Pentágono inicia revisão estratégica do Cyber Command para acelerar modernização cibernética dos EUA
- Cyber Security Brazil
- 29 de mai.
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O novo comandante do U.S. Cyber Command, general Joshua Rudd, iniciou uma ampla revisão estratégica da principal estrutura militar de operações cibernéticas dos Estados Unidos em meio à pressão do Pentágono por reformas, modernização e expansão das capacidades ofensivas no ambiente digital.
Rudd, que assumiu simultaneamente o comando do Cyber Command e da NSA em março deste ano, autorizou a realização de dois estudos paralelos para avaliar possíveis mudanças estruturais, operacionais e administrativas na organização. Um deles será conduzido pela MITRE, tradicional organização de pesquisa sem fins lucrativos que atua há décadas em projetos ligados à defesa, inteligência e cibersegurança do governo norte-americano.
Segundo fontes familiarizadas com a iniciativa, a análise poderá revisar o atual modelo de aquisição tecnológica do comando e até mesmo reavaliar as chamadas “service-like authorities”, mecanismos concedidos pelo Congresso que permitem ao Cyber Command administrar e equipar suas forças sem precisar ser formalmente transformado em um ramo militar independente.
As conclusões da MITRE devem ser incorporadas à revisão interna de 90 dias conduzida pelo próprio general Rudd — procedimento relativamente comum para novos líderes militares de alto escalão, especialmente em comandos estratégicos. A expectativa é que o processo seja concluído já no próximo mês.
Além da análise externa, Rudd também reuniu um grupo interno formado por líderes seniores com experiência em operações especiais para identificar mudanças rápidas e melhorias operacionais consideradas prioritárias. Internamente, a iniciativa teria buscado encontrar “quick wins” capazes de acelerar ganhos de eficiência no curto prazo.
A movimentação ocorre em um momento delicado para o Cyber Command. Autoridades atuais e ex-integrantes do setor de defesa afirmam que o general enfrenta forte pressão para promover mudanças rápidas e alinhar a atuação ofensiva do comando à visão mais agressiva da atual administração Trump sobre confrontos no ciberespaço.
O Pentágono também tenta resolver problemas históricos relacionados ao recrutamento, treinamento e retenção de profissionais especializados em operações cibernéticas. Para enfrentar essas limitações, o governo trabalha na implementação da estratégia conhecida como “CYBERCOM 2.0”, iniciativa criada ainda durante a administração Biden, mas que passou por aceleração e reformulação sob Trump.
Um dos pilares centrais do programa envolve a criação do chamado Cyber Innovation Warfare Center, estrutura inspirada em escritórios de aquisição rápida utilizados em outras áreas militares. O objetivo é acelerar o desenvolvimento, aquisição e operacionalização de capacidades ofensivas e defensivas voltadas para guerra digital.
A possível sobreposição entre a revisão conduzida pela MITRE e alguns elementos do CYBERCOM 2.0 gerou preocupação em parte da comunidade de defesa. Alguns observadores temem que mudanças recomendadas pelo estudo possam impactar ou desacelerar componentes estratégicos já aprovados anteriormente.
Integrantes do comando, porém, afirmam que o trabalho da MITRE deverá complementar a estratégia existente, principalmente na área de aquisição tecnológica e eficiência operacional.
Recentemente, durante audiência no Senado norte-americano, Rudd destacou que o programa CYBERCOM 2.0 vem avançando rapidamente e já alcança novos marcos mensalmente. Segundo ele, a iniciativa permitirá maior aproximação entre o governo, a indústria privada e o meio acadêmico para acelerar o desenvolvimento de capacidades cibernéticas avançadas.
O orçamento presidencial para o ano fiscal de 2027 prevê aproximadamente US$ 75 milhões destinados ao projeto.
O momento escolhido para as revisões chamou atenção dentro da comunidade militar. Fontes ligadas ao setor afirmam que antigos líderes do Cyber Command, muitos deles com experiência muito mais profunda em operações cibernéticas, normalmente chegavam ao cargo já com prioridades e objetivos definidos antes de solicitar avaliações externas.
A situação de Rudd é diferente. O general construiu grande parte de sua carreira em forças especiais e possui menos experiência direta em operações cibernéticas quando comparado aos seus antecessores. Além disso, sua chegada ao comando ocorre após a saída inesperada do líder anterior, aumentando o nível de escrutínio político e operacional sobre sua gestão.
Ex-integrantes do governo afirmam que a decisão de iniciar estudos externos logo no início do mandato pode ser uma tentativa de acelerar o entendimento sobre a estrutura atual do comando, seus gargalos e possíveis pontos de modernização.
Entre as prioridades avaliadas pelo Pentágono estão melhorias na velocidade de aquisição tecnológica, retenção de operadores especializados, integração entre defesa e indústria privada, ampliação de capacidades ofensivas e maior adaptação ao cenário atual de conflitos híbridos, que combinam espionagem digital, operações ofensivas, campanhas de desinformação e guerra cibernética em larga escala.


