do Slack como colega de equipe

    A Anthropic anunciou o Claude Tag, uma nova integração do Claude ao Slack que substitui o aplicativo anterior da empresa e leva o assistente de IA para uma abordagem mais persistente, colaborativa e agentic dentro dos ambientes corporativos. A proposta é permitir que o Claude participe de canais como se fosse um membro da equipe, com acesso aos espaços, ferramentas, dados e bases de código autorizados pelos administradores do domínio. Na prática, o Claude Tag amplia o papel tradicional de um chatbot corporativo. Em vez de responder apenas a perguntas isoladas, a ferramenta passa a acompanhar o contexto dos canais aos quais foi adicionada, manter conhecimento acumulado sobre o trabalho da equipe e executar tarefas delegadas por usuários que mencionem @Claude em uma conversa. Segundo a Anthropic, a novidade marca uma evolução do Claude Code e torna o modelo mais proativo e adequado ao trabalho em equipe. A integração será disponibilizada inicialmente em beta para clientes dos planos Claude Enterprise e Claude Team. A Anthropic afirma que pretende expandir a funcionalidade para outras plataformas no futuro, mas o lançamento começa pelo Slack por ser um dos principais ambientes de colaboração usados por equipes técnicas, de produto, suporte e operações. O funcionamento do Claude Tag depende diretamente das permissões concedidas pela organização. Administradores podem definir quais canais, ferramentas, dados e repositórios de código o agente poderá acessar. A partir desse escopo, qualquer pessoa em um canal autorizado pode acionar o Claude para executar tarefas como escrever ou revisar código, criar pull requests, analisar dados, investigar métricas de produto, acompanhar tickets de suporte ou ajudar na identificação da causa raiz de bugs complexos. Um dos principais diferenciais em relação ao antigo app Claude in Slack é a persistência contextual. Em um canal, todos os usuários interagem com a mesma instância do Claude Tag, de forma semelhante a um colega compartilhado pela equipe. Isso significa que o agente pode acompanhar conversas, entender decisões anteriores e continuar tarefas com base no histórico daquele ambiente, reduzindo a necessidade de repetir instruções a cada nova interação. A Anthropic afirma que esse comportamento “multiplayer” muda a dinâmica de uso da IA no trabalho. Em vez de uma conversa privada entre um usuário e um assistente, o Claude passa a operar de maneira visível no canal, permitindo que outros membros acompanhem, complementem ou retomem tarefas iniciadas por colegas. A empresa diz que, internamente, 65% do código da equipe de produto já é criado por uma versão interna do Claude Tag. A capacidade de aprender com o tempo também amplia os benefícios e os riscos da solução. O Claude Tag pode construir contexto a partir dos canais em que está presente e, se receber autorização, aprender também com outros canais e fontes de dados conectadas. A Anthropic afirma que memórias e acessos podem ser segregados por uso, de modo que uma instância voltada a vendas, por exemplo, não compartilhe informações com uma instância usada por engenharia. Outro recurso relevante é o chamado comportamento ambiente. Quando ativado, o Claude Tag pode tomar iniciativa para avisar usuários sobre informações que considere importantes, sinalizar atualizações relevantes em canais e ferramentas conectadas, acompanhar threads sem resolução e executar tarefas de forma assíncrona por horas ou dias. A ferramenta também pode programar etapas para si mesma, funcionando como um agente que continua trabalhando depois da solicitação inicial. Esse modelo reforça uma tendência crescente no mercado de IA corporativa: a substituição de assistentes reativos por agentes integrados aos fluxos de trabalho. Em ambientes de desenvolvimento, suporte e operações, esse tipo de ferramenta pode reduzir atrito, acelerar análises e permitir que múltiplas tarefas sejam delegadas em paralelo. Ao mesmo tempo, a integração aumenta a dependência de controles de acesso, trilhas de auditoria, limites de consumo e políticas claras de uso de dados. A própria Anthropic destaca que administradores poderão estabelecer limites de gasto com tokens para a organização e para