Senador americano alerta para atividades da CIA e reacende preocupações sobre vigilância secreta nos EUA
- Cyber Security Brazil
- há 14 horas
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O senador democrata Ron Wyden, um dos parlamentares mais experientes do Senate Intelligence Committee, afirmou ter “profundas preocupações” em relação a determinadas atividades conduzidas pela Central Intelligence Agency (CIA). O alerta foi feito por meio de uma carta curta, de apenas duas linhas, cujo conteúdo não detalha a natureza das ações nem os motivos específicos de preocupação.
Embora sucinto, o comunicado segue um padrão já conhecido nos bastidores de Washington. Nos últimos anos, Wyden tornou-se famoso por emitir alertas públicos velados sobre programas secretos de vigilância ou interpretações legais controversas, prática que passou a ser informalmente chamada de “sirene de Wyden”. Historicamente, esses avisos antecederam revelações posteriores de irregularidades ou abusos por parte do governo norte-americano.
Em resposta, a CIA declarou, por meio de nota citada pela imprensa, que considera “irônico, mas não surpreendente” o descontentamento do senador, classificando a crítica como um “selo de honra”. A equipe de Wyden informou que não poderia comentar o assunto, já que os detalhes permanecem classificados.
Como parte de sua função de supervisão da comunidade de inteligência, Wyden está entre os poucos parlamentares autorizados a acessar informações altamente sigilosas sobre programas de vigilância governamental, incluindo operações cibernéticas e de inteligência. No entanto, essas autorizações impõem severas restrições, impedindo-o de compartilhar detalhes mesmo com a maioria de seus colegas no Congresso.
Reconhecido como um defensor histórico da privacidade e das liberdades civis, Wyden tornou-se uma das vozes mais observadas por organizações de direitos digitais. Em diversas ocasiões, o senador alertou publicamente sobre práticas que considerava ilegais ou inconstitucionais, mesmo sem poder revelar provas.
Em 2011, por exemplo, Wyden afirmou que o governo dos EUA utilizava uma interpretação secreta do Patriot Act, criando um “abismo” entre o que o público acreditava ser a lei e como ela era aplicada internamente. Dois anos depois, o ex-contratado da NSA Edward Snowden revelou que a National Security Agency (NSA) havia usado exatamente essa interpretação para obrigar operadoras como a Verizon a entregar registros telefônicos de milhões de americanos.
Desde então, Wyden também denunciou a coleta massiva de conteúdos de comunicações, revelou que o Departamento de Justiça proibiu Apple e Google de informarem usuários sobre exigências secretas relacionadas a notificações push e afirmou que um relatório não classificado da Cybersecurity and Infrastructure Security Agency (CISA) ainda não divulgado contém “detalhes chocantes” sobre ameaças à segurança das operadoras de telecomunicações dos EUA.
Especialistas destacam que, em retrospecto, todos os alertas públicos feitos por Wyden acabaram sendo confirmados por investigações jornalísticas ou revelações oficiais. Por isso, mesmo sem detalhes, o novo aviso sobre atividades da CIA já acende um sinal de alerta entre defensores da privacidade e da transparência governamental.






