Finlândia apreende navio suspeito de danificar cabo submarino no Mar Báltico
- Cyber Security Brazil
- 2 de jan.
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As autoridades da Finlândia anunciaram nesta quarta-feira (1º) a apreensão de um navio suspeito de danificar um cabo submarino de telecomunicações no Mar Báltico, em mais um episódio que reacende preocupações sobre a segurança de infraestruturas críticas na região.
O caso ocorre em meio a uma série de falhas recentes em cabos submarinos, detectadas nos últimos dias. Segundo o Ministério da Justiça da Estônia, parte desses incidentes pode estar relacionada às condições climáticas adversas, embora ao menos dois casos sigam sob investigação. As operadoras envolvidas afirmaram que não houve impacto nos serviços, graças a conexões redundantes que mantêm as comunicações ativas mesmo quando uma rota é comprometida.
A Guarda de Fronteira finlandesa localizou o navio suspeito após receber, na madrugada da véspera de Ano-Novo, um alerta da operadora de telecomunicações Elisa. A falha foi identificada em um trecho de cabo da empresa que atravessa a zona econômica exclusiva da Estônia, ainda nas primeiras horas do dia 31 de dezembro. Também foram relatados danos em outro cabo submarino pertencente à operadora sueca Arelion.
No momento em que o dano ocorreu, o navio sob suspeita foi identificado em trânsito da zona econômica exclusiva da Estônia para a da Finlândia. Até o momento, nenhum detalhe oficial sobre a embarcação foi divulgado. Ao localizar o navio, as autoridades constataram que a corrente da âncora estava baixada, arrastando-se pelo fundo do mar. A embarcação foi então instruída a se deslocar para uma área de ancoragem segura dentro das águas territoriais finlandesas.
Em comunicado conjunto, as autoridades informaram que o controle da embarcação foi assumido pelo Estado finlandês e que a liderança da investigação passou da Guarda Costeira do Golfo da Finlândia para o Departamento de Polícia de Helsinque. Promotores locais já emitiram ordens de acusação, e o caso está sendo apurado como dano criminoso agravado, tentativa de dano criminoso agravado e interferência agravada em sistemas de telecomunicações.
A apreensão do navio ocorre pouco mais de um ano após um caso semelhante, quando a polícia armada da Finlândia deteve o Eagle S, um petroleiro ligado à Rússia, suspeito de danificar múltiplos cabos submarinos no Natal de 2024. Na ocasião, a tentativa de responsabilizar criminalmente oficiais da embarcação acabou fracassando devido a disputas jurídicas sobre a jurisdição do país.
O Eagle S havia partido do porto russo de Ust-Luga transportando gasolina e diesel e era apontado por países ocidentais como parte da chamada “frota fantasma” russa um conjunto estimado em até mil navios antigos, com estruturas de propriedade opacas, utilizados para exportar produtos sancionados, especialmente petróleo.
Os danos causados por essa embarcação estiveram entre os mais investigados em uma sequência de incidentes no Mar Báltico, que levantaram suspeitas sobre possíveis atos de sabotagem direcionados a infraestruturas críticas. Em resposta, a NATO anunciou o reforço das patrulhas no Mar Báltico, incluindo o emprego de fragatas, aeronaves de patrulha marítima e um pequeno contingente de drones navais.
Apesar disso, autoridades de diversos países europeus da região do Mar do Norte e do Mar Báltico afirmaram que cresce a convicção de que muitos desses incidentes foram acidentais, e não resultado de ações coordenadas pelo Kremlin. Segundo um funcionário europeu ouvido sob condição de anonimato, tripulações pouco profissionais e comandantes inexperientes frequentemente evitam manobras mais complexas em condições climáticas severas, permitindo que âncoras sejam arrastadas pelo leito marinho exatamente onde passam a maioria dos cabos submarinos.