canais específicos, além de visualizar registros das ações executadas pelo Claude Tag e de quem solicitou cada tarefa. Esse ponto é importante porque o consumo de IA em modelos de cobrança medidos por uso se tornou uma preocupação para empresas que integram agentes a fluxos de trabalho contínuos. A migração também terá impacto para usuários do app anterior. O Claude Tag substitui a integração existente do Claude com o Slack, e administradores de ambientes que usam o app antigo terão um período de 30 dias para aderir à nova experiência. Segundo informações de suporte citadas na cobertura original, clientes Enterprise com mais de 10 assentos que adicionarem o Claude Tag ao Slack poderão receber US$ 25 mil em créditos promocionais, enquanto clientes Team poderão receber US$ 2,5 mil. Os créditos são voltados ao uso do Claude Tag no Slack e expiram em 1º de setembro. Apesar do apelo operacional, o lançamento levanta questões relevantes para segurança da informação, privacidade e governança. Ao adicionar um agente persistente a canais corporativos, empresas podem expor conversas internas, dados sensíveis, tickets, métricas, documentos e bases de código a um modelo de IA hospedado fora do próprio ambiente. Mesmo com controles administrativos, o risco depende da configuração de permissões, da classificação dos dados e da maturidade dos processos internos. Para equipes de segurança, a adoção de ferramentas como o Claude Tag deve ser acompanhada de políticas de uso aceitável, revisão de permissões por canal, segregação de ambientes, monitoramento de logs e definição clara de quais tipos de informação podem ser processados por IA. Canais que tratam de dados pessoais, credenciais, incidentes de segurança, informações financeiras, propriedade intelectual ou discussões estratégicas exigem atenção especial. A novidade mostra como a IA generativa está deixando de ser uma ferramenta isolada para se tornar uma camada operacional dentro das plataformas de colaboração. O ganho potencial está na automação contextual e na capacidade de transformar conversas em ações. O desafio, porém, será equilibrar produtividade com controle, transparência e segurança, especialmente em empresas que ainda não possuem governança madura para agentes de IA conectados a dados corporativos.

  • Hackers do Scattered Spider admitem ataque que paralisou serviços da Transport for London

    Dois supostos integrantes do grupo de cibercrime Scattered Spider se declararam culpados por participar de um ataque cibernético contra a Transport for London, autoridade responsável por parte essencial da infraestrutura de transporte da capital britânica. A invasão, ocorrida entre 31 de agosto e 3 de setembro de 2024, provocou interrupções por meses, expôs dados de clientes e gerou cerca de 29 milhões de libras, aproximadamente US$ 38 milhões, em perdas e custos de recuperação. Segundo a National Crime Agency, a NCA, Thalha Jubair, de 20 anos, morador do leste de Londres, e Owen Flowers, de 18 anos, de Walsall, na região de West Midlands, admitiram ter comprometido a rede da Transport for London. Os dois deveriam ser julgados na segunda-feira, 22 de junho, no Woolwich Crown Court, mas mudaram suas declarações para culpado no primeiro dia do processo. A sentença está prevista para 16 de julho. O caso envolve uma das organizações públicas mais sensíveis do Reino Unido. A Transport for London administra serviços ligados ao metrô, ônibus, pagamentos, cartões de transporte e sistemas digitais usados diariamente por milhões de passageiros. Embora o texto divulgado pelas autoridades não detalhe toda a cadeia técnica da invasão, a investigação aponta que os invasores obtiveram acesso à infraestrutura da TfL, acessaram sistemas internos e provocaram uma resposta emergencial de grande escala. Uma das consequências mais visíveis foi a necessidade de todos os 28 mil funcionários da TfL comparecerem presencialmente a um escritório da organização para redefinir suas senhas. A medida indica que a contenção do incidente exigiu uma rotação ampla de credenciais, procedimento normalmente adotado quando há risco de comprometimento de contas internas, abuso de acessos legítimos ou dificuldade em determinar com precisão quais credenciais foram