Nova York avalia uso de câmeras com inteligência artificial para identificar evasão de tarifa no metrô
- Cyber Security Brazil
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A Metropolitan Transportation Authority (MTA), responsável pelo transporte público de Nova York, está testando novos modelos de catracas de metrô equipadas com câmeras e inteligência artificial (IA) para coletar dados de pessoas suspeitas de não pagar a tarifa. A iniciativa, ainda em fase experimental, já provoca forte reação de defensores da privacidade, que alertam para o risco de monitoramento constante de pedestres e usuários do transporte público.
De acordo com representantes da Cubic, fabricante das catracas, o sistema ativa a gravação por cerca de cinco segundos sempre que identifica uma possível evasão de tarifa. A partir dessas imagens, algoritmos de IA geram uma descrição física do indivíduo, que é então encaminhada à MTA para análise. Segundo a empresa, o foco estaria na coleta de dados comportamentais e não na identificação direta de pessoas naquele momento.
Em dezembro, a MTA publicou um pedido formal a fornecedores em busca de soluções que utilizem visão computacional avançada e inteligência artificial para detectar “comportamentos incomuns ou inseguros” no sistema de transporte. A iniciativa faz parte de um movimento mais amplo de ampliação de tecnologias de vigilância em espaços públicos e privados na cidade.
Para moradores de Nova York, a medida se soma a uma crescente presença de sistemas de monitoramento. No início de janeiro, a rede de supermercados Wegmans passou a exibir avisos informando clientes sobre o uso de câmeras com reconhecimento facial em algumas lojas. Segundo a empresa, os dados biométricos são utilizados apenas para identificar indivíduos previamente sinalizados por má conduta, sem coleta de escaneamento de retina ou reconhecimento de voz. A companhia, no entanto, não informou por quanto tempo esses dados são armazenados.
A legislação de Nova York exige que estabelecimentos informem claramente os clientes quando tecnologias de reconhecimento facial estão em uso. Ainda assim, segundo Michelle Dahl, diretora executiva do Surveillance Technology Oversight Project (S.T.O.P.), diversos grandes varejistas já utilizam esse tipo de tecnologia, incluindo T-Mobile, Madison Square Garden, Walmart, Home Depot, Fairway e Macy’s.
Organizações de direitos civis alertam para um crescimento acelerado da vigilância biométrica tanto por empresas privadas quanto por órgãos públicos. Dahl afirma que muitos nova-iorquinos não percebem a dimensão dessa expansão. “As pessoas estão, em grande parte, caminhando passivamente para um estado de vigilância constante, e é hora de prestar atenção e reagir”, afirmou.
Especialistas também destacam falhas conhecidas do reconhecimento facial, que apresenta menor precisão na identificação de minorias étnicas, especialmente pessoas negras. Esse fator levanta preocupações de que sistemas usados para detectar evasão de tarifa possam gerar falsos positivos e encaminhar indivíduos inocentes para abordagens policiais.
A própria New York Police Department (NYPD) utiliza tecnologias biométricas há anos para monitoramento e investigação. Em novembro, o S.T.O.P. e a Amnesty International divulgaram documentos obtidos após uma disputa judicial de cinco anos, revelando que, até abril de 2020, a polícia nova-iorquina já havia investido mais de US$ 5 milhões em reconhecimento facial, além de gastos recorrentes anuais superiores a US$ 100 mil.



