Rússia acusa fundador do Telegram de facilitar atividades terroristas e inclui Pavel Durov na lista internacional de procurados
- Cyber Security Brazil
- 30 de jul.
- 3 min de leitura

O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) anunciou que apresentou acusações criminais contra Pavel Durov, fundador do Telegram, por supostamente facilitar atividades terroristas e descumprir a legislação russa ao não remover conteúdos considerados proibidos da plataforma. O empresário também foi incluído na lista internacional de procurados do país.
Segundo o FSB, o Telegram teria deixado de remover diversos canais, grupos e bots que, de acordo com as autoridades russas, estariam sendo utilizados por serviços de inteligência da Ucrânia, além de organizações classificadas pela Rússia como terroristas e extremistas, para planejar atos de sabotagem, terrorismo, ataques contra civis e fraudes cibernéticas.
As autoridades russas afirmam que essas atividades resultaram em mortes, incluindo mulheres e crianças, além de prejuízos financeiros avaliados em bilhões. Até o momento, essas alegações não foram corroboradas por fontes independentes.
Durov foi formalmente acusado com base no artigo 205.1, parte 1.1, do Código Penal da Federação Russa, que trata do auxílio a atividades terroristas, no contexto de uma investigação criminal em andamento.
Rússia afirma que chatbot do Telegram era usado para recrutamento
O FSB também alegou ter identificado o uso do chatbot Daivinchik/Leo-Dating, Chatting, and New Friends, disponível no Telegram, para recrutar cidadãos russos para ações de sabotagem e terrorismo por meio de manipulação psicológica e engenharia social.
Segundo a agência, operações conduzidas em conjunto com o Ministério do Interior e o Comitê de Investigação da Rússia resultaram na detenção de 46 cidadãos russos, com idades entre 12 e 22 anos, entre julho de 2025 e a atualidade.
De acordo com as autoridades, esses indivíduos teriam participado de ataques contra agentes policiais, incêndios criminosos direcionados a infraestruturas de transporte, energia, telecomunicações e instituições financeiras, além de atuar como intermediários na movimentação de recursos obtidos por golpes para contas controladas por adversários por meio de criptomoedas.
Acusações envolvem suposta campanha de engenharia social
O FSB afirma ainda que agentes de inteligência ucranianos utilizariam o serviço de relacionamento Daivinchik para se passar por jovens mulheres e estabelecer contato com homens russos pela internet.
Após conquistar a confiança das vítimas, os operadores solicitariam o compartilhamento da localização de encontros em locais públicos ou próximos a instalações estratégicas, além de convencer os usuários a realizar pagamentos por ingressos ou presentes utilizando links de phishing.
Segundo a versão apresentada pelas autoridades russas, posteriormente os alvos eram contatados por pessoas que se passavam por policiais ou representantes do serviço federal de monitoramento financeiro da Rússia. Esses falsos agentes alegavam que os pagamentos haviam financiado as Forças Armadas da Ucrânia e que as coordenadas compartilhadas estariam sendo utilizadas para planejar ataques com mísseis ou drones.
Ainda segundo o FSB, sob pressão psicológica e ameaças de responsabilização criminal, algumas vítimas teriam sido induzidas a cometer ataques armados e atos de sabotagem, acreditando estar colaborando com supostas operações oficiais de contraterrorismo.
As alegações apresentadas pelas autoridades russas não foram verificadas de forma independente.
Telegram reage e tensão aumenta
Em resposta ao anúncio do FSB, a conta oficial do Telegram na rede social X publicou uma fotografia de Pavel Durov fazendo um gesto obsceno direcionado à câmera. Até o momento, Durov, que reside em Dubai, não comentou publicamente as acusações.
O caso ocorre em meio ao aumento das restrições impostas pela Rússia ao Telegram. No início de 2026, o país reduziu a velocidade de funcionamento do aplicativo e, em abril, implementou um bloqueio quase total do serviço em seu território.
O episódio também ocorre cerca de dois anos após Durov ter sido preso e acusado na França por supostamente não adotar medidas suficientes para combater atividades ilícitas realizadas por usuários da plataforma.