expostas. O ataque também afetou serviços usados diretamente pelos passageiros. Dados do sistema de reembolsos do Oyster, a plataforma de bilhetagem inteligente utilizada no transporte público de Londres, foram acessados. O incidente prejudicou o funcionamento dos serviços de reembolso a clientes, deixando usuários sem ressarcimento por mais tempo do que o normal, e também derrubou o sistema de solicitação dos Oyster photocards com desconto, usados por crianças e jovens. De acordo com a NCA, Jubair e Flowers faziam parte do Scattered Spider, um coletivo de cibercrime pouco hierarquizado e formado majoritariamente por hackers de língua inglesa. O grupo tem sido associado a intrusões de alto impacto contra grandes empresas dos Estados Unidos e da Europa, com vítimas em setores como aviação, seguros e varejo. Promotores norte-americanos já alegaram que o grupo extorquiu ao menos US$ 115 milhões de vítimas ao longo de três anos. A investigação também revelou elementos importantes sobre a operação. Flowers foi preso inicialmente em 6 de setembro de 2024, poucos dias após o ataque. Durante buscas em sua residência, os investigadores apreenderam notebooks, computadores desktop, discos rígidos e dispositivos USB. Em um notebook Acer, a NCA afirma ter encontrado uma captura de tela mostrando conectividade com a infraestrutura da TfL, além de evidências de acesso a uma ferramenta online usada para venda de credenciais vazadas. Os agentes também encontraram vídeos que, segundo a investigação, mostravam Jubair acessando sistemas da Transport for London durante a invasão. As autoridades afirmam ainda que os dois se comunicavam pelo Telegram enquanto realizavam o ataque e utilizavam uma ferramenta online de colaboração, na qual múltiplos participantes podiam trabalhar em um mesmo ambiente remoto. Esse tipo de dinâmica é compatível com operações distribuídas de cibercrime, nas quais diferentes participantes compartilham acessos, informações e tarefas durante uma intrusão. A investigação indicou ainda que redes de duas empresas norte-americanas do setor de saúde, SSM Health Care Corporation e Sutter Health, haviam sido infiltradas e danificadas. A NCA não detalhou a extensão desses incidentes, mas as duas organizações reportaram grandes violações de dados em 2023. Flowers também enfrentou acusações relacionadas a esses acessos, enquanto Jubair recebeu uma acusação adicional por não informar senhas ou PINs de dispositivos apreendidos. Após ser liberado sob fiança, Flowers violou as condições impostas pelas autoridades em duas ocasiões, em março e maio de 2025. O caso avançou sob algumas das acusações mais graves previstas na legislação britânica de crimes cibernéticos, incluindo conspiração para cometer atos não autorizados contra sistemas computacionais com risco de causar danos graves ao bem-estar humano ou à segurança nacional. Esse tipo de delito pode resultar em pena máxima de prisão perpétua. Para as autoridades britânicas, o caso reforça a mudança no perfil de parte das ameaças cibernéticas de alto impacto. Ataques historicamente associados a grupos sediados no Leste Europeu ou a redes criminosas de língua russa passaram a dividir espaço com coletivos de língua inglesa, muitas vezes formados por jovens operadores com forte domínio de engenharia social, roubo de credenciais, abuso de ferramentas colaborativas e acesso a mercados clandestinos. Paul Foster, chefe da Unidade Nacional de Crimes Cibernéticos da NCA, classificou a investigação como longa, altamente complexa e minuciosa. Segundo ele, a infiltração nos sistemas da TfL mostra que o cibercrime, apesar de muitas vezes parecer distante ou impessoal, tem consequências concretas para serviços públicos, clientes e infraestrutura crítica. O episódio também destaca a importância da cooperação rápida entre organizações afetadas e forças de segurança. A NCA afirmou que o resultado do caso só foi possível porque a Transport for London acionou as autoridades logo no início do incidente. Em ambientes críticos, essa coordenação pode ser decisiva para preservar evidências, conter movimentações dos invasores, reconstruir a linha do tempo do ataque e reduzir o impacto operacional.

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