Câmeras da Flock Safety são incendiadas na Geórgia em meio a críticas sobre vigilância
- Cyber Security Brazil
- 28 de jul.
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A polícia do condado de Dougherty, no estado da Geórgia (EUA), investiga o incêndio de duas câmeras de leitura automática de placas (ALPR) da Flock Safety. Inicialmente, as autoridades suspeitaram de falhas técnicas, mas, após a análise das evidências, os casos foram reclassificados como danos criminosos ao patrimônio.
Os equipamentos estavam instalados na Radium Springs Road, próximo ao cruzamento com Williamsburg Drive. A polícia não divulgou a causa dos incêndios nem informações sobre possíveis suspeitos, mas pediu a colaboração da população para identificar os responsáveis.
Os locais coincidem com pontos mapeados pelo projeto comunitário Deflock, que mantém um banco de dados público sobre a localização de câmeras da Flock Safety nos Estados Unidos.
A empresa fornece leitores automáticos de placas, além de câmeras de segurança, detectores acústicos de disparos, drones e outros dispositivos utilizados por milhares de agências de segurança pública no país.
Apesar da ampla adoção, a Flock enfrenta críticas relacionadas ao uso de seus sistemas de vigilância. Segundo o Institute for Justice, ao menos 26 casos de suposto abuso de dados coletados por leitores de placas envolveram policiais utilizando as informações para perseguir interesses pessoais, com a maioria dos episódios registrada desde 2024.
A American Civil Liberties Union (ACLU) também afirma que menos de 1% dos veículos registrados pelas câmeras está relacionado a atividades criminosas, embora os dados de praticamente todos os automóveis sejam armazenados e possam ser consultados por autoridades.
A empresa também foi alvo de questionamentos sobre o compartilhamento de informações com órgãos de imigração. Embora a Flock negue fornecer acesso direto ao Immigration and Customs Enforcement (ICE), reportagens apontam que departamentos de polícia realizaram consultas em nome da agência. Dados da plataforma também teriam sido utilizados pelo Customs and Border Protection (CBP).
As preocupações com privacidade levaram alguns departamentos de polícia a encerrar contratos com a empresa. Na semana passada, o Departamento de Polícia de Los Angeles (LAPD) anunciou que não renovará seu acordo com a Flock, citando a necessidade de resolver questões relacionadas à privacidade, segurança e compartilhamento de dados.
Além das críticas, as câmeras da empresa também têm sido alvo de vandalismo. Em 2025, um homem foi acusado de danificar diversas unidades na Virgínia, alegando que a tecnologia seria inconstitucional. No mesmo ano, cidades do Oregon cancelaram contratos após estruturas que sustentavam câmeras serem derrubadas, enquanto equipamentos instalados em Illinois também foram destruídos.
Na semana passada, a Flock publicou um comunicado lembrando clientes sobre seu plano de proteção, que cobre reparos ou substituição de equipamentos danificados. A empresa reconheceu os ataques às câmeras, mas não comentou as críticas relacionadas à privacidade, limitando-se a desmentir rumores de que os equipamentos conteriam metais preciosos.



